Rio Branco, Acre,


Carlos Santos, o jogador acreano profissional que virou árbitro de futebol

Pouco habilidoso com a bola nos pés, ele escolheu a posição de goleiro já no seu primeiro time, o São Francisco, aos 15 anos, em 1991

Não seria exagero dizer que o futebol corre nas veias do cidadão Carlos dos Santos de Almeida. É que desde a sua infância, nos bairros periféricos de Rio Branco, ele esteve envolvido com o referido esporte. Primeiro como atleta, nas divisões de base, depois como profissional e, em seguida, como árbitro, tanto na modalidade campo quanto na área do futsal.

Pouco habilidoso com a bola nos pés, ele escolheu a posição de goleiro já no seu primeiro time, o São Francisco, aos 15 anos, em 1991 (ele nasceu no dia 8 de agosto de 1976). “A minha iniciação como goleiro se deu pelas mãos do saudoso desportista Vicente Barata. Foi ele que me recebeu no São Francisco e me proporcionou os primeiros ensinamentos”, disse Carlinhos.

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Alguns anos depois, Carlinhos (era esse o seu nome de futebolista) foi levado pelo técnico Aníbal Honorato para os juniores do Independência. O mesmo técnico que o indicou para disputar o Campeonato Brasileiro da Série C de 1995 pelo Andirá. E embora o time “morcegueiro” não tenha avançado na competição, Carlinhos considera que foi uma experiência enriquecedora.

Em seguida, Carlinhos vestiu outras três camisas como goleiro profissional: Independência (1996), Vasco da Gama (1997 e 1998) e Atlético Acreano (1999). Paralelamente, além de jogar campeonatos suburbanos pelo SNFC e São Francisco do Panorama, ele começou a se iniciar na atividade da arbitragem, mais uma vez incentivado pelo amigo Aníbal Honorato.

 

Andirá – 1995. Em pé, da esquerda para a direita: Juscelâneo, Cacique, Assis, Francisco, Marco Aurélio e Carlinhos. Agachados: Roque, Kennedy, Nadson, Aclaildo e Jairo. Foto/Acervo Manoel Façanha.
Vasco da Gama – 1998. Em pé, da esquerda para a direita: Ben Johnson, Elisson, Chicão, Carlinhos e Carlos Magno. Agachados: Michel, Juscelâneo, Nadson, Ricardinho, Mamude e Merica. Foto/Acervo Chicão Araújo.
Atlético Acreano – 1999. Em pé, da esquerda para a direita: Vanilson, Jean, Emerson, Marcelão, Marinho, Máximo e Carlinhos Santos. Agachados: Merica, Marcelinho, Maguila, Jânio, João Paulo, Biroca e Carlinhos. Foto/Acervo Francisco Dandão.

 

Curso de arbitragem e ingresso na Federação

“Quem percebeu que eu tinha o perfil para ser árbitro foi o Aníbal Honorato. E daí, então, um belo dia do ano de 1997 eu me vi trabalhando nos campeonatos da colônia Panorama. Eu apitava só por intuição mesmo. Mas gostei da coisa e quando chegou o ano 2000, eu me matriculei e frequentei um curso de arbitragem promovido pela Federação”, explicou Carlos Santos.

O árbitro Carlos Santos (centro) com os assistentes Mário Jorge e Charles antônio durante Torneio Início de 2005. Foto/Manoel Façanha.

Em 2002, finalmente veio o convite do diretor do Departamento de Arbitragem da Federação de Futebol do Acre, Josemir Raulino, para Carlos Santos ingressar na mentora. Inicialmente, apitando no campeonato de juniores. A estreia na divisão principal do campeonato acreano veio um ano depois, quando ele foi eleito pela imprensa como o árbitro revelação do ano.

Desta data até 2019, quando resolveu se afastar dos campeonatos profissionais, por razões de cunho particular, Carlos Santos apitou centenas de jogos e viveu muitas emoções. Chegou, inclusive, a fazer parte do quadro de árbitros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), nos anos de 2005 e 2006, oportunidade em que trabalhou em vários jogos fora do Estado.

 

Na temporada 2003, o assistentes Carlos Augusto, o árbitro Carlos Santos e o assistente Sandro Vasconcelos.  Foto/Manoel Façanha.
Na temporada 2010, no estádio Naborzão, Justino Aprígio, Carlos Santos e Adriano Formiga. Foto/Manoel Façanha.

 

“Eu tive que pedir afastamento do quadro de árbitros da Federação porque ficou difícil conciliar a rotina do esporte, que exige muita dedicação, com a vida de empresário do setor de óticas. Pretendo ampliar os negócios e isso me exige muito foco e determinação. Mas ainda apito jogos de campeonatos amadores e de competições de futsal”, afirmou Carlos Santos.

O árbitro Carlos Santos em ação durante a temporada de 2011. Foto/Manoel Façanha.

Espelhos profissionais e estilo de arbitragem

Carlos Santos observa de perto a disputa de bola entre jogadoras de Assermurb e Joia de Cristo, pelo Campeonato Acreano Feminino de 2018. Foto/Francisco Dandão.

Quatro profissionais da arbitragem serviram de modelo para Carlos Santos no início da sua carreira: Francisco Antônio Sales, Marcos Barros Café, Antônio Neuricláudio e Carlos Ronne. “Todos esses árbitros, que me precederam na Federação, serviram de espelho para que eu aprimorasse o meu estilo. Foi um prazer tê-los como parceiros”, garantiu o ex-árbitro.

Quanto aos auxiliares que ele mais gostava de trabalhar, Carlos Santos citou João Gomes Jácome, Rener Santos de Carvalho, Civaldo Neri Viana e Gilsomar Lopes da Silva. “Eu e esses auxiliares que eu citei nos entendíamos muito bem. Eu diria mesmo que a gente sempre conduzia os jogos da melhor maneira possível e contornávamos bem todos os problemas”, disse Carlos.

A propósito de problemas, o ex-árbitro salientou que foram poucos durante o seu tempo no apito. De acordo com ele, que era durão no início da carreira, mas depois adotou um perfil conciliador, tanto dirigentes quanto jogadores respeitavam bem as suas decisões. Na lembrança dele, só teve uma vez que um jogador do Juventus tentou agredi-lo. Mas ficou na tentativa.

Para concluir, Carlos Santos fez questão de deixar evidentes duas opiniões. Primeira, que a arbitragem acreana só poderá crescer se tiver mais oportunidades, principalmente de dirigir jogos fora do Estado. E segunda, que os novos aspirantes a árbitro devem, além de procurar o sindicato da categoria, para se qualificar, ter perseverança para galgar degraus mais altos.

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