Rio Branco, Acre,


Caso de padrasto que decapitou bebê choca vizinhos: “Família harmônica”

Menina de 1 ano e 3 meses foi morta pelo padrasto em Pindamonhangaba. Antes de confessar, ele disse que a enteada tinha sido sequestrada

As ruínas da pequena casa incendiada em um bairro humilde de Pindamonhangaba (SP) já se tornaram símbolo da tragédia que chocou a cidade esta semana: o homicídio da pequena Maria Clara, de 1 ano e 3 meses, pelo padrasto, Diogo da Silva Leite, que ainda decapitou a cabeça da vítima e depois foi à polícia denunciar o sequestro da menina.

Quem passa em frente ao imóvel no bairro de Araretama não fica indiferente. Os vizinhos xingam, se benzem, lamentam, cospem em direção ao local e se sentem enganados pelo homem, que viam como um bom padrasto para Maria Clara e seus irmãos mais velhos, de 4 e 6 anos, que também eram filhos de outro casamento da mãe.

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“Eles se sentavam toda tarde na frente dessa árvore, eram uma família harmônica, ficavam conversando e brincando com as crianças”, conta uma senhora que mora a duas casas de distância. “Ele brincava muito com a menina, andava com ela de bicicleta, ela gostava dele, era claro que gostava. Dói muito pensar no que ele fez.”

“Preso é pouco pra esse desgraçado, tem que morrer”, afirma outro vizinho, que se identificou apenas como Paulo e disse que se considerava amigo de Diogo, preso desde quarta (14/10). “Ele não usava droga, só tomava uma [bebida alcoólica]. Não tem nem desculpa de dizer que tava noiado [drogado]. É maldade que tem nele”, completa o homem, com verdadeira raiva no olhar. “Um cara que a gente convivia…”, começou ele, sem conseguir completar o raciocínio.

O crime e a tentativa de escondê-lo

Maria Clara foi morta na terça (13/10) em uma trilha perto da estrada vicinal que liga Pindamonhangaba a Taubaté. Diogo saiu com ela pela manhã e deu queixa à noite, dizendo que a menina havia sido sequestrada no centro da cidade.

Câmeras de segurança e testemunhas desmontaram a versão, e o suspeito acabou confessando o crime no dia seguinte, sem revelar motivação.

Quando o desfecho do caso se tornou público, moradores do bairro incendiaram a casa da família em protesto.

Vista por vizinhos como possível cúmplice, a mãe de Maria Clara – que está grávida de 8 meses do agressor – está na casa de parentes em outra região da cidade.

As crianças estão com a família do pai biológico, Steven Roger Galvão, que já deu entrada nos trâmites para ficar com a guarda definitiva dos filhos.

Ruínas

Da residência, em um projeto habitacional municipal, sobraram quase que só as paredes. Móveis e eletrodomésticos foram furtados ou destruídos. Pertences da família, incluindo alguns brinquedos, ficaram jogados.

“A gente lamenta que o pouco que essas crianças tinham acabou se perdendo”, lamenta outra vizinha, que teve medo de o fogo se espalhar pela quadra.

“Ainda bem que os bombeiros vieram. Eu entendo a raiva, mas mais violência não era a solução”, afirmou ao Metrópoles na tarde desta sexta (16/10). Apesar de carente, a comunidade está doando roupas e mantimentos em grande quantidade para a família paterna.

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