Forças Armadas teriam comprado 700 mil kg de picanha com dinheiro pĂșblico

Por IG 12/02/2021 Ă s 08:31

Deputados do PSB entregaram um relatĂłrio Ă  Procuradoria-Geral da RepĂșblica em que denunciam compras feitas pelas Forças Armadas em 2020.

Segundo os parlamentares, foram adquiridos 700 mil quilos de carne , além de 80 mil garrafas e latas de cerveja .

Mas os produtos nĂŁo foram os bĂĄsicos. Os militares escolheram o corte mais nobre do paĂ­s, a picanha, e as bebidas eram puro malte, que estĂĄ entre as mais caras.

O levantamento feito pelos congressistas foram divulgados pelo portal Congresso em Foco nesta quinta-feira (11).Hå suspeita de superfaturamento nas licitaçÔes.

No documento enviado à PGR, hå informaçÔes da compra, por exemplo, de 500 garrafas da cervej da marca Stella Artois, ao preço unitårio de R$ 9,05, e 3 mil garrafas de Heineken, por R$ 9,80 cada.

A 23ÂȘ Brigada de Infantaria de Selva adquiriu outras 3 mil garrafas de Eisenbahn, ao custo de R$ 5,99, enquanto a Brigada de Infantaria Motorizada do Rio de Janeiro comprou mil latas de Bohemia Puro Malte, a R$ 4,33 cada.

Os dados levantados por meio do Painel de Compras do Ministério da Economia apontam uma licitação em que o valor médio estimado pelo Comando do Exército para o quilo de picanha foi de R$ 118,25.

“Sinceramente, Ă© preciso investigar qual foi o corte de carne usado para se chegar a esse preço mĂ©dio irreal. O superfaturamento Ă© evidente. AlĂ©m disso, a grande quantidade que os ĂłrgĂŁos solicitaram via processo licitatĂłrio deveria favorecer a negociação e proporcionar preços muito menores que os oferecidos no varejo. A realidade, todavia, demonstra que os preços contratados sĂŁo superiores aos praticados pelos supermercados”, afirmam os deputados, na representação.

“Em um ano de pandemia, com crise sanitĂĄria, econĂŽmica e social devastando nosso paĂ­s, Ă© inacreditĂĄvel que os cofres pĂșblicos tenham custeado gastos com cerveja”, declaram os deputados.

“Enquanto nosso povo padece por falta de recursos para sobrevivĂȘncia, nossos militares usaram dinheiro pĂșblico para custear bebidas alcoĂłlicas. Tal conduta fere de morte o PrincĂ­pio Constitucional da Moralidade PĂșblica”, completam os parlamentares.

Em nota, o MinistĂ©rio da Defesa informou que “existe sempre uma significativa diferença entre processos de licitação e a compra efetivamente realizada, cuja efetiva aquisição Ă© concretizada conforme a real necessidade da administração”.

A pasta ressaltou a falta de auxĂ­lio-alimentação para os militares e que as Forças Armadas sĂŁo responsĂĄveis por “prover a alimentação balanceada de 370 mil militares da ativa em 1.600 organizaçÔes espalhadas por todo o PaĂ­s. O valor da etapa diĂĄria por militar, incluindo as trĂȘs refeiçÔes, Ă© de R$ 9,00”.

O MD disse que irå aguardar a notificação da PGR para dar mais explicaçÔes sobre o caso e afirmou que irå apurar qualquer irregularidade encontrada. Questinada, a pasta não informou se a cerveja também fazia parte da alimentação dos militares.

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