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Família mobiliza web por remédio ‘mais caro do mundo’ para bebê com doença rara

Por G1

Família mobiliza web por remédio ‘mais caro do mundo’ para bebê com doença rara

Uma família de Campos do Jordão (SP) mobiliza a web para comprar o medicamento Zolgensma, conhecido como o mais caro do mundo, para o tratamento do pequeno Guilherme Martini, de um ano e dez meses.

Ele tem Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 1, doença considerada rara, e precisa do remédio.

O medicamento foi registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em agosto, mas ainda não está disponível no SUS.

No exterior, custa US$ 2,1 milhões (cerca de R$ 12 milhões) por paciente.

O Zolgensma é usado para tratar crianças de até 2 anos diagnosticadas com atrofia muscular espinhal (AME) tipo 1, a forma mais grave da doença e que geralmente causa a morte antes dessa idade.

Para conseguir a compra, a família de Guilherme Martini começou uma vaquinha online. Até esta sexta-feira (25), a campanha tinha arrecadado R$ 120 mil.

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Guilherme Martini com os pais Daniel e Samanta — Foto: G1

Doença rara

A esperança da família é que Guilherme Martini consiga frear o desenvolvimento da doença com o uso dessa medicação.

A AME é uma doença degenerativa que causa fraqueza e atrofia dos músculos, incluindo os músculos pulmonares.

O tipo 1 da doença, que é o caso de Guilherme, é considerado o mais grave.

“Estamos nessa luta para ele conseguir o remédio. Se Deus quiser, vamos conseguir”, disse a mãe de Guilherme, Samanta Martini.

“No começo do ano, não tinha (o remédio) no Brasil. Estava começando a ser inserido na Europa. Para iniciar uma campanha, tínhamos que ter um orçamento para ser algo sério.

Quando estávamos vendo o orçamento com o laboratório, veio a pandemia. Agora, as coisas começaram a normalizar.

Houve agora a liberação no Brasil, mas ainda não está disponível no SUS”, acrescentou.

A família é formada pelos pais Samanta e Daniel e pelos filhos Henrique, de três anos, e Guilherme, de um ano. A campanha tem sido feita nas redes sociais para conseguir apoio.

“Nós tínhamos que fazer algo, buscar uma forma de conseguir esse dinheiro. Como mãe, eu precisava buscar uma solução. Fizemos a campanha e estamos na expectativa. Acreditamos muito na força da comunicação e esperamos atingir essa meta”, afirmou Samanta.

O caso

Guilherme Martini foi diagnosticado com a Atrofia Muscular Espinhal com quatro meses de vida.

De acordo com a neurologista infantil Dra. Lívia Meireles, ele nasceu assintomático e, até os dois meses de vida, não apresentou indícios de ter a doença.

Após dois meses, ele começou a perder a movimentação dos membros inferiores, os membros superiores foram prejudicados parcialmente e piorou o sustento da cabeça.

Guilherme Martini e a mãe, Samanta Martini — Foto: G1

Aos cinco meses, Guilherme deu início ao tratamento com o medicamento Nusinersen, que é aplicado a cada quatro meses. Esse remédio também caro e é custeado pelo Governo de São Paulo.

“Com essa medicação, conseguimos modificar um pouco a história natural da doença. Conseguimos aumentar a produção da proteína defeituosa. Com isso, ele vem conseguindo progredir no desenvolvimento. Hoje, ele consegue sustentar o pescoço, consegue sentar sem apoio, consegue movimentar melhor os membros, consegue pegar objetos…”, contou a Dra. Lívia Meireles.

A neurologista explica que o remédio Zolgensma, é esperado uma melhora acentuada no quadro de Guilherme.

Com o aumento da produção da proteína necessária para evitar o desenvolvimento da doença, ele não deve ter novas perdas.

“Não é possível a cura desta doença, porque as células que já degeneraram, não estão conseguindo produzir proteína de maneira adequada. Não conseguimos reverter esse sintomas. Mas o que conseguimos é aumentar a produção de proteína através da medicação e fazer com que a criança não tenha novas perdas. O grande detalhe do Zolgensma é que, quanto mais precoce a aplicação, melhores o resultado final na criança, porque tivemos menos tempo de ter a degeneração”, destacou a neurologista.

“Caso ele não consiga receber o medicamento, provavelmente a sua evolução será mais lenta. Então, ele vai evoluir, como ele tem evoluído, mas lentamente. E a gente consegue explorar pelo Nusinersen, só o gene SMN2. Através da terapia com o Zolgensma, também explora o SMN1. Consegue de maneira mais eficaz a produção da proteína funcional”, acrescentou.

Vaquinha

Para colaborar com a vaquinha, clique aqui para acessar. Existe também a opção de colaborar por meio de transferência bancaria. As contas são:

Guilherme de Moura Martini Silva
CPF: 560.617.458-85

Itaú
Agência: 1422
Conta poupança: 33632-9 (variação 500)
Santander
Agência: 3087
Conta poupança: 60011655-0
Bradesco
Agência: 1549
Conta poupança: 1003539-2

(Foto de capa: G1)

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