ContilNet Notícias

Pastor da Secretaria de Direitos Humanos do AC pode ser investigado por homofobia

Por LEANDRO CHAVES, DO CONTILNET

Pastor da Secretaria de Direitos Humanos do AC pode ser investigado por homofobia

O pastor evangélico Nelson de Freitas Correia, conhecido como Nelson da Vitória, tem usado o seu perfil no Facebook para criar e compartilhar conteúdos considerados ofensivos à comunidade LGBT. Desde agosto do ano passado ele ocupa cargo em comissão na Secretaria de Assistência Social, dos Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres do Acre (SEASDHM), com uma CEC-6.

Um dos conteúdos compartilhados pelo cristão diz: “Se eu der um pau na cara da Thamy [Miranda] eu respondo pela lei Maria da Penha? Ou melhor agressão contra mulher”.

Outra mensagem postada pelo servidor público insinua, por meio de imagens de tomadas elétricas, que a homossexualidade não seria adequada e diz: “Não é fobia. É ciência”.

Também empresário no ramo de autoescola, Nelson é pré-candidato a vereador de Rio Branco. Em 2018 ele se candidatou a deputado estadual pelo Democratas e obteve mais de 2 mil votos.

Em nota, ele disse que expõe em seu Facebook opiniões pessoais, independente do vínculo empregatício. Afirmou ainda que no dia a dia trata todos com respeito, mas que não é obrigado a concordar com tudo.

Investigado

O ContilNet procurou o Ministério Público do Acre (MPAC) para saber se a conduta de Nelson pode ser enquadrada em algum crime. A coordenadora-geral do Centro de Atendimento à Vítima (CAV), Patrícia Rêgo, informou que oficializou à Promotoria Especializada de Defesa dos Direitos Humanos pedido de investigação de possível improbidade administrativa, por ele ocupar cargo público.

Além disso, a corregedoria da Polícia Civil recebeu do CAV/MPAC pedido de abertura de inquérito para apurar crime de racismo, que no Brasil passou a abarcar casos de LGBTfobia após equiparação decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A Secretaria de Direitos Humanos onde o pastor trabalha foi oficialmente comunicada do pedido de instauração de inquérito no âmbito cível e criminal e orientada a tomar providências.

O MPAC agiu após denúncia pelo aplicativo do CAV, disponível na plataforma playstore. A ferramenta é destinada a informações sobre violência sexual, doméstica, de gênero e LGBTfóbica.

“O CAV está bem atento a essas postagens racistas e o aplicativo existe para isso. Vamos continuar acompanhando os encaminhamentos e as providências adotadas. Não vamos tolerar crimes de ódio de forma alguma”, disse Patrícia Rêgo.

“Inadmissível”

Em entrevista a um site local, o presidente do Fórum de Ongs LGBT do Acre, Germano Marino, lamentou o teor das publicações do pastor, lembrando que Nelson atua em uma pasta que visa a promoção do direito para todas as pessoas.

“Mesmo sendo em uma rede social privada, é inadmissível que um gestor público incite a disseminação do ódio e da intolerância aos transexuais”, comenta.

Sair da versão mobile