A cláusula citada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, na noite desta quinta-feira (4) como necessária para recriar o auxĂlio emergencial deve ser incluĂda na Proposta de Emenda Ă Constituição (PEC) do Pacto Federativo, informou nesta sexta (5) o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal.
A PEC do Pacto Federativo está parada no Senado desde 2019 e propõe a descentralização, a desindexação e a desvinculação de gastos, com o objetivo de abrir espaço no Orçamento e dar maior autonomia para estados e municĂpios.
Nesta quinta-feira (4), apĂłs receber a visita do novo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Guedes afirmou que o auxĂlio emergencial poderá ser recriado para pelo menos metade dos beneficiários que receberam o pagamento em 2020.
O auxĂlio emergencial — programa de transferĂŞncia de renda motivado pelos efeitos econĂ´micos da crise sanitária do coronavĂrus — se encerrou em 31 de dezembro. Primeiro, o programa concedeu — principalmente para trabalhadores informais e desempregados — R$ 600 mensais entre abril e agosto; depois, R$ 300 entre setembro e dezembro.
Segundo Bruno Funchal, o novo mecanismo a ser incluĂdo na PEC do Pacto Federativo seria uma espĂ©cie de “cláusula de calamidade”, conforme havia informado o blog de Ana Flor.
Essa cláusula permitiria, em momentos de emergĂŞncia, a suspensĂŁo temporária da chamada “regra de ouro” — que impede o governo de aumentar a dĂvida pĂşblica para pagar despesas correntes — e o aumento da despesa, por meio da abertura de crĂ©ditos extraordinários — os quais nĂŁo se sujeitam ao teto de gastos, criado em 2016 e que limita o crescimento das despesas pĂşblicas Ă inflação do ano anterior.
Como contrapartida, informou o secretário, seriam acionados gatilhos a fim de conter o aumento dos gastos obrigatórios do governo.
A necessidade da cláusula de calamidade se justifica porque as três PECs consideradas pelo governo como prioritárias no Senado – do Pacto Federativo, dos Fundos Públicos e a PEC Emergencial – só abrem espaço fiscal para a União a partir de 2022.
Com isso, o governo teria que se endividar mais este ano, dentro do escopo da regra de ouro, que, por sua vez, exige autorização do Congresso Nacional.
Com a cláusula de calamidade, o governo ficaria desobrigado dessa regra fiscal e não precisaria mais desse aval dos parlamentares.
Porém, segundo Bruno Funchal, mesmo com a cláusula de calamidade, o governo federal ainda precisaria cumprir a meta fiscal, que prevê um déficit de até R$ 247,1 bilhões para 2021, segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Como o crédito extraordinário deverá dificultar o cumprimento da meta, o governo precisaria pedir ao Congresso a alteração do valor da meta previsto para este ano por meio do envio de um projeto de lei complementar.
