Rio Branco, Acre,


Bolsonaro diz que vai tentar federalizar Fernando de Noronha, em Pernambuco

Presidente disse que quer transformar o arquipélago em um 'polo turístico'

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (5) que vai tentar federalizar Fernando de Noronha, que faz parte do estado de Pernambuco, ao criticar medidas de proteção ambiental válidas no arquipélago.

Ao lado do secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior, em transmissão ao vivo pela internet, ele defendeu a liberação da pesca de sardinha na ilha, autorizada na semana passada. A decisão foi criticada por cientistas, ambientalistas e pela secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco.

Seif ironizou opositores que teriam dito, em redes sociais, que faltaria comida para tubarões e disse que os animais não vão passar fome em Noronha. Bolsonaro, então, contou ter visto um comentário de que “vão acabar com os corais em Fernando de Noronha com rede” e brincou que os aparelhos teriam que ser de aço.

O secretário apontou que a pesca dos peixes ocorre com tarrafa — rede arremessada com as mãos — e que haverá apenas 30 barcos para pegar sardinhas.

— Em Fernando de Noronha, 30 barcos? E a sardinha tinha que vir do continente pra lá? Não pode pescar? — questionou o presidente, ao que Seif respondeu dizendo se tratar de um absurdo. — Você mora numa ilha e tem que importar peixe. É o fim da picada. Isso é aqueles ambientalistas xiitas… — complementou Bolsonaro.

O presidente afirmou ainda que, se não se engana, havia 40 servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ambiental do governo brasileiro, em Noronha, e que pediu ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles “para dar uma remanejada”.

— Que eu sei que precisa, tudo bem, mas 40 em Fernando de Noronha é um número um pouquinho grande, né? Mas tudo bem — comentou.

Seif disse em seguida que ninguém vai enlatar sardinha em Fernando de Noronha e que apenas pescadores nativos e tradicionais da ilha podem pegar os peixes, em uma média de 10 kg por embarcação por dia, em alto mar.

— Imaginem vocês Fernando de Noronha, que deveria ser autossustentável em peixe, traz peixe do continente para abastecer as famílias e os restaurantes. É absurdo. Ninguém vai, com barco industrial, invadir Noronha e acabar com tudo, como falaram. E outra coisa: chegaram a gravar depoimento que ia faltar comida pro tubarão. É o maior absurdo — declarou o secretário de Pesca, arrancando risadas do presidente.

Ele ainda criticou “um secretário do Meio Ambiente aí”, que, segundo Bolsonaro, foi colocado no cargo “na peixada” e “não manja nada de peixe”, sem citar o nome do seu alvo. Ele se referia ao secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Antônio Bertotti Júnior, que se manifestou contra a liberação, feita durante o defeso da sardinha, quando a pesca é proibida por causa do período de reprodução dos peixes.

— Olha, se botar uma baleia e um camarão do lado dele ele vai se confundir o que é que é o quê. Então é o seguinte, falou: “ai, a sardinha está no defeso”. Querido, pelo amor de Deus, pelo amor de Deus, a única espécie de sardinha controlada no Brasil é Sardinella brasiliensis. Leia um pouco mais e não vá contra os pescadores que eles precisam trabalhar. Tem gente que não gosta de trabalhar, mas os pescadores de Noronha querem e agora podem trabalhar — afirmou Seif.

Federalização

Após as críticas, Bolsonaro parabenizou o seu secretário, e contou que sugeriu “a gente federalizar Fernando de Noronha”.

— Porque parece que virou ali uma ilha de amigos… não quero falar o nome aqui para não ter problema… mas de amigos do rei, e o rei não sou eu — declarou.

Em seguida, o presidente disse ser um absurdo “inacreditável” ir a uma praia em Fernando de Noronha e pagar R$ 100. E comentou que havia um gerador de energia eólica no arquipélago que parou de funcionar depois de um passarinho aparecer morto “um tempo atrás”.

— Agora é com diesel. O pessoal fala tanto em meio ambiente, né? — disse. — Inclusive lá agora tem a geração de energia, a termoelétrica, os caras vão lá na termoelétrica, movida a óleo, né, e carregam o carro de energia elétrica, a bateria do carro, para andar na ilha. Sem comentários, pô. É muito menos poluente você andar com o carro diretamente movido a diesel ou gasolina do que você ir na termoelétrica recarregar a bateria do teu carro. Então são esses absurdos que a gente tem que mudar — acrescentou.

E reforçou a intenção de tomar o controle da ilha, administrada por um indicado do governador de Pernambuco.

O antigo Território Federal de Fernando de Noronha foi extinto pela Constituição de 1988.

— Agora vamos tentar, se for possível, né?, a gente federalizar Fernando de Noronha, acabar com essa questões. Fazer realmente um polo turístico. Ouvi dizer que há um tempão não pode parar navio lá…

Jorge Seif disse que o arquipélago “não é a Cuba brasileira” e pertence aos brasileiros. Por isso, segundo ele, a população do país tem que conhecer a ilha, mas “com estrutura”.

— Poderia ser um local aí de arranjar recursos para o Brasil vindos de fora, do turismo, dar uma condição de vida melhor para a população, tá certo? Então é muita coisa errada no Brasil que a gente vai arrumando devagar, vai buscando solução para isso. Não pode aquela ilha ter dono, ter dono. Tá certo? — concluiu Bolsonaro. [Capa: Marcelo Balbio/Agência O Globo]

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