A Coreia do Norte exibiu mísseis balísticos intercontinentais nunca vistos em um desfile militar sem precedentes neste sábado (10), que exibiu esses armamentos pela primeira vez em dois anos.
Analistas disseram que o míssil, que foi mostrado em um veículo transportador com 11 eixos, seria um dos maiores mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs, na sigla em inglês) móveis rodoviários do mundo, caso seja operacional. Também foi exibido o Hwasong-15, que é o míssil de maior alcance já testado pela Coreia do Norte, e o que parecia ser um novo míssil balístico lançado por submarino (SLBM, na sigla em inglês).
Antes do desfile, que foi realizado para marcar o 75º aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, única sigla no país, autoridades na Coreia do Sul e nos Estados Unidos disseram que Kim Jong Un poderia usar o evento para revelar uma nova “arma estratégica”, conforme prometido anteriormente.
O desfile apresentou mísseis balísticos da Coreia do Norte pela primeira vez desde que Kim começou a se reunir com líderes internacionais, incluindo os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Coreia do Sul, Moon Jae-in, em 2018.
— Continuaremos a construir nosso poder de defesa nacional e dissuasão de guerra autodefensiva — disse Kim, que prometeu que o poder militar do país não será usado preventivamente.
Ele não fez nenhuma menção direta aos Estados Unidos ou às negociações de desnuclearização agora paralisadas. A paralisação ocorre porque os EUA se negaram a promover uma flexibilização gradual das sanções, à medida que Pyongyang limitasse partes do seu programa nuclear militar.
A agência de notícias estatal KCNA disse que a segurança da Coreia do Norte depende das “enormes forças nucleares estratégicas” mostradas no desfile.
Kim culpou sanções internacionais, tufões e o coronavírus por impedi-lo de cumprir as promessas de progresso econômico.
— Estou envergonhado por nunca ter sido capaz de retribuir adequadamente sua enorme confiança — disse ele à muiltidão. — Meus esforços e devoção não foram suficientes para tirar nosso povo de dificuldades.
O vídeo mostrou Kim fazendo uma aparição quando um relógio bateu meia-noite. Vestido com um terno cinza e gravata, ele acenou para a multidão e aceitou flores das crianças. O ditador apareceu cercado por oficiais militares na recentemente renovada Praça Kim Il Sung, em Pyongyang.
O desfile foi coreografado, com milhares de soldados marchando em formação, exibições de novos equipamentos militares convencionais, incluindo tanques, e jatos de combate lançando sinalizadores e fogos de artifício.
Chad O’Carroll, CEO do Korea Risk Group, que monitora a Coreia do Norte, disse que mais equipamentos militares novos foram exibidos neste evento do que em quase todos os desfiles anteriores.
Coronavírus
Parecendo emocionado, Kim agradeceu aos militares por trabalharem duro para responder a uma série de destruidores tufões ocorridos no verão do hemisfério norte e por prevenir a pandemia do novo coronavírus no país isolado.
Kim disse esperar que as Coreias do Norte e do Sul se juntem novamente quando a crise global acabar. Ele disse estar grato por nenhum norte-coreano ter testado positivo para a doença, uma afirmação que a Coreia do Sul e os Estados Unidos já questionaram.
Embora os participantes de outros eventos comemorativos no país tenham sido mostrados usando máscaras, ninguém no desfile parecia usá-las.
No início do dia, o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul disse que as autoridades de inteligência do país e dos EUA estavam monitorando de perto os acontecimentos.
Autoridades sul-coreanas disseram nesta semana que Kim poderia usar o evento como uma demonstração de poder de “baixa intensidade” antes das eleições presidenciais dos EUA em 3 de novembro.
Diplomatas estrangeiros em Pyongyang costumavam ser convidados para observar as celebrações anteriores. Mas a embaixada russa disse nas redes sociais que todas as missões diplomáticas foram aconselhadas neste ano a “abster-se tanto quanto possível” de viajar pela cidade, aproximar-se do local do evento e tirar fotos e vídeos.
Em uma mensagem de parabéns a Kim pelo aniversário do partido único, o presidente chinês, Xi Jinping, disse que pretendia “defender, consolidar e desenvolver” laços com a Coreia do Norte. [Foto de capa: Agência AFP]