VÍDEO: PolĂ­cia analisa imagens em inquĂ©rito sobre denĂșncia de estupro contra senador

Por O GLOBO 28/11/2020 Atualizado: hĂĄ 5 anos

A PolĂ­cia Civil de SĂŁo Paulo estĂĄ analisando imagens de quatro cĂąmeras de segurança anexadas ao inquĂ©rito que investiga a denĂșncia de estupro que uma modelo de 22 anos fez contra o senador IrajĂĄ Silvestre Filho (PSD/TO).

O advogado dele afirma que as imagens deixam claro que, diferentemente do que a modelo disse Ă  polĂ­cia, ela nĂŁo estava inconsciente. JĂĄ o advogado da modelo reiterou que ela foi vĂ­tima de crime sexual.

As imagens da noite de domingo, 22 de novembro, foram publicadas pelo site Antagonista e obtidas também pela TV Globo.

As cenas, que agora fazem parte da investigação, mostram o momento em que o senador e a modelo estavam juntos na saída da casa noturna, e entregaram as pulseiras que usavam. Depois, eles foram até a porta para deixar o local. Neste momento, o relógio marcava 0h29, mas a boate informou à polícia que o equipamento estava uma hora e meia adiantado.

Outra cùmera registrou quando os dois caminharam pela calçada. Ele estava com o braço sobre o ombro dela e depois se deram as mãos.

Outra imagem, que também estå anexada ao inquérito, é de uma cùmera de segurança do flat onde o senador estava hospedado, a poucos metros da casa noturna. A cena mostra quando Irajå e a modelo chegaram à recepção. Eles ainda estavam de mãos dadas. Ele, com um copo na mão. O senador falou com a recepcionista e recebeu a chave da suíte. Depois, os dois seguiram juntos em direção ao elevador, no fim do corredor.

O senador abriu a porta, mas eles nĂŁo entraram de imediato. IrajĂĄ colocou uma das mĂŁos na cintura da mulher. Pela cĂąmera do interior do elevador dĂĄ para ver que a modelo mexia no celular. Eles ficaram assim, parados, durante cerca de 35 segundos.

O senador e a modelo entraram no elevador e seguiram conversando até descerem no terceiro andar. Pouco mais de duas horas depois dessas cenas, à 1h36, policiais militares foram chamados pelo 190.

No boletim de ocorrĂȘncia, a modelo afirma que bebeu, perdeu a consciĂȘncia – e sĂł acordou com o senador sobre ela, fazendo sexo. No relato, a mulher diz que nĂŁo resistiu nem tentou tirĂĄ-lo de cima porque nĂŁo o conhecia e temia pela sua segurança. Ela disse que, depois disso, foi ao banheiro, mandou mensagens para amigos pedindo ajuda e que eles acionaram a polĂ­cia.

A modelo, de 22 anos, prestou depoimento nesta semana. O Jornal Nacional teve acesso ao que ela disse Ă  polĂ­cia. A mulher contou que se recorda vagamente da chegada Ă  casa noturna e que, pelo que se recorda, chegou a ingerir bebida alcoĂłlica no local, mas nĂŁo soube informar o tipo de bebida.

Afirmou, ainda: “Que sua Ășltima lembrança foi de quando estava dançando. A partir de entĂŁo afirmou ter tido um “apagĂŁo”, um perĂ­odo de amnĂ©sia, nĂŁo se recordando, nem mesmo por flash do que aconteceu. AtĂ© que começou a recobrar a consciĂȘncia, jĂĄ com o senador em cima dela, mantendo, conjunção carnal”.

O JN teve acesso a outros depoimentos. Uma funcionĂĄria do flat disse Ă  polĂ­cia que, antes de entrar no elevador, a modelo hesitou e perguntou ao senador: “Onde Ă© que eu tĂŽ?”. Ele respondeu: “VocĂȘ estĂĄ no meu prĂ©dio”. Ainda segundo a funcionĂĄria, a mulher voltou a perguntar onde estava e, neste momento, o senador disse a ela o endereço do flat.

A funcionåria também disse que mandou uma mensagem a um funcionårio da segurança do flat porque achou que fosse precisar de ajuda, acreditando que a moça não iria querer subir.

Quando o funcionĂĄrio chegou, a funcionĂĄria relatou que havia estranhado que a mulher nĂŁo queria entrar no elevador e estava perguntando onde se encontrava.

O funcionårio disse à polícia que, cerca de cinco minutos depois, subiu ao andar do apartamento do senador e que não ouviu nada que chamasse sua atenção, mas percebeu que a porta estava entreaberta, e voltou para a recepção.

O senador IrajĂĄ tambĂ©m prestou depoimento. Ele contou que “conheceu a modelo em um almoço em um restaurante, no domingo. E que a conversa evoluiu para uma paquera”.

Depois do almoço, segundo o senador, a modelo foi para uma festa na casa de uma amiga. Ele continuou no restaurante. Mais tarde, o senador disse que “foi convidado pela modelo, por mensagem de celular, para ir à festa. E que lá se beijaram e trocaram carícias recíprocas”.

O senador acrescentou que, por volta das 20h, foram para a casa noturna. Segundo o depoimento do senador, “na balada, eles instigaram um ao outro sexualmente e foram a pĂ© para o flat”.

O senador Irajá confirmou que os dois tinham bebido, mas disse que “nenhum dos dois estava inconsciente”.

Ainda segundo o senador, “eles mantiveram relaçÔes sexuais de forma consensual. E em nenhum momento a modelo demonstrou resistĂȘncia ou falou que queria ir embora”.

O senador afirma que, “depois disso, ela se demorou no banheiro, atĂ© que ele recebeu mensagem de uma amiga da modelo dizendo que a jovem estava pedindo ajuda. E que, ao sair do banheiro, a modelo tentou agredi-lo”.

O exame de corpo de delito do senador deu negativo, o que para a defesa demonstra que nĂŁo houve luta corporal entre eles.

Em nota, o advogado do senador disse que “todas as imagens requisitadas, de todos os locais em que estiveram naquela data, revelam justamente o contrĂĄrio do que afirmou a modelo. Ou seja, segue o advogado, as imagens revelam que eles chegaram de mĂŁos dadas, caminhando tranquilamente e, mais que isso, mostraram que ela manuseara seu celular, conduta incompatĂ­vel com alguĂ©m que estaria alegadamente sem a capacidade e discernimento de seus atos”.

A defesa diz que “ao final das apuraçÔes, a verdade prevalecerĂĄ, e a inocĂȘncia do senador serĂĄ comprovada”.

Sobre a declaração da funcionária da recepção de que a modelo hesitou ao entrar no elevador, a defesa do senador afirmou que “essa impressão pode ter sido obtida porque ela estava usando o celular, como mostram as imagens. E que, de onde estava a funcionária, não era possível saber o que acontecia perto do elevador”.

Em nota, o advogado da modelo disse que “a jovem foi vĂ­tima de crime sexual. E que ela estĂĄ profundamente abalada com todo o ocorrido e com a repercussĂŁo do caso e que nĂŁo se pronunciarĂĄ sobre o assunto”. Quanto ao teor das imagens o advogado declarou que “considera imprudente fazer qualquer juĂ­zo de valor, antes da conclusĂŁo das investigaçÔes, jĂĄ que as imagens serĂŁo objeto de perĂ­cia”.

Na semana que vem os investigadores devem ouvir mais pessoas que estiveram com o senador e a modelo naquele dia. A polícia também aguarda a chegada do exame toxicológico, que vai indicar se os dois consumiram ålcool ou drogas. E vai analisar as mensagens do celular da modelo, em busca de pistas que ajudem a entender o que aconteceu dentro do flat. A defesa do senador considera estas mensagens peça chave para esclarecer o caso.

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