O clube mais antigo e mais vitorioso do Acre, o Rio Branco Futebol Clube, fundado na década de 20 por um grupo de apaixonados por esportes, está no meio de uma encrenca entre a atual diretoria, que tomou posse no último dia 1º de janeiro, e a diretoria anterior, acusada de ter acumulado dívidas superiores a R$ 1 milhão e destruído o patrimônio da entidade. A disputa opõe duas famílias tradicionais do Acre, a dos irmãos Pinheiros, que controla a rede hotéis Inácio e Pinheiro Pálace Hotel, e a família Alencar, que controla a empresa de distribuição de água mineral Verágua.
Um exemplo da situação deplorável em que se encontra o clube mais tradicional do futebol do Acre é a sede localizada no Centro de Rio Branco, na Avenida Getúlio Vargas. O outro patrimônio do clube, a galeria do Estádio José de Melo, na Avenida Ceará, também no Centro de Rio Branco, embora com a maioria de suas loas ocupadas, de tão mal cuidada, lembra o cenário de um filme de terror.
A situação é tão vexatória que a nova diretoria eleita tomou posse, no primeiro dia do ano, numa salinha miúda da academia de ginástica do clube, por falta de espaço. Ali tomaram posse os empresários Neto Alencar como presidente do clube e seu pai, o também empresário Sebastião de Melo Alencar, como presidente do Conselho Deliberativo, para o biênio 2020/2021.
No ato de posse da nova diretoria, o presidente que estava sendo substituído, Getúlio Teixeira, abriu as contas do clube e mostrou aquilo que a sede e a galeria do clube já revelavam: o Rio Branco Futebol Clube está completamente falido. O que pesa a favor do clube é que o Rio Branco tem R$ 735 mil retidos na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e mais de R$ 1 milhão da Timemania na Caixa – créditos que, se recebidos, tirariam o clube do sufoco.
Neto Alencar, ao fazer o balanço financeiro da instituição, apresentou a lista de credores: funcionários com mais de seis meses de férias para receber e que trabalham só meio expediente; débitos com os custos processuais das negociações feitas pela diretoria anterior; divida com o contador no valor de R$ 27 mil; INSS e FGTS dos funcionários, além do ex-diretor Alex Cavalcante cobrar R$ 70 mil de dinheiro emprestado e outros R$ 60 cobrados também pelo ex-diretor Getúlio Jr, na mesma modalidade de dinheiro emprestado ao clube. No balanço apresentado por Neto Alencar apareceram mais dívidas: R$ 30 mil ao ex-preparador físico Jader Andrade, mais R$ 3 mil ao auxiliar do preparador físico, R$ 500 mil à médica do clube, mais R$ 1.500 ao fisioterapeuta, R$ 15 mil ao ex-técnico Everton Goiano, R$ 1.500 ao treinador de goleiros, mais R$ 2 mil aos seguranças dos jogos do Campeonato 2019 e outros R$ 7 mil ao ex-jogador Testinha.
Além disso, atletas que disputaram o campeonato estadual de 2019 estão cobrando salários de R$ 8 mil. Neto Alencar disse ainda que a “caixa preta” do clube revela que o volante Pedro Diub, contratado na gestão do empresário Bruno Paiva, em 2012, está cobrando outros R$ 30 mil do clube. A banca de advogados de ex-jogadores no Rio Grande do Sul também cobra mais de R$ 500 mil do clube acreano.
A situação financeira do cube é catastrófica, afirmou Neto Alencar. Segundo ele, muita gente – não citou nomes – tirou proveito do clube como se fossem donos da agremiação. “A partir de agora, ninguém se atreva a usar o nome do clube para se beneficiar”, disse.
Com a posse do último dia 1º, dois diretores e o 1º secretário foram exonerados. O 1º secretário passa a ser Ezequias Moisés e o 2º secretário será Marco Aurélio Bestene.
A briga entre a nova diretoria e a antiga vai se concentrar em torno de um terreno do clube, localizado a BR-364, próximo à Cidade do Povo, vendido por preço bem inferior ao que é avaliado pelo mercado, no valor de R$ 15 milhões. De acordo com Neto Alencar, o terreno foi vendido em torno de R$ 1 milhão e a nova diretoria, segundo ele, “não medirá esforços para anular a venda da área”. O tamanho da área é de 100 mil metros quadrados.
A esperança do clube para melhorar suas finanças é recuperar a área e vendê-la a preços justos, além de receber cerca de R$ 750 mil de créditos das lojas alugadas na Galeria José de Melo e que a maioria dos locatário está inadimplentes. “Vão ter que pagar todos os atrasados ou serão despejados”, ameaçou o novo presidente.
Neto Alencar pediu aos sócios e torcedores para que acompanhem de perto tudo que está acontecendo com o clube e anunciou que, apesar de todas as dificuldades financeiras, o clube participará do campeonato estadual deste ano, ainda que com um time modesto. “Nós vamos voltar a ser o gigante que sempre fomos”, disse.
O treinador Luciano Chequini está contratado para temporada 2020 chega nesta semana com o restante do elenco estrelado, anunciou Neto Alencar. “vãos voltar às disputas”, disse.

