Desde o dia 15 de janeiro, quando veio à tona a crise sanitåria em Manaus, os brasileiros passaram a acompanhar uma situação desesperadora.
A sequĂȘncia de mortes causadas pela falta de oxigĂȘnio hospitalar para os pacientes com covid-19 fez com que muita gente se colocasse no lugar das vĂtimas.
Imaginar alguĂ©m no leito de uma unidade de saĂșde, tentando inspirar pelo nariz ou pela boca e sem conseguir oxigĂȘnio vital Ă© algo doloroso atĂ© para os mais insensĂveis.
Que urgĂȘncia maior pode haver do que providenciar o ar para quem tenta respirar e nĂŁo consegue? Ă justamente esse senso de urgĂȘncia que, absurdamente, o governo federal nĂŁo demonstra.
NĂŁo bastasse a informação de que desde o dia 8 o MinistĂ©rio da SaĂșde tinha ciĂȘncia da escassez de oxigĂȘnio em Manaus e sĂł começou a se mexer muitos dias depois, ficamos sabendo pela da matĂ©ria da jornalista Rosiene Carvalho, do UOL, que a inĂ©pcia continua, mesmo em pleno colapso.
Nos dias 16 e 18, a Organização das NaçÔes Unidas (ONU) e o governo dos Estados Unidos ofereceram trĂȘs aeronaves para transporte de oxigĂȘnio.
Diante da reconhecida dificuldade de acesso ao Amazonas por outros meios de transporte, o coordenador estadual da Unidade de GestĂŁo Integrada, Thiago Paiva, classificou o apoio como “fundamental”.
Nove dias apĂłs a primeira oferta de ajuda, o assunto ainda estĂĄ “em anĂĄlise” no governo federal.
O MinistĂ©rio da SaĂșde jogou a batata quente para o MinistĂ©rio das RelaçÔes Exteriores, ninguĂ©m dĂĄ uma explicação plausĂvel para a falta de ação e as pessoas continuam morrendo no Amazonas por falta de oxigĂȘnio.
Desde o inĂcio da pandemia, a pasta da SaĂșde faz uma gestĂŁo catastrĂłfica do combate Ă covid-19. Todas as açÔes acontecem com atraso – quando acontecem.
Por causa disso, jĂĄ se perderam testes para detecção do coronavĂrus, houve escassez de medicamentos para intubação, o paĂs teve menos alternativas de vacinas e o plano de imunização Ă© inexistente.
PorĂ©m, permitir que um burocrata fique sentado sobre uma oferta de ajuda para transporte de oxigĂȘnio em uma situação como a que atravessa o Amazonas Ă© algo aterrador.
No Brasil caĂłtico de hoje, boa parte da população jĂĄ perdeu a esperança de conseguir tratamento adequado para o coronavĂrus, por falta de leitos suficientes em Unidades de Tratamento Intensivo.
Chegamos ao ponto em que Ă© preciso implorar urgĂȘncia para que o governo ao menos colabore para evitar que pacientes tenham morte tĂŁo desesperadora quanto a que ocorre quando alguĂ©m quer encher os pulmĂ”es de ar e nĂŁo consegue.
