Rio Branco, Acre,


Ponto K: a região polêmica no fundo da vagina que promete muito prazer

É importante lembrar que, durante a excitação erótica, acontece a ativação de alguns centros cerebrais

Quanto mais a sexualidade feminina é discutida e abordada com liberdade, leveza e informação, mais possibilidades de prazer se apresentam para as mulheres. Uma delas é a estimulação do suposto Ponto K, zona erógena próxima ao colo do útero que teria sido descoberta pela terapeuta sexual norte-americana Barbara Keesling em 1998. Autora de vários livros, como “Faça Amor A Noite Inteira!” e “A Cura pelo Sexo”, lançados no Brasil pela Editora Record, Barbara também se referiu à área como “passagem misteriosa”, por ter sido pouco explorada até sua divulgação.

O Ponto K, segundo Deva Geeta, terapeuta tântrica de São Paulo (SP), é o ponto da Kundalini, energia vital que todo ser humano carrega dentro de si nos preceitos da tradição hindu e que percorre o corpo como se fosse o movimento de uma serpente. “Para liberar essa energia é necessário que o parceiro faça uma massagem cuidadosa e lenta por todo o corpo, principalmente na pontinha da base da coluna, o cóccix. E, depois, concentrar uma atenção especial e demorada à vulva e à vagina”, conta.

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Como o Ponto K situa-se no fundo do canal vaginal e próximo ao cérvix, o ideal é o parceiro fazer uma espécie de gancho com um ou dois dedos, num movimento para cima e para a frente dele, como se estivesse chamando alguém. “Tudo deve ser feito com delicadeza e concentração. Caso contrário, o toque pode ser incômodo ou até doloroso. É absolutamente necessário que a mulher esteja excitada o suficiente e devidamente lubrificada”, diz Renata. Por ficar, em tese, próximo ao colo do útero, é mais difícil estimular o Ponto K sozinha. Uma ideia é usar sex toys com o formato da ponta levemente curvo.

A existência do Ponto K, no entanto, é permeada por dúvidas, críticas e controvérsias. Por falta de pesquisas e estudos comprobatórios, os médicos – ginecologistas, em sua maioria – se mostram reticentes em abordar o assunto. “A ginecologia não reconhece o ponto K. Não existe na literatura científica nenhuma publicação científica sobre isso. O órgão efetor do orgasmo na mulher é o clitóris”, afirma Lúcia Alves Lara, presidente da Comissão Nacional Especializada de Sexologia da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Segundo a ginecologista e obstetra Karina Tafner, embora os orgasmos clitorianos sejam mais comuns, algumas mulheres relatam que a estimulação profunda, dentro da vagina, pode levar a orgasmos mais intensos. “Há descrições, mas não consenso sobre sua existência, de alguns pontos erógenos vaginais com inúmeras terminações nervosas e sensíveis a estímulos e pressão”, diz, lembrando que, conforme algumas descrições, o Ponto K se assemelha ao chamado Ponto A – que também carece de comprovação pela ciência.

O mais conhecido e discutido é o Ponto G, identificado pelo ginecologista alemão Ernst Gräffenberg (1881-1957) em 1950 como uma área na parede anterior da vagina capaz de desencadear o orgasmo. Entretanto, suas possíveis propriedades “mágicas” também não são unanimidade entre os experts. “Isso porque o próprio Gräffenberg nunca deixou claro como descobriu esse ponto, que método usou na pesquisa e o que exatamente observou para fundamentar suas conclusões”, observa o médico sexologista José Carlos Riechelmann.

Sensibilidade plausível

Para Débora Padua, fisioterapeuta pélvica e sexóloga especializada no tratamento de vaginismo e dor na relação, de São Paulo (SP), é fundamental ter em mente que cada mulher é única e, portanto, vivencia o prazer de uma maneira particular. “Só o clitóris, por exemplo, tem cerca de 8 mil terminações nervosas. E como tem toda uma parte interna que não conseguimos ver, tem todo um potencial de prazer que se expande por toda a vagina. Acho que, mais do que a pressão para tentar identificar um ou outro ponto, o ideal é se dedicar à exploração pessoal de onde, exatamente, há satisfação”, fala. E, a partir daí, aproveitá-lo com o parceiro.

Já a sexóloga e terapeuta tântrica sistêmica Paula Manadevi, do Rio de Janeiro (RJ), pontua que para acessar novas áreas eróticas é preciso desconstruir a visão ocidental do sexo. “Nas práticas do Tantra, por exemplo, tudo é feito com conexão e respeito pelo par. Esse foco no momento do sexo facilita não só a localização do Ponto K, mas proporciona ainda um intenso prazer em conjunto. O foco não é o orgasmo, ele é a consequência. E o meio nem sempre é a penetração, em que o homem, em geral, age como uma britadeira desgovernada”, compara.

É importante lembrar que, durante a excitação erótica, acontece a ativação de alguns centros cerebrais que fazem com que o cérebro modifique a percepção da experiência sensorial dos órgãos sexuais e de sensações que, em situações comuns, não são tidas como erotizadas, como uma lambida na orelha ou uma mordida no pescoço. “Desse modo, uma bexiga cheia pode ser uma sensação interpretada como prazeirosa. Como a parede da bexiga está grudada com a parede anterior da vagina, é perfeitamente possível que qualquer ponto vaginal, quando estimulado, provoque um grau de reflexo na bexiga. O que seria interpretado como ‘vontade de urinar’ pelo cérebro não erotizado passa a ser interpretado como ‘gostoso’ pelo cérebro erotizado. Portanto, cada centímetro da parede anterior da vagina pode receber o nome de uma letra qualquer, pois toda essa parede, quando tocada, pode produzir sensações na bexiga e dar um reforço na sensação erótica total, facilitando, sim, o desencadeamento do orgasmo”, fala o sexologista José Carlos Riechelmann. Controvérsias à parte, sexo é uma importante ferramenta de autoconhecimento e procurar zonas diferentes de prazer pode ser uma experiência divertida e reveladora se ocorrer sem cobranças, comparações e expectativas.

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