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Rio Branco, Acre,


Médica de Manaus diz que tem que escolher entre ‘quem vive e quem morre’

A médica ainda reclamou que os hospitais precisam de estrutura adequada não apenas para a pandemia

O Amazonas passa por uma situação crítica por causa da pandemia de Covid-19. Com recordes de internações diárias, hospitais voltaram a ficar lotados e os profissionais de saúde enfrentam situações difíceis.

Em Manaus, uma médica que atua na rede pública e prefere não mostrar o rosto não esconde a indignação. Para a reportagem, ela revelou a rotina de quem trabalha nessas unidades.

A médica afirmou ainda que um dos motivos de angústia para os profissionais é ter que decidir entre ‘quem vive e quem morre’:

“A gente tem que decidir entre quem vive e quem morre. Se eu tenho um ventilador disponível e três pacientes precisando, e eu tenho muito mais do que três. Por exemplo, eu tenho que escolher entre um paciente de 19, um de 30 e um de 75. Quem é o mais importante? Todos são. Esse é o motivo de angústia, escolher entre quem vai viver e quem vai morrer. Essa é uma responsabilidade ridícula e absurda.”

“Os profissionais estão desgastados física e emocionalmente por conta disso, porque já existem os pacientes que estão internados nas macas, nos divãs, alguns pacientes entubados nas salas rosa e não para de chegar paciente, porque você não pode fechar a porta. Você não pode recusar o atendimento”, desabafou a médica

“Então os pacientes chegam e alguns estão internados em cadeiras, sem fonte de oxigênio, porque não há onde colocar. A gente não tem como amontoar, então seria como você colocar animais dentro de uma jaula. É exatamente assim que eu comparo, você está amontoando pessoas sem prestação de assistência adequada, porque o sistema está colapsado”.

“É um cenário de terror, de filme de terror, um cenário de guerra, eu diria. Os funcionários, os enfermeiros, os médicos, eles têm dado praticamente o sangue. A gente tem procurado prestar o melhor serviço, o melhor atendimento”, desabafou.

“O que angustia é você ver que cada paciente é um paciente grave. Poucos pacientes não estão graves. Os que estão no hospital é porque precisam estar, os pacientes que podem se cuidar em casa, ficam em casa. A gente tem sabido de óbitos domiciliares, pessoas que por saberem do caos em que se encontra o hospital, elas preferem tentar se cuidar em casa”.

A médica ainda reclamou que os hospitais precisam de estrutura adequada não apenas para a pandemia, mas para qualquer situação de risco.

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