O Dia do Inventor, comemorado hoje (4), homenageia pessoas que se dedicam a buscar novas soluçÔes para problemas antigos, como tambĂ©m aquelas que, a partir da observação, tĂȘm uma ideia que facilita a vida cotidiana.
âO que caracteriza o bom inventor Ă© estar atento a tudo que envolve a vida dele e perceber que as coisas em volta podem ser mudadas. A atenção do inventor em determinados detalhes faz a diferençaâ, diz o presidente da Associação Nacional dos Inventores (ANI), Carlos Mazzei.
Ele explica que independentemente de como surge a ideia, todos os inventores tĂȘm o direito de receber pelas suas inovaçÔes.
âUma dona de casa inventa um utensĂlio porque sente falta na hora em que estĂĄ fazendo a comida. Ela sente falta de algo, procura no mercado e vĂȘ que aquilo nĂŁo foi inventado ainda. Ela pode registrar a patente no nome dela e ganhar dinheiro com isso.â, exemplifica.
Mazzei lembra que apesar de muitas novidades surgirem desses inventores de ocasiĂŁo, existem pessoas que se dedicam a solucionar problemas e dificuldades criando novos instrumentos e aparelhos.
âO inventor propriamente dito, que tem uma bancada em casa, um laboratĂłrio, passa os fins de semana exercitando a criatividadeâ, acrescenta.
Todas essas pessoas podem registrar as suas criaçÔes e fazer a exploração comercial delas, ou autorizar, mediante o pagamento de royalties, a exploração dessa inovação por outras pessoas ou empresas.
âUma patente pode te dar uma garantia de 15 a 20 anos para vocĂȘ explorar ou autorizar alguĂ©m a explorarâ, explica o presidente da ANI.
PorĂ©m, o processo nĂŁo Ă© simples. A ANI oferece assessoria aos inventores para que consigam registrar as patentes de suas inovaçÔes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). âNĂŁo Ă© fĂĄcil vocĂȘ fazer uma patente.
VocĂȘ precisa ter uma qualificação tĂ©cnica para redigir um documento de patente. VocĂȘ precisa proteger de forma bem abrangente a ideia que teveâ, comenta Mazzei.
Além disso, os inventores enfrentam outro obståculo para que suas ideias cheguem ao cotidiano da população: a dificuldade em acessar os investidores.
âO problema aqui no Brasil Ă© o seguinte: a falta de apoio. Os cantores tĂȘm os empresĂĄrios que ajudam a levar a mĂșsica deles para o mercado. Os inventores nĂŁo tĂȘm. Os inventores tĂȘm essa dificuldade financeiraâ, afirma o presidente da ANI.
Um dos trabalhos da associação é tentar intermediar essas relaçÔes entre inventores e empresårios.
Entre os produtos com promessa de sucesso, mas que ainda nĂŁo chegaram ao pĂșblico estĂĄ um sistema que acende churrasqueiras a carvĂŁo por controle remoto.
âVocĂȘ, as vezes, deixa de fazer um bom churrasco porque Ă© complicado acender o carvĂŁo. Tem que ter a temperatura correta para a carne ficar boaâ, detalha Mazzei sobre os inconvenientes que a invenção busca superar.
A ANI mantém ainda um museu com centenas de invençÔes feitas por brasileiros, entre eles um acervo para empresårios interessados e também para despertar a curiosidade de jovens e crianças.
Entre as inovaçÔes brasileiras que hoje são cotidianas em todo o mundo, Mazzei lembra o cùmbio automåtico para automóveis.


