Rios acreanos causaram a morte de pelo menos 80 pessoas em 2 anos, aponta Bombeiros

A morte de um homem, por afogamento, nas águas turvas do Rio Juruá, na Comunidade São Luís, em Cruzeiro do Sul, no primeiro dia do ano, fez acender uma luz vermelha no grupo de salvamento do Corpo de Bombeiros de todo o Acre. Francisco Albenizio Lima de Souza, de 44 anos, desapareceu nas águas quando trabalhava tentando colocar um motor na popa de um barco. Acabou se desequilibrando, caiu e desapareceu na água, entrando para a lista de afogamentos nos rios locais quase 80 mortes – 49 delas só em 2018.

Francisco desapareceu nas águas do Rio Juruá/Foto: reprodução

Nesta quinta-feira (2), o Corpo de Bombeiros ainda realizou buscas pelo corpo de Francisco, mas não obteve sucesso. Novas buscas devem ser feitas nesta sexta-feira (3), porque, nas últimas horas, com o tempo fechado, segundo o capitão Oliveira, do Corpo de Bombeiros, além de muitas chuvas, as buscas foram prejudicadas.

Negligência e autoconfiança contribuem para acidente, disse o major Cláudio Falcão, porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC). Segundo ele, a corporação atendeu, só em 2019, 33 ocorrências de mortes por afogamento. O número é menor do que o registrado em 2018, quando 49 pessoas morreram afogadas.

“São números muito preocupantes”, disse Falcão. Das 33 mortes em 2019, 25 foram atendidas pelo batalhão de Rio Branco, que atende Bujari, Porto Acre, Senador Guiomard e Plácido de Castro. As outras 5 foram atendidas pelos bombeiros do interior do estado.

Os casos mais recentes de afogamentos foram do professor Gleisson Oliveira, de 33 anos, que sumiu no Rio Juruá no dia 9 de dezembro, quando tomava banho com duas meninas, que sobreviveram. Eles se banhavam nas proximidades da balsa que faz a travessia de Rodrigues Alves para Cruzeiro do Sul. Seu corpo não foi encontrado.

O menino Paulo desapareceu no Natal do ano passado/Foto: arquivo pessoal

O segundo caso mais recente foi do menino Paulo Henrique, de 6 anos, que caiu no Rio Acre na noite de Natal, quando brincava com o irmão às margens do rio, no bairro do Aeroporto Velho, em Rio Branco. Seu corpo também não foi localizado após uma semana de buscas.

O terceiro caso trágico de afogamento também envolveu uma criança. João Gabriel, de 6 anos, morreu afogado em um igarapé na sexta-feira (27), durante uma festa de confraternização da festa da Creche Municipal Vovô Aureliano, em Mâncio Lima, onde ele estudava. O corpo do menino foi levado ao IML da cidade após familiares e amigos tentarem socorrê-lo.

“As pessoas acham que não vão se afogar, então acabam entrando em locais que não conhecem, não fazem o dimensionamento do perigo e da profundidade do local. Muitas vezes aqueles que não sabem nadar, acabam entrando na água, tem também a ingestão de bebida alcoólica, os saltos impróprios quando vão se banhar no seu lazer. E, em crianças, a falta de vigilância, 80% das crianças se banham sem ter uma supervisão de adulto, então normalmente acontecem acidentes”, disse o major Cláudio Falcão.

As estatísticas mostram que os homens têm seis vezes mais chance de morrerem afogados do que as mulheres. “Em determinadas faixas etárias, passa para 19 vezes mais chance. Em questão de afogamentos que ocorrem em embarcações é por conta da falta de equipamentos de segurança, como colete salva-vidas e boias”, disse o major.

De acordo com o militar, em relação a crianças, o ideal é o colete e não as boias que geralmente estão no braço ou soltas do corpo. Falcão explica que há seis níveis de afogamento e os únicos que não deixam sequelas são o 1 e 2. Fora isso, a pessoa pode ter sequelas ou até morrer.

“A dica é não negligenciar a segurança. Saber onde estão indo, não se aventurar em rios ou represas que não conhece a profundidade, se ingerir bebida alcoólica evitar entrar na água, não pode deixar criança sozinha em represas, rios, piscina. Tem que ter bastante cuidado, porque 65% acontece em rios e represas e um pequeno percentual em piscinas. Precisam ter cuidado com isso, usar equipamentos de segurança e não se portar com essa autoconfiança”, orienta o militar ao defender uma campanha do Governo do Estado sobre o assunto.

A preocupação do pessoal do Corpo de Bombeiros aumenta nesta época do ano por causa das cheias de rios e igarapés. “As pessoas precisam ter consciência de que a água é surpreendente e não tem cabelo, como diziam nossos pais. É preciso ter precaução, principalmente neste período”, disse o militar.

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