Durante a campanha, o agora presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, falou sobre a possibilidade de apontar e nomear paĂses como “climate outlaws”, ou “párias do clima”. E o Brasil de Jair Bolsonaro pode ser o primeiro da lista, apontou o site americano Vox. Em setembro, durante um debate com Donald Trump, Biden havia citado o paĂs ao falar de seu programa para o clima, mencionando ajuda financeira e tambĂ©m consequĂŞncias caso o desmatamento na AmazĂ´nia nĂŁo fosse contido.
“O governo Biden irá instituir um novo relatĂłrio de mudanças climáticas globais para tornar paĂses responsáveis por alcançar, ou por falhar em alcançar, os seus compromissos com [o Acordo de] Paris e para outros passos que promovam ou atrapalhem soluções climáticas globais”, diz parte do programa de campanha de Biden.
No primeiro debate entre o democrata e o presidente Donald Trump, no Ăşltimo dia 30 de setembro, o entĂŁo candidato tocou em um dos pontos centrais de seu plano de governo, a questĂŁo climática, e citou o Brasil ao mencionar o papel de liderança que os Estados Unidos deveriam assumir no tema. Biden prometeu que, se fosse eleito, iria reunir paĂses para levantar US$ 20 bilhões para doar ao Brasil para proteger a AmazĂ´nia e ressaltou que haveria sĂ©rias consequĂŞncias se o governo brasileiro nĂŁo parasse com suas polĂticas de desmatamento.
— A Floresta AmazĂ´nica no Brasil está sendo destruĂda, arrancada. Mais gás carbĂ´nico Ă© absorvido ali do que todo carbono emitido pelos EUA. Eu tentarei ter a certeza de fazer com que os paĂses ao redor do mundo levantem US$ 20 bilhões e digam (ao Brasil): “Aqui estĂŁo US$ 20 bilhões, pare de devastar a floresta. Se vocĂŞ nĂŁo parar, vai enfrentar consequĂŞncias econĂ´micas significativas” — afirmou o entĂŁo candidato democrata, sem entrar em detalhes sobre que consequĂŞncias seriam essas.
Em resposta, Bolsonaro disse, esta semana, que “apenas na diplomacia não dá” para proteger a Amazônia e que “tem que ter pólvora”. Sem parabenizar Biden pela vitória, um dos poucos presidentes no mundo a se recusar a reconhecer o resultado, o brasileiro citou “um grande candidato a chefe de Estado”, que havia falado recentemente que iria impor barreiras comerciais contra o Brasil se ele não apagar o fogo na Amazônia.
O legado de Bolsonaro de negação da mudança climática e sua atitude em relação ao desmatamento da Amazônia ajudaram a alinhá-lo com Trump. Mas sob um governo Biden, o desrespeito pela Amazônia e a descrença no aquecimento global podem ter outro peso.
— Há pessoas no Partido Democrata que gostariam de ir atrás de Bolsonaro e ser muito duro com ele nesta questão, e unir forças com os europeus para aplicar uma pressão significativa — disse Mike Shifter, presidente do Diálogo Interamericano, à Reuters em outubro.
A pandemia atingiu a economia global, e por consequĂŞncia tambĂ©m a brasileira e seu mercado exportador, observa o Vox. China, Estados Unidos e UniĂŁo Europeia sĂŁo os principais parceiros comerciais do Brasil. Uma pressĂŁo deles poderia levar o paĂs a mudar sua posição, acrescenta o site. [Capa: Alan Santos/PR]

