Rio Branco, Acre,


Acre teve aumento de mais 60% no número de casos de Aids em 10 anos, diz estudo

Entre 2009 e 2019, no Acre, o aumento do coeficiente de mortalidade padronizado de Aids é de 100%

O mês de dezembro traz um importante alerta de prevenção à infecção pelo HIV, quando é celebrado o mês de conscientização, sendo que 1º de dezembro é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. No Acre, o aumento de casos é significativo, de acordo com o Boletim Epidemiológico de Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde.

Entre os anos de 2009 e 2019, o estado registrou um aumento de 61,0% na taxa de detecção, no mesmo período, em caminho contrário a outras unidades, que tiveram um declínio na taxa de diagnósticos.

Dez estados apresentaram redução: São Paulo (37,9%), Rio Grande do Sul (34,6%), Rio de Janeiro (33,6%), Santa Catarina (32,0%), Espírito Santo (24,7%), Distrito Federal (24,1%), Minas Gerais (23,3%), Paraná (18,5%), Tocantins (10,8%) e Rondônia (3,8%).

Embora o Acre tenha se destacado com a porcentagem em dez anos, ainda ficou com a menor taxa em 2019, com 9,5 casos por 100 mil habitantes.

Entre as capitais, apenas Rio Branco e Brasília tiveram taxas inferiores à nacional: 15,0 e 14,7 casos/100 mil habitantes, respectivamente. Porto Alegre apresentou taxa de 58,5 casos/100 mil habitantes, em 2019, valor superior ao dobro da taxa do Rio Grande do Sul e 3,3 vezes maior que a taxa do Brasil.

No Brasil, de 1980 até junho de 2020, foram registrados 664.721 (65,7%) casos de aids em homens e 346.791 (34,3%) em mulheres. No período de 2002 a 2009, a razão de sexos, expressa pela relação entre o número de casos de aids em homens e mulheres, manteve-se em 15 casos em homens para cada dez casos em mulheres, em média. No entanto, a partir de 2010, observa-se um aumento na razão de sexos, que chegou a 23 casos de aids em homens para cada dez casos em mulheres em 2017, razão que se manteve em 2018 e em 2019.

Só em 2020, até 30 de junho, cerca de 153 casos de HIV foram diagnosticados no Acre.

Mortalidade por Aids

Observa-se um aumento do coeficiente de mortalidade padronizado de aids entre os anos de 2009 e 2019 em seis Unidades da Federação (UF): Acre (100%), Pará (26,2%), Amapá (866,7%), Maranhão (9,6%), Rio Grande do Norte (23,1%) e Paraíba (20,0%).

Em 2019, quando analisada a mortalidade por unidade, 11 delas apresentaram coeficiente superior ao nacional, que foi de 4,1 óbitos por 100 mil habitantes: Pará (7,7 óbitos/100 mil hab.), Rio Grande do Sul (7,6), Rio de Janeiro (7,1), Amazonas (6,4), Amapá (5,8), Roraima (5,8), Maranhão (5,7), Mato Grosso do Sul (5,3), Santa Catarina (4,7), Mato Grosso (4,4) e Pernambuco (4,4). Os coeficientes inferiores ao nacional variaram entre 4,0 óbitos por 100 mil habitantes no Espírito Santo e 2,2 óbitos por 100 mil habitantes no Acre.

Entre as capitais, apenas três apresentaram, em 2019, coeficiente de mortalidade padronizado igual ou inferior ao nacional: Rio Branco (2,7/100 mil hab.), Brasília (3,2/100 mil hab.) e Belo Horizonte (4,0/100 mil hab.). O maior coeficiente foi observado em Porto Alegre (22,0 óbitos/100 mil hab.), cinco vezes superior ao coeficiente nacional.

Você sabe o que é HIV e o que é AIDS?

A epidemia de AIDS já pode ser considerada praticamente uma quarentona, mas muita gente ainda desconhece alguns de seus termos básicos, como por exemplo a diferença entre HIV e AIDS. Para começar, é importante ter em mente que, hoje em dia, com a evolução do tratamento, nem todo mundo que vive com HIV chega a desenvolver a AIDS. Quer saber por quê?

HIV é uma sigla para vírus da imunodeficiência humana. É o vírus que pode levar à síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). Ao contrário de outros vírus, o corpo humano não consegue se livrar do HIV. Isso significa que uma vez que você contrai o HIV, você viverá com o vírus para sempre. As pessoas que vivem com HIV ou com AIDS devem poder usufruir todos os seus direitos, incluindo o direito à educação, trabalho, acesso à saúde e direitos sexuais e reprodutivos.

A infecção com o HIV não tem cura, mas tem tratamento e pode evitar que a pessoa chegue ao estágio mais avançado de presença do vírus no organismo, desenvolvendo, assim, a síndrome conhecida como AIDS.

O tratamento para o HIV é denominado comumente de terapia antirretroviral – conhecido também pela sigla TARV – e é fundamental para melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV, além de diminuir drasticamente as chances de transmissão a outras pessoas. Nos casos em que não há acesso ou boa adesão ao tratamento, o HIV pode tornar o sistema imunológico insuficiente para que o próprio corpo se defenda e responda a doenças oportunistas – que podem eventualmente levar a pessoa a óbito. É quando dizemos que tal pessoa faleceu por causas relacionadas à AIDS – importante: ninguém morre “de AIDS”, mas por doenças oportunistas causadas pela falha no sistema imunológico.

O diagnóstico de AIDS considera a baixa quantidade de células de defesa (CD4) presentes no sangue e/ou manifestações clínicas que podem incluir uma ou mais doenças oportunistas, como a tuberculose disseminada, pneumonia, infecções recorrentes ocasionadas por fungos (na pele, boca e garganta), neurotoxoplasmose, e diarreia crônica há mais de 30 dias, entre outras.

Reportagem com informações do UNAIDS.

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