Acreanas ganham 12% a menos que homens que ocupam a mesma função

O Dia Internacional da Mulher, é comemorado neste domingo. Mas a pergunta é: há o que se comemorar? A ideia de uma celebração anual surgiu depois que o Partido Socialista da América organizou um Dia da Mulher, em 20 de fevereiro de 1909, em Nova York – uma jornada de manifestação pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino. E, atualmente, o dia continua sendo de luta.

O Acre ocupa o primeiro lugar num ranking nada comemorativo: segundo o portal G1, o estado tem a maior taxa de homicídios contra mulheres do país. Os dados levam em consideração os anos de 2018 e 2019. Além disso, quando se trata de remuneração, nós, mulheres, também somos violadas: ganhamos 12% a menos que os homens que ocupam a mesma função. Este percentual coloca o estado em 2º lugar na Amazônia, perdendo apenas para Rondônia, onde a defasagem entre o salário de homens e mulheres têm 20% de diferença.

Os dados sãoo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A pesquisa mostra ainda que 16,1% das acreanas estão desempregadas. Entre os homens, a taxa de desocupação é de 11,7%.

Em um cenário nacional, segundo o levantamento do Dieese, as mulheres gastaram 95% mais tempo do que os homens nos afazeres domésticos. Enquanto elas dedicaram em média 21h18 do seu tempo aos cuidados com a casa, os homens dedicaram apenas 10h54 minutos às mesmas obrigações.

A falta de creches é outro agravante das disparidades. Das mulheres que tinham filhos – até 3 anos – em creches, 67% conseguiam trabalho. Daquelas que não tinham nenhum filho em creche, somente 41% estavam trabalhando.

Desemprego e aposentadoria

Os dados também apontam que as mulheres sofrem mais com o desemprego. Enquanto a taxa de desocupação entre eles era de 9,2%, entre elas esse número chegou a 13,1%. Em relação aos responsáveis pelo domicílio, o desemprego afetava apenas 5,1% dos “pais de família”, enquanto as “mães de família” sem ocupação chegavam a 10,2%. A pesquisa mostra que 37% das mulheres desempregadas estavam há mais de um ano na busca por uma recolocação, enquanto 27% dos homens estavam na mesma situação.

Assédio

Um estudo realizado pela organização internacional de combate à pobreza ActionAid  no ano passado, mostrou que mais da metade, ou 53%, das brasileiras entre 14 e 21 anos, convivem diariamente com o medo de ser assediadas.

O medo diário do assédio afeta 41% das adolescentes entre 14 e 16 anos, aumentando para 56% na faixa etária entre 17 e 19 anos, e chegando a 61% entre as brasileiras entre 20 e 21 anos, o que sugere que a consciência sobre os riscos aos quais as mulheres ficam expostas aumenta com o passar do tempo.

O Brasil também liderou no nível de intolerância a vazamento de fotos íntimas de meninas na internet, com os mesmos 85%. Para 89% dos jovens entrevistados, beijos forçados são inaceitáveis, enquanto 86% consideram apalpadas inadmissíveis. Noventa por cento condenam a prática de tirar fotos por baixo de saias de meninas, também o melhor resultado na comparação entre os países, junto com o Reino Unido. Para todos os tipos de violência, as meninas apresentaram maior nível de conscientização do que os meninos no Brasil.

Veja as médias salariais de homens e mulheres nas dez carreiras com maior geração de postos de trabalho:  

Analista de negócios: homens ganham R$ 5.334 e mulheres, R$ 4.303

Analista de desenvolvimento de sistemas: homens ganham R$ 5.779 e mulheres, R$ 5.166

Analista de pesquisa de mercado: homens ganham R$ 4.191 e mulheres, R$ 3.624

Biomédicina: homens ganham R$ 2.761 e mulheres, R$ 2.505

Enfermagem: homens ganham R$ 3.417 e mulheres, R$ 3.288

Preparador físico: homens ganham R$ 1.426 e mulheres, R$ 1.326

Nutricionista: homens ganham R$ 2.781 e mulheres, R$ 2.714

Farmacêutico: homens ganham R$ 3.209 e mulheres, R$ 3.221

Fisioterapeuta geral: homens ganham R$ 2.400 e mulheres, R$ 2.422

Avaliador físico: homens ganham R$ 2.107 e mulheres, R$ 2.303

Com informações da Rede Brasil, Agência Brasil e ActionAid

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