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Urubus invadem ruas de Sena: “Eles estão em todos os lugares”, reclama moradora

Por TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Os espertalhões amazonenses que vinham capturando e abatendo urubus para serem vendidos como galinha caipiras nas ruas de Manaus, segundo detectou a polícia, deveriam conhecer o município de Sena Madureira, no Acre, a 144 quilômetros da Capital Rio Branco. O município está tomado pelos urubus, segundo revelam vídeos feitos por moradores.

Não há explicações científicas para o fenômeno. De acordo com os moradores, a infestação desses animais praticamente já toma conta de todo a cidade, na cobertura das casas, em sacadas e postes de iluminação pública. “Eles estão em todos os lugares”, disse uma moradora que fez imagens mostrando a quantidade dos animais numa área recém-inaugurada pela Prefeitura Municipal.

Moradores relatam que a população de urubus aumentou muito na zona urbana de Sena e que isso é possível perceber numa simples volta pela cidade. Moradores reclamam que já têm trabalho para afugentá-los, porque eles já estão se habituando com a convivência com humanos.

Os urubus adoram sacadas de casas e apartamentos/Foto: cedida

Os urubus têm má fama e o comportamento pode causar desconforto para proprietários de prédios residenciais, pois é uma ave de grande porte e tem o hábito de comer animais e frutas em decomposição. No entanto, este mesmo hábito que gera a má reputação do urubu é considerado por pesquisadores um importante trabalho de limpeza ambiental.

Em Sena Madureira, não foram registrados maiores incidentes envolvendo as aves – a não ser a péssima impressão causada na cidade pela infestação. O aumento da população urbana de urubus pode estar associada à oferta de alimento na cidade, com animais mortos e em decomposição ou ainda o acúmulo de lixo nas ruas. O desmatamento também é apontado nas áreas periféricas da cidade também é apontado como um fator que obriga a migração das aves.

Em Manaus, urubus são abatidos e vendidos como galinha caipira/Foto: rerpodução

Uma tese de doutoramento em Biologia/ Ecologia, apresentada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), estudou o ambiente frequentado por duas espécies de urubus em Manaus (AM), detectando que os Urubus-de-cabeça-preta (os mesmos que estavam sendo abatidos para consumo humano), a mesma espécie que infesta Sena Madureira, estavam associados a componentes que fornecem grande quantidade de alimento, tais como lixeiras e riachos (igarapés) poluídos. A seleção de locais para uso como dormitórios por urubus-de-cabeça-preta também foi diretamente influenciada pela proximidade de áreas onde há grande oferta de alimento.

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