Com cerca de sete novos jogadores e um novo treinador, a probabilidade de ser um time bem distante do Flamengo que conquistou o inédito título brasileiro da modalidade é bem grande. Estilos diferentes, competitividade maior dentro do próprio elenco, e a crucial mudança no licenciamento da marca estão entre os fatores que influenciarão diretamente nas possibilidades da organização de obter um ano de sucesso.
Independentemente de todas as idas e vindas de jogadores, por todos os componentes envolvendo o projeto, o Flamengo terá dificuldades de repetir o desempenho de 2019. A comissão técnica campeã do 2º Split do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) de 2019 composta por Gabriel “Von” e Jordan “Grey” acabou sendo desfeita e não estará mais presente no próximo ano. Para ocupar o cargo de ambos, Thiago “Djoko”, que não conseguiu emplacar bons trabalhos nas últimas temporadas, foi contratado para ser, ao lado do sul-coreano Seong “Reven”, conhecido como Flanalista, uma das mentes por trás das táticas organizadas pela equipe rubro-negra.
Além das mudanças no staff, um dos principais problemas em questão envolve a mudança repentina dos pilares da organização. As saídas de Lee “Shrimp” e brTT de uma única vez possuem um peso negativo enorme, uma vez que os dois são imprescindíveis para qualquer equipe no Brasil. Sendo assim, a dificuldade de substituir à altura e a pressão de sucedê-los devem ser pontos a serem levados em conta na avaliação do futuro rubro-negro em 2020.
Portanto, talvez a maior dúvida da torcida rubro-negra esteja em Luis “Absolut”, atirador que terá a incumbência de suceder brTT. A tendência é que um dos pontos mais fracos da nova line up esteja no jogador ex-Team One, que está há um certo tempo sem atuar competitivamente por conta de sofrer com tendinite, lesão que o acompanha desde que estreou no competitivo e lhe impediu de jogar a última edição do CBLoL. Logo, a forma como deve retornar ao cenário profissional do jogo é uma incógnita.
Mesmo que consiga retomar o nível desempenhado na Team One, embora seja um bom jogador, a chance de chegar na mesma performance apresentada por brTT nos seus três anos de Flamengo é mínima. Na atual circunstância, as qualidades e competências dos dois atiradores estão bem distantes, o que transforma a posição na maior preocupação para o futuro rubro-negro.
Além do mais, as transferências das outras organizações precisam ser levadas em conta. A título de exemplo, a paiN Gaming dispara como favorita pelas contratações de dois coreanos de renome, do próprio brTT, ex-Flamengo, e do retorno de Gabriel “Kami”, formando um elenco, no papel, com enorme potencial dominador. De outro modo, a INTZ manteve a base campeã do primeiro e vice do segundo split do CBLoL deste ano, e seguirá como uma das equipes que buscarão o título nacional. Ambas as organizações estão um passo à frente do Flamengo, que precisará se desdobrar para manter o posto de time a ser batido.
Por outro lado, um dos pontos fortes do Flamengo em 2020 deve ser as chegadas Jeong “WooFe” e Filipe “Ranger”, além da permanência de Bruno “Goku”. De uma forma bem parecida de como foi com Shrimp e Han “Luci”, WooFe chega com status de aposta e, ao que tudo indica, deve ser a única contratação de nível superior ao jogador que estava anteriormente. Dessa maneira, apesar de “desconhecido” do grande público, o coreano ex-Winners é capaz de ser uma das principais caras da reformulação do Flamengo.
Mesmo com a difícil missão de substituir Shrimp, Ranger era um dos poucos nomes no Brasil com capacidade para apresentar um nível próximo do coreano, e chega com moral, visto que possui uma vasta bagagem nacional e internacional. Ademais, o caçador ex-KaBuM se beneficiará da permanência do Goku, que deve ser a grande referência do Flamengo em 2020.
Tanto Ranger quanto Goku formaram a line up da Pro Gaming de 2017. Logo, há uma certa sintonia entre o caçador e o jogador da rota do meio, que naturalmente pode ser determinante na própria forma da equipe rubro-negra atuar dentro de Summoner’s Rift. O bom ano de 2019 dos dois jogadores é um voto de esperança para a parceria se tornar peça central do time na próxima temporada.
Em síntese, os maiores desafios do Flamengo devem girar em torno do entrosamento da nova line up. A ronta inferior, que antes era o carro-chefe, pode ser a principal preocupação na próxima temporada. Além disso, a adaptação do WooFe também não deve ser deixada de lado, visto que o coreano é um ponto de interrogação para o cenário brasileiro. Por fim, Ranger terá de cumprir as expectativas e chamar a responsabilidade para impactar positivamente no futuro rubro-negro da próxima temporada.

