O governo Gladson e a superofensiva contra a corrupção, uma das grandes metas para 2021

Por SECOM 23/12/2020 Ă s 09:34 Atualizado: hĂĄ 5 anos

Na ampla sala de um prĂ©dio da avenida AntĂŽnio da Rocha Viana, no bairro Bosque, Ă© frenĂ©tico o vaivĂ©m dos agentes do Grupo de Enfrentamento aos Crimes Contra a Ordem TributĂĄria, o Gecot, da PolĂ­cia Civil do Estado do Acre. Ali, ao largo dos olhos da sociedade, uma força-tarefa trabalha silenciosamente para que a população e a administração pĂșblica, se nĂŁo completamente, pelo menos tenham o mĂ­nimo de proteção possĂ­vel das organizaçÔes criminosas e dos surrupiadores do erĂĄrio pĂșblico.

O governo Gladson e a superofensiva contra a corrupção, uma das grandes metas para 2021
Policiais civis em cumprimento de mandados de busca e apreensão; operação desmantelou quadrilha que burlava o fisco estadual Foto: Junior Aguiar/Secom

Na reportagem, saiba mais sobre o que o governador Gladson Cameli e a sua equipe vĂȘm promovendo para o combate Ă  crimes de corrupção dentro da sua administração, e que atĂ© resultou na criação do Gecot, no dia 29 de setembro deste ano, e da Delegacia de Combate Ă  Corrupção, a Deccor, em fevereiro de 2019.

O trabalho desses agentes da lei vocĂȘ nunca verĂĄ, ao nĂŁo ser no seu desfecho, nos sites noticiosos e jornais televisivos, sobre algum grande esquema criminoso que culminou com a prisĂŁo dos envolvidos e a apreensĂŁo de seus bens. Mas Ă© para ser assim. Quando as hordas do mal estĂŁo de plantĂŁo, lĂĄ estĂŁo eles, construindo de forma silenciosa a colcha de retalhos que vai permitir concentrar o foco da polĂ­cia nos criminosos.

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Agentes da Polícia Civil cumprem mandados de busca e apreensão em operação para apurar fraudes na Fazenda estadual Foto: Junior Aguiar/Secom

Os agentes de polĂ­cia e tĂ©cnicos do governo entendem perfeitamente que a leitura da população, e tambĂ©m dos meios de comunicação, Ă© a de que existe um fosso investigativo separando as polĂ­cias das organizaçÔes criminosas. Mas ela Ă© uma falsa aparĂȘncia, garantem esses operadores, que encontram na gestĂŁo do governador Gladson Cameli o respaldo necessĂĄrio para o aparelhamento estatal contra o crime.

Sobre essa questĂŁo, Gladson Cameli Ă© categĂłrico: “Sob hipĂłtese alguma aceito corrupção no meu governo. Firmei este compromisso com a população acreana e venho cumprindo rigorosamente com a minha palavra”. Ele acrescenta que “quem tentar, pagarĂĄ as consequĂȘncias dentro do que determina a nossa legislação”.

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Policiais civis em cumprimento de mandados de busca e apreensão; operação desmantelou quadrilha que burlava o fisco estadual Foto: Junior Aguiar/Secom

Mais de 20 operaçÔes nos Ășltimos sete anos

O diretor de PolĂ­cia Civil, delegado Josemar Portes, afirma que a função dos investigadores da instituição que ele representa, nas diversas frentes de combate ao crime, Ă© meticulosa e Ă s vezes considerada longa aos olhos das pessoas que nĂŁo entendem como funciona o trabalho investigativo. Mas como exemplo prĂĄtico cita que desde 2012 a “PolĂ­cia Civil vem enfrentando de forma qualificada e uniforme as organizaçÔes criminosas que atuam no Acre, com vĂ­nculos em todo o Brasil”.

“Esse trabalho rendeu mais de 20 operaçÔes policiais complexas, com alto grau de profundidade nos Ășltimos nove anos. E nessa atuação houve mais de 1,7 mil presos, integrantes de organizaçÔes criminosas, entre lideranças e funçÔes estratĂ©gicas, devidamente identificados, indiciados, denunciados e levados a julgamento”, pontua Portes.

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Crime e castigo: dinheiro, cheques e celulares são apreendidos em grande operação policial que investigava crime tributårios Foto: Junior Aguiar/Secom

“Podemos dizer que a PolĂ­cia Civil desenvolveu uma grande expertise nesse tipo de investigação, ganhando, inclusive, reconhecimento nacional neste combate. Nos Ășltimos anos, o objetivo tem sido descapitalizar esses grupos”, completa o diretor.

No caso especĂ­fico do Gecot, uma das respostas imediatas foi dada nas primeiras horas do dia 2 de dezembro Ășltimo, com a Operação Omaggio, que desmantelou um esquema que fraudava o fisco estadual por meio da sonegação de impostos.

O golpe funcionava assim: algumas empresas tinham endereços fictícios e seus sócios não passavam de pessoas comuns sem nenhum poder aquisitivo. Então, os líderes da ação usavam essas empresas para comprar fora do estado com auxílio de um representante comercial de Cuiabá, que faturava a mercadoria em nome dessas firmas, como forma de burlar a fiscalização tributária. Isso configura fraude financeira, já que a empresa era usada tão somente como ‘laranja’.

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Agentes do Gecot em ação; objetivo do governo do Estado do Acre Ă© coibir qualquer prĂĄtica de crimes financeiros e de corrupção tambĂ©m envolvendo funcionĂĄrios pĂșblicos Foto: Junior Aguiar/Secom

Na ocasião, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão em Rio Branco, em Feijó e em Cuiabå. Também foram bloqueadas nove contas bancårias, e houve o sequestro e apreensão de 11 veículos, numa investigação policial e fiscal que durou cerca de dois meses, logo depois de observada a ramificação da ação criminosa no Mato Grosso.

Toda grande investigação começa com uma maratona em busca de dados, com anĂĄlises de denĂșncias anĂŽnimas , confrontos de depoimentos e escutas telefĂŽnicas autorizadas pela Justiça. E no Ăąmbito do Gecot, desde o dia 29 de setembro, duas operaçÔes ostensivas geraram o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 4 milhĂ”es, alĂ©m das prisĂ”es em flagrantes, com cumprimento de mandados de prisĂŁo e busca e apreensĂŁo. Mas dentro deste perĂ­odo, outras investigaçÔes foram instauradas e estĂŁo em pleno andamento.

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Policiai civil cumpre mandado de busca e apreensĂŁo em casa de possĂ­vel fraudador do fisco estadual Foto: Junior Aguiar/Secom

NĂșmeros

6 milhÔes


de reais foi quanto a Delegacia de Combate Ă  Corrupção, Decor, da PolĂ­cia Civil, conseguiu buscar e bloquear na Justiça em bens e valores originĂĄrios de crimes no Acre em 2020. A Decor jĂĄ tem forte atuação no Acre, inclusive em parceria com outros estados. Outras investigaçÔes estĂŁo em andamento, com o objetivo de estancar a sangria nos cofres pĂșblicos e recuperar os valores desviados do erĂĄrio, colocando os autores dos crimes Ă  disposição da Justiça.

Outros

4 milhÔes


 de reais foram apreendidos em duas grandes investigaçÔes do Grupo de Enfrentamento aos Crimes Contra a Ordem TributĂĄria este ano. O Gecot atua como grupo de investigação, apurando denĂșncias e fatos que possam se tornar crimes contra os tributos estaduais.

Em ano atĂ­pico, Gladson pediu total transparĂȘncia aos gestores estaduais

Para o governador Gladson Cameli, o combate Ă  corrupção, principalmente com ĂȘnfase na administração pĂșblica, jĂĄ Ă© uma das suas maiores prioridades e serĂĄ muito mais intensificada a partir de janeiro prĂłximo.

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Governador Gladson Cameli em reuniĂŁo com operadores da Segurança PĂșblica para discutir estratĂ©gias de combate Ă  corrupção Foto: Diego Gurgel/Secom

Nos Ășltimos dias, ele tem feito gestĂ”es nesse sentido com todos os ĂłrgĂŁos afins, entre eles os MinistĂ©rios PĂșblicos estadual e federal, Receita Federal e PolĂ­cia Federal.

E no ùmbito das instituiçÔes estaduais, as atuaçÔes conjuntas envolvem, além do Gecot e da Deccor, mais duas delegacias: a de Repressão às AçÔes Criminosas Organizadas, a Draco, e a de Repressão ao Narcotråfico, Denarc, com o intuito de enfrentar o crime de maneira mais técnica e eficaz, de modo a buscar a descapitalização e a recuperação de ativos criminais.

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Governador Gladson Cameli em reuniĂŁo com operadores da Segurança PĂșblica para discutir estratĂ©gias de combate Ă  corrupção Foto: Diego Gurgel/Secom

HĂĄ ainda a Diretoria de Administração TributĂĄria, da Secretaria da Fazenda, e o Grupo de Atuação Especial de Combate Ă  Corrupção, o Gaecc, do MinistĂ©rio PĂșblico do Estado do Acre.

Em reuniĂŁo no dia 11 de deste mĂȘs, com o procurador da RepĂșblica no Acre, Humberto Aguiar JĂșnior, e membros de sua equipe de governo, Gladson Cameli ressaltou que o MinistĂ©rio PĂșblico Federal Ă© imprescindĂ­vel na fiscalização e no combate aos ilĂ­citos que venham a ser praticados na estrutura governamental.

“A presença do MinistĂ©rio PĂșblico Federal Ă© fundamental neste processo e estou aqui, juntamente com minha equipe, para pedir esse apoio”, disse.

No encontro, o chefe do Poder Executivo lembrou ser este um ano atĂ­pico e que a sua gestĂŁo tem priorizado a transparĂȘncia de suas açÔes na compra de insumos e nos investimentos de um modo geral na SaĂșde, em tempo marcado pela pandemia.

“Com honestidade e seriedade, o Acre figura entre os estados brasileiros que nĂŁo registraram casos de corrupção na aplicação dos recursos especĂ­ficos destinados ao combate Ă  Covid-19”, lembra o secretĂĄrio de Estado de SaĂșde, Alysson Bestene.

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Policias civis em mais uma ação de combate ao crime organizado: meta é fechar ainda mais o cerco contra os criminosos em 2021 Foto: Diego Gurgel/Secom

O relatĂłrio Brasil: Retrocessos nos Marcos JurĂ­dicos e Institucionais de 2020, produzido pela organização TransparĂȘncia Internacional Brasil, aponta para o que a instituição considera de “grave situação do paĂ­s em relação ao combate Ă  corrupção”. Os estudos confrontam diretamente as recentes declaraçÔes do presidente Jair Bolsonaro, que disse ter “acabado” com a Operação Lava Jato porque em seu governo “nĂŁo hĂĄ mais corrupção”. E apontam para um desmonte do arcabouço institucional para a luta anticorrupção em curso, sobre o qual o presidente da RepĂșblica Ă© um dos responsĂĄveis, ainda segundo a opiniĂŁo da TransparĂȘncia.

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Agentes especiais da PolĂ­cia Civil cumprem mandado de prisĂŁo, e de busca de apreensĂŁo, em um bairro de Rio Branco; tolerĂąncia zero contra o crime organizado Foto: PolĂ­cia Civil

No Acre, o governo quer justamente que os ĂłrgĂŁos de controle e de fiscalização, estaduais e federais, interajam com o Executivo estadual, para as boas prĂĄticas de um enfrentamento uniforme e eficaz contra os crimes de ordem tributĂĄria e no combate Ă  corrupção, mesmo que para isso, tenha que cortar na prĂłpria carne, quando o caso Ă© de servidores pĂșblicos estaduais corruptos.

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Policias civis em mais operação de combate ao crime organizado: meta é fechar ainda mais o cerco contra os criminosos em 2021 Foto: Diego Gurgel/Secom

Volta de Sistema de InformaçÔes pode render economia de até R$ 1 milhão ao ano

O tempo passou, as instituiçÔes se fortaleceram e a sociedade aprendeu a confiar na resolução dos crimes, acreditando na certeza da justiça. Mas os criminosos tambĂ©m se adaptam segundo as tendĂȘncias de cada Ă©poca.

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Agentes de polícia participam de operação na periferia de Rio Branco; objetivo do governo é aumentar as açÔes em 2021 Foto: Polícia Civil

Se na dĂ©cada de 1980, o crime era escrachado porque encontrava, muitas vezes, a leniĂȘncia das prĂłprias organizaçÔes pĂșblicas, hoje ele Ă© mais sutil e organizado, auxiliado pela tecnologia a distĂąncia, sobretudo, com o uso de aplicativos e programas que podem interferir em sistemas eletrĂŽnicos, nos chamados crimes cibernĂ©ticos.

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Policial civil cerca fundos de uma casa na periferia de Rio Branco, em ação de combate ao crime organizado: meta é fechar ainda mais o cerco contra os criminosos em 2021 Foto: Diego Gurgel/Secom

Com relação a esse aspecto, o governo Gladson Cameli reativou o Sistema EletrÎnico de InformaçÔes (SEI), lançado em fevereiro de 2018, no final da gestão anterior, mas que não estava funcionando efetivamente.

O SEI garante mais segurança e economia de gastos na administração estadual, numa proporção de R$ 1 milhão por ano. Basicamente, com o sistema é possível criar e gerir documentos administrativos totalmente de forma eletrÎnica, fazendo com que seja diminuído cada vez mais o uso de papel e da impressão.

A ferramenta Ă© gratuita e foi criada pelo Tribunal Regional Federal da 4ÂȘ RegiĂŁo. O funcionamento do SEI estĂĄ a cargo da Secretaria de Estado de IndĂșstria, CiĂȘncia e Tecnologia do Acre, a Seict.

Conheça quatro operaçÔes significativas de combate à corrupção e outros crimes no Acre

Operação: Caça-Fantasmas

Data: 2011

Local: Sena Madureira

NĂșmero de presos: 0

Descrição: Cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura de Sena Madureira em busca de provas da suposta inclusão de pessoas na folha de pagamento do município, mas que jamais bateram o ponto nos órgãos municipais. Foram apreendidos documentos, discos rígidos e computadores da administração municipal.

Operação: Anjo da Guarda

Data: 2012

Local: Capixaba

NĂșmero de presos: 6

Descrição: Operação deflagrada numa madrugada do mĂȘs de março, e que consistiu numa ação de proteção a crianças e adolescentes em situação de risco, encontrados em pontos vulnerĂĄveis Ă  exploração sexual nas rodovias federais. A missĂŁo foi da PolĂ­cia RodoviĂĄria Federal e contou com a participação do MinistĂ©rio PĂșblico do Estado do Acre. Pelo menos 63 adolescentes foram apreendidos em situação de vulnerabilidade e seis pessoas detidas.

Operação: Zaqueu

Data: 2012

Local: Rio Branco

NĂșmero de presos: 3

Descrição: Apurou esquema de dois fiscais da Secretaria de Fazenda do Estado do Acre exigiram, de empresårios de postos de gasolina, dinheiro para expedir auto de infração tributårio em valores inferiores ao devido. A operação impediu que o trio levasse pelo menos R$ 26 milhÔes dos donos dos estabelecimentos.

Operação: Tentåculos

Data: 2012

Local: Rio Branco

NĂșmero de presos: 27

Descrição: Operação constatou o envolvimento de prestadores de serviço de autoescolas e funcionĂĄrios pĂșblicos integrantes de uma quadrilha que agia dentro do Departamento Estadual de TrĂąnsito do Acre, com o objetivo de fraudar exames para facilitar a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. Eles agiam ainda na retirada de multas, na transferĂȘncia de pontuação da carteira e na falsificação de documentos para carros roubados. Houve ainda 33 buscas e apreensĂ”es com 130 pessoas envolvidas na operação.

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