Entenda a importância da defesa dos direitos do servidor em processos disciplinares

Por MARCUS VENICIUS, PARA CONTILNET 02/02/2021 às 12:56 Atualizado: há 5 anos

Sindicâncias e processos administrativos disciplinares são instrumentos que a Administração Pública possui para apurar eventuais irregularidades que o servidor público comete no exercício de suas funções ou que, na sua vida particular, possam influenciar, negativamente, no desempenho funcional.

Apurar irregularidades remete à ideia de investigação. Processar alguém por cometimento de algum ilícito, traz ao imaginário a situação de se colocar em frente a um Juiz para poder se explicar, caso queira.

As sindicâncias e os processos administrativos disciplinares apuram e processam cometimento de faltas, ilícitos, irregularidades administrativas, dentro da própria Administração Pública.

Esses fatos a serem apurados e processados terão uma penalidade administrativa como multa, advertência, suspensão e até demissão. Mas não serão submetidas ao Poder Judiciário.

É o próprio órgão a qual o servidor está vinculado que apura e processa, a fim de verificar se o servidor cometeu ou não a falta administrativa.

Tanto em uma investigação, quanto em um processo judicial, não se concebe a ideia de que não haja a presença de um Advogado para defender os direitos daquele que está sendo investigado ou processado.

Os Tribunais possuem o entendimento (equivocado), de que não é obrigatória a presença de Advogado para a defesa de servidor público em sindicâncias e processos administrativos disciplinares.

Essa ausência de obrigatoriedade gera muitos prejuízos para o servidor, pois são investigados e processados, não raras vezes, por aqueles que não poderiam conduzir sindicâncias e PADs, por exemplo.

Muitos são condenados, no âmbito administrativo, já com o prazo para encerramento do processo esgotado, isto é, prescrito.

Diversas nulidades, ilegalidades podem ocorrer, caso um Advogado não esteja presente no decorrer de uma sindicância e de um processo administrativo disciplinar.

É para evitar abusos e injustiças que o Advogado atua em favor do seu cliente, pois todos tem direito de se defender.

Há uma cultura de que o servidor público pode se defender sozinho. Afinal, tudo será apurado e processado no órgão a qual está vinculado. Alguns servidores entendem que resolver internamente, significa não trazer ajuda externa e que isso, de algum modo, poderia até prejudicar.

Nessa linha, eles são condenados injustamente e, depois, procuram por Advogados, a fim de bater às portas do Poder Judiciário pleiteando a nulidade da sua condenação.

Prevenir é melhor que remediar.

Nenhum Advogado pode garantir êxito, mas todos possuem o dever de dedicar-se a cada momento para evitar abusos, ilegalidades, injustiças.

O Advogado não serve, tão somente, para escrever a defesa do servidor público. Vai bem mais além disso. Ao Advogado é conferido o dever de impedir qualquer abuso, autoritarismo, por parte do Estado. É dever, ainda, do Advogado defender, com esmero, as leis vigentes no País, exigindo que o Poder Público também o faça.

Mesmo não sendo obrigatória a presença do Advogado, a Administração Pública não pode impedir de que o servidor público tenha a assistência do profissional.

Portanto, que os servidores públicos percebam que o auxílio profissional do Advogado é fundamental para que seus direitos sejam preservados, evitando a injustiça!

Entenda a importância da defesa dos direitos do servidor em processos disciplinares

Marcus Venicius Nunes da Silva. Advogado Especialista em Direito Público pelo Damásio Educacional. Sócio de Serviço da Callil, Carvalho, Castro Advogados Associados. Coordenador do Núcleo de Direito Administrativo e Direito Penal.

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