Um vĂdeo em que um homem agride uma mulher com vĂĄrios socos no rosto gerou repercussĂŁo nas redes esta semana. AlĂ©m das cenas fortes, ocorridas em IlhĂ©us (BA), chocou o fato de que contra o acusado jĂĄ existiam onze boletins de ocorrĂȘncia, incluindo um da prĂłpria mĂŁe, e dois processos por violĂȘncia domĂ©stica. Ainda assim, Carlos Samuel Freitas Costa Filho seguia livre.
O MinistĂ©rio PĂșblico pediu a prisĂŁo preventiva de Costa Filho, na noite de quinta-feira (15) apĂłs ele prestar depoimento. O MP alegou ânecessidade de resguardar a ordem pĂșblica, considerando-se a gravidade concreta da conduta (exacerbada violĂȘncia empregada no modo de execução) e a condição de reincidente do autor do fatoâ. As agressĂ”es registradas no vĂdeo aconteceram hĂĄ quatro meses. Ele estĂĄ foragido.
Em 2015, o MinistĂ©rio PĂșblico ajuizou uma ação penal contra Costa Filho por conta da prĂĄtica dos crimes de violĂȘncia domĂ©stica, ameaça e cĂĄrcere privado. Ele foi condenado, a defesa apelou e o Tribunal de Justiça, em agosto, manteve a condenação por cĂĄrcere privado, mas os outros crimes tinham prescrito. Em 2016, outro processo, por ameaça e violĂȘncia domĂ©stica contra uma parente prĂłxima. Costa Filho acabou sendo absolvido por falta de provas.
Embora 11 denĂșncias tenham sido feitas contra ele, o Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher e População LGBT (Gedem) do MinistĂ©rio PĂșblico da Bahia declarou, ao G1, ter recebido apenas dois inquĂ©ritos.
Para a assessora jurĂdica e autora do livro âFeminicĂdio: Tipificação, Poder e Discursoâ, Renata Bravo, a sensação de impunidade Ă© âgritanteâ, mas o problema nĂŁo sĂŁo as leis, porque a legislação Maria da Penha Ă© completa, e sim âfalha humanaâ na aplicação delas.
â Se foi agressĂŁo Ă mulher, ela nĂŁo precisa representar. Automaticamente deveria ser encaminhada ao MP. Houve falha na delegacia ao nĂŁo ter encaminhado ou do prĂłrpio MP caso tenha entendido que nĂŁo houve crime â afirma.
Na gravação, ao perceber que estava sendo filmado, Costa Filho confrontou as mulheres que o filmavam de uma casa e, depois, agrediu a mulher.
â Mesmo sendo filmado, ele afronta quem filma e se sente impune. O sistema passa uma mensagem que nada vai acontecer porque infelizmente nosso sistema de polĂcia e justiça Ă© patriarcal. O sentimento que a população tem, em especial nĂłs mulheres, Ă© de que se jĂĄ agrediu duas, nĂŁo deveria estar livre para agredir a terceira. [Foto de capa: Reprodução]


