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25 junho, 2021 6:13 am

Guedes sobre presidente do BC: ‘Se ele tiver um plano melhor, peça a ele qual o plano dele’

POR O GLOBO

O ministro da Economia, Paulo Guedes, rebateu, nesta quarta-feira (25), críticas de que o governo não tem um plano para sair da crise causada pela pandemia de covid-19. Sobrou até mesmo para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Mais cedo, Campos Neto disse que o Brasil precisa de plano que indique preocupação com trajetória da dívida.

— O presidente Campos Neto sabe qual é o plano. Se ele tiver um plano melhor, peça ele qual o plano dele. Pergunta ele qual o plano dele para recuperar a credibilidade. O plano nós já sabemos qual é, nós já temos. Você acha que nós queremos privatizar ou estatizar empresa? Abrir economia ou fechar economia? Qualquer pessoa sabe qual o nosso plano. Agora, quem tiver sentindo falta de um plano econômico quinquenal, dá um pulinho ali na Venezuela, na Argentina. Ali está cheio de plano. O nosso plano é transformar a economia brasileira numa economia de mercado — disse o ministro.

Guedes listou uma série de medidas já tomadas por sua gestão e disse haver “falsas narrativas” contra ele. O ministro também rechaçou estar “desacreditado” e afirmou que o desempenho da Bolsa de Valores confirma essa percepção.

— A Bolsa sobe todo dia e o ministro está sem credibilidade? Eu sempre aprendi que é o contrário. A economia está acelerada, a geração de empregos está acelerada, a Bolsa sobe todo dia. E os mesmos perdedores da eleição de sempre insistem na mesma narrativa desde o primeiro dia do governo — disse Guedes, após comemorar a aprovação da nova Lei de Falências pelo Senado. — No dia que a Bolsa estiver caindo 50% e o dólar explodindo, aí vocês vão dizer “é, falta credibilidade”.

O ministro citou o acordo comercial com União Europeia (que ainda precisa ser confirmado pelos parlamentos), leilões de petróleo, o envio do Pacto Federativo e da reforma administrativa ao Congresso, além da aprovação da reforma da Previdência e de marcos legais como prova de que as medidas estão avançando.

— Não peço elogios. Mas vocês deviam estar observando os fatos empíricos. Não se falou tanto em ciência, em fatos? Olhem os fatos, olhem o que foi feito antes. Nós entramos, fizemos a reforma da Previdência imediatamente, derrubamos os juros, economizamos agora mais R$ 300 bilhões com a reforma administrativa e mais de R$ 150 bilhões quando combinamos que não vai haver aumento de salários para o funcionalismo no meio da pandemia. Estamos fazendo coisas importantes — afirmou o ministro.

‘Falsas narrativas’ e recuperação em ‘V’

Durante a entrevista à imprensa, Guedes citou diversas vezes o desempenho da Bolsa para rebater as críticas.

— Uma pessoa que eu nem sei quem é diz que eu estou desacreditado. O mercado faz novas altas todos os dias, mostrando que há confiança na política econômica brasileira. O dólar descendo, a bolsa subindo, os investimentos entrando, a economia voltando em V — disse o ministro.

— Estão querendo descredenciar a democracia. A democracia é assim. Quando alguém ganha, governa quatro anos e outro depois tenta ganhar a eleição. Agora, será que nós estamos ensinando que oposição deve ser odiosa, que quem perder não aceita, vamos descredenciar o processo democrático?

Guedes afirmou que há críticas injustas contra ele. E voltou a dizer que houve um acordo para que as privatizações não sejam pautadas na Câmara, sem citar os termos desse suposto acordo e nem dizer com quem ele foi firmado.

— Nós estamos trabalhando duramente, as críticas são completamente injustas — disse Guedes, acrescentando: — A velocidade de implementação é difícil. A agenda de privatizações foi bloqueada, estava bloqueada por acordos políticos na Câmara. Como é que vai privatizar se não entra na pauta.

‘O que adianta ficar jogando pedra’?

O ministro também disse que o governo tem rumo, explicando que medidas como o auxílio emergencial e a reforma da Previdência saíram do Ministério da Economia, mas foram alteradas pelo Congresso:

— Nós fizemos um trabalho importante. Negar esse trabalho, dizer que o governo está sem rumo… Nós mantivemos o rumo inclusive em meio ao caos. O auxílio emergencial foi formulado aqui e ampliado lá. Da mesma forma que a reforma previdenciária foi feita aqui e encurtada lá. Que é o papel do Congresso, mas a formulação saiu daqui.

O ministro citou como exemplo de uma crítica certa dizer que o governo não está conseguindo privatizar. E como crítica errada afirmar que ele está sem credibilidade:

— O que adianta ficar jogando pedra? É como se você tivesse tentando ajudar e sendo apedrejado pelas costas o tempo inteiro. E quando a crítica é injusta, ela não merece respeito. [Capa: Adriano Machado/Reuters]

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