Rio Branco, Acre,


Polarização deve marcar a campanha dos candidatos à prefeitura do Rio

Corrida eleitoral começa neste domingo em meio à pandemia; Do bolsonarismo à esquerda, a principal característica da disputa é a falta de unidade

Numa corrida eleitoral atípica, que começa neste domingo em meio à pandemia, nomes conhecidos do carioca estão no páreo. O atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos), tentará a reeleição após uma gestão questionável. Entre os adversários, há um ex-prefeito, deputados estaduais e federais e até um ex-presidente do Flamengo, que acredita que o sucesso do clube pode lhe render dividendos eleitorais. Do bolsonarismo à esquerda, a principal característica da disputa é a falta de unidade. [Foto de capa: Arquivo/Agência O Globo]

Crivella aposta em Linha Amarela e Bolsonaro

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Candidato à reeleição, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, inicia a corrida eleitoral baseado num tripé: o bolsonarismo, a polarização com Eduardo Paes (DEM) e a Linha Amarela. Condenado a oito anos de inelegibilidade pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), o prefeito levará para a campanha parte de sua defesa jurídica, que envolve um pedido de suspeição do desembargador eleitoral Gustavo Alves Teixeira por sua atuação como advogado da Lamsa, concessionária da Linha Amarela.

A Lamsa vive uma batalha com a prefeitura nos tribunais envolvendo a administração da via. A expectativa de aliados é usar o caso como munição contra Paes, cuja gestão assinou o último aditivo com a concessionária, levando o contrato até 2037.

Por unanimidade, os desembargadores do TRE consideraram que não havia impedimento de Teixeira. Ele afirmou que não se declarou impedido porque “não havia inclinação para qualquer um dos lados”.

Outro desgaste a ser enfrentado por Crivella é a investigação pelo Ministério Público de um suposto esquema de corrupção na prefeitura. Ele chegou a ter o celular apreendido.

Ao mesmo tempo em que busca polarizar com Paes, Crivella também vem sendo orientado a esvaziar outras candidaturas de direita. A avaliação é que um possível segundo turno com Luiz Lima (PSL) seria mais duro.

“Se esses dois (Paes e Crivella) resolverem se digladiar violentamente, podem abrir espaço para alguém que venha comendo pelas beiradas”, afirmou um interlocutor com trânsito entre os candidatos.

Após atrair o vereador Carlos Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro para seu partido, Crivella alimenta a esperança da participação do presidente Jair Bolsonaro em sua campanha. Contudo, o presidente já sinalizou que não deve se posicionar, pelo menos no primeiro turno.

Paes vai destacar sua experiência na cidade

Em sua tentativa de retorno à prefeitura, Paes decidiu investir no discurso de experiência na gestão pública. No contato com eleitores, ele afirma que a cidade passa por uma situação delicada, agravada pela pandemia, e que não seria a hora de testar ‘novidades’. Nas conversas, o ex-prefeito evita citar o nome de Crivella ou de Wilson Witzel (PSC), que o derrotou há dois anos. Contudo, o objetivo é neutralizar adversários que se apresentem como a renovação na política.

A imagem que pretende passar aos eleitores se reflete também em sua agenda oficial. Paes tenta reforçar sua presença nas comunidades. Hoje, às 11h, ele se reúne com líderes comunitários do Complexo do Alemão para o que chama de ‘Carta Compromisso com as favelas’.

“A ideia é reforçar entre esses eleitores que, quando ele era prefeito, garantiu empregos e serviços na comunidade”, diz um aliado.

Outro alvo de Paes serão os problemas na saúde. Há duas semanas, ele se reuniu com profissionais e pacientes na Zona Oeste do Rio, quando recebeu dados sobre atendimentos nas unidades da região. Por outro lado, o ex-prefeito terá que responder às provocações de seus adversários sobre o apoio a Sérgio Cabral e o esquema de desvio de recursos comandado pelo seu ex-secretário Alexandre Pinto.

Luiz Lima, o bolsonarista sem Bolsonaro

Eleito deputado federal em 2018 na onda Bolsonaro, o candidato do PSL aposta no eleitor bolsonarista e de bairros periféricos. Mesmo sem o endosso oficial e sem poder utilizar o nome ou fotos do presidente, Lima recebeu o apoio de aliados importantes, como a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e o secretário de Cultura, Mário Frias. O lema de seu programa de governo, “A cidade do Rio de Janeiro acima de tudo, Deus acima de todos” faz referência ao slogan de Bolsonaro em 2018.

A campanha do deputado deve focar na segurança pública. Para o posto de vice, foi escolhido o delegado Fernando Veloso, que se filiou ao PSD em março deste ano. Outro foco da campanha são os 26 bairros cortados pela Avenida Brasil. Ele começará sua campanha, inclusive, no calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste.

Esquerda chega dividida

A esquerda no Rio até ensaiou uma união, mas chega dividida à eleição. Benedita da Silva será candidata pelo PT, aos 78 anos, após quase ter sido vice de Marcelo Freixo (PSOL), que desistiu da disputa. Benedita, que é deputada federal, terá como prioridade da agenda as lutas sociais, das mulheres e dos negros. Como a candidata é integrante do grupo de risco do coronavírus, sua agenda será principalmente digital, com encontros físicos pontuais. Vídeos gravados pelo ex-presidente Lula também serão utilizados ao longo da campanha.

Já Martha Rocha (PDT) e Eduardo Bandeira de Mello (Rede) por pouco não fizeram uma dobradinha, mas vão caminhar separados na disputa. Martha, ex-chefe de Polícia Civil no governo Sérgio Cabral e deputada estadual, pretende usar sua experiência à frente das delegacias que comandou na cidade para mostrar que conhece os problemas do Rio. Sobre a relação com o ex-chefe, a avaliação no seu entorno é que sua nomeação foi técnica, com bons resultados, e sem interferência de Cabral. Preocupada com a Covid-19, a candidata também vai priorizar encontros virtuais.

Bandeira de Mello, por sua vez, aposta suas fichas na popularidade construída ao longo dos anos em que comandou o Flamengo. Com uma gestão bem avaliada no clube, sua expectativa é passar para o eleitor a ideia de que teria o mesmo sucesso à frente da prefeitura. Seus aliados não acreditam que o incêndio no Ninho do Urubu, que deixou dez jovens mortos, manchará essa imagem e acreditam que, caso o tema surja na campanha, será uma oportunidade do candidato se defender.

Também concorrem à prefeitura: Clarissa Garotinho (PROS), Fred Luz (Novo), Renata Souza (PSOL), Paulo Messina (MDB), Glória Heloíza (PSC), Suêd Haidar (PMB) e Cyro Garcia (PSTU).

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