O generoso coração do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Plácido de Castro Luiz Pereira parou de bater. Ele morreu, na madrugada desta segunda-feira (17), num dos leitos do Hospital Santa Juliana, em Rio Branco (AC), aos 70 anos de idade. Há anos ele lutava contra um câncer de pâncreas e, durante o tratamento, em São Paulo, no ano passado, em pleno hospital, sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e desde então vinha convalescendo.
Liberado pelos médicos para ser tratado em casa aos cuidados da família, nos últimos dias, teve que ser transferido para o hospital a fim de minorar seu sofrimento em função das dores. Ele estava semiconsciente. “Abria os olhos de vez em quando, falava com a gente, mas a gente percebia que sua consciência já não era plena”, diz Márcio Pereira, um de seus cinco filhos.

Luiz Pereira e esposa/Foto: Cedida
Economista, formado pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Luiz Pereira era funcionário aposentado da Prefeitura de Rio Branco, na qual exerceu várias funções, inclusive a Secretaria Municipal de Finanças, na gestão do prefeito Adauto Brito da Frota, também já falecido. Em 1982, foi eleito deputado estadual pelo PDS (ex-Arena), com 2.236 votos – uma verdadeira fortuna eleitoral na época.
Em 1985, ainda pelo PDS, disputou a prefeitura de Rio Branco, ficando em segundo lugar, perdendo para Adalberto Aragão, do MDB, também já falecido. Não conseguiu se reeleger para deputado estadual e, em 1989, disputou o mandato de prefeito de Plácido de Castro, município onde nasceu. Foi eleito e cumpriu o mandato até 1992. Em 1997, voltou a ser eleito prefeito de Plácido de Castro e cumpriu mandato até 2000. Foi ainda presidente da extinta Colonacre (Companhia de Colonização do Acre) e da FADES (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Econômico Social do Acre), durante o governo Orleir Cameli, de 1995 a 1999.
Casado há mais de 50 anos com Sirlei Paiva de Lima, deixa cinco filhos: Márcio Pereira, Ana Paula, Jorge Luiz, Luiz Pereira Júnior e Golbery Paiva.
O velório está acontecendo no hall da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). O sepultamento está marcado para 16h30, no cemitério Morada da Paz.
Era filho do casal de seringueiros nordestinos José Joaquim e Alzira Pereira, que, além da colheita da seringa e a fabricação de borracha, ganhava a vida fabricando lamparinas de alumínio, numa época em que energia elétrica no território acreano, mesmo nas vilas, povoados ou cidades, parecia coisa de ficção científica.
Luiz Pereira, ainda criança, se destacava pela dedicação aos estudos e era apontado como um dos homens mais inteligentes de seu tempo e, por conta disso, ganhou o apelido de “filósofo do Abunã”, dado pelo colunista político mais longevo da imprensa acreana, o jornalista Luís Carlos Moreira Jorge. “Luz era uma grande figura, um ser humano como poucos, afável, generoso e um político bem articulado”, contou o jornalista ao comentar os motivos que o levaram a apelidá-lo. “Não era só do Abunã. Ele era um filósofo do Rapirã e cercanias. Escrevi isso quando uma vez ele mudou de Partido, saindo do PDS para o MDB, e seus antigos correligionários foram para cima dele e ele, naquela sua calma peculiar, disse: meus filhos, a política é dinâmica. Para mim, isso era pura filosofia”, acrescentou Moreira Jorge.
Além de político militante, Luiz Pereira foi um exímio articulador e, pelo menos em Plácido de Castro, por sua generosidade, era chamado de “pai dos pobres”. Era alusão ao fato de, enquanto prefeito, ele ter doado mais de 400 casas em madeira para pessoas sem moradia em Plácio de Castro, além de ter doado 1028 terrenos para quem tinha como erguer a moradia. Entre os feitos administrativos de Pereira, consta que ele foi ainda o maior investidor na educação básica do município de Plácido de Castro, com a construção de escolas do ensino fundamental e educação infantil. Foi também o administrador que tentou fazer de Plácido de Castro um polo de turismo na região do Abunã, com a criação de um parque ecológico, além de buscar melhoria nos indicadores sociais da população de seu município.
