O senador Marcio Bittar (MDB-AC) entregou ao presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), nesta sexta-feira (19), o relatĂłrio da Proposta de Emenda Ă Constituição (PEC) que deve viabilizar a concessĂŁo de uma nova rodada do auxĂlio emergencial associada a medidas de compensação fiscal.
A informação foi divulgada pelo sistema de notĂcias Broadcast PolĂtico e confirma sinalização dada pelo prĂłprio parlamentar mais cedo. A expectativa de Bittar Ă© que o texto seja votado em dois turnos no plenĂĄrio da casa legislativa na prĂłxima quinta-feira (25). Para isso, no entanto, Ă© necessĂĄrio que seja construĂdo acordo entre as bancadas partidĂĄrias.
Depois, a PEC ainda precisa ser submetida a duas votaçÔes na Cùmara dos Deputados antes de entrar em vigor. Todas as votaçÔes demandam apoio de 3/5 dos membros da respectiva casa legislativa e é necessårio que a mesma versão do texto seja avalizada por deputados e senadores antes da promulgação.
Em entrevista Ă BandNews, Bittar disse que o relatĂłrio preservaria gatilhos que permitiriam o congelamento de determinadas despesas da UniĂŁo, dos Estados e municĂpios quando os gastos atingirem 95% da receita corrente lĂquida. Neste caso, os gestores pĂșblicos nĂŁo poderiam aumentar salĂĄrios e realizar novas contrataçÔes em um perĂodo de dois anos.
âEstourou o Orçamento, a prefeitura ou as prefeituras, o estado ou os governos estaduais ou a UniĂŁo podem acionar, a partir do Conselho da RepĂșblica, essa clĂĄusula que estarĂĄ na Constituição, e, automaticamente, trava as despesas. Ă o que Ă© possĂvel e acho que, na bagunça do que Ă© a conta pĂșblica no brasil, jĂĄ Ă© um bom avançoâ, disse.
O relatĂłrio, no entanto, nĂŁo traz a possibilidade de redução proporcional e temporĂĄria de salĂĄrio e jornada de trabalho no funcionalismo pĂșblico como um dos mecanismos de alĂvio financeiro. O ponto, defendido pela equipe econĂŽmica, era considerado polĂȘmico e enfrentava resistĂȘncias entre os parlamentares. TambĂ©m ficam de fora desindexaçÔes, desvinculaçÔes e desobrigaçÔes do Orçamento.
âA partir deste ano, nĂŁo sendo possĂvel votar no ano passado [a PEC Emergencial], entendi que meu papel, mais do que qualquer outro de dar minhas opiniĂ”es a respeito dos temas e minhas convicçÔes, era ser aquele, como relator do Orçamento e de PECs importantes, que apresente no Congresso Nacional aquilo que Ă© possĂvelâ, argumentou o parlamentar na entrevista.
Bittar admitiu a desidratação do texto para que ele pudesse avançar no parlamento, mas indicou que pretende futuramente apresentar novas proposiçÔes com os itens que ficaram de fora da Ășltima versĂŁo de seu relatĂłrio. Um deles Ă© a proibição dos chamados âsupersalĂĄriosâ, vencimentos de servidores que superam o teto constitucional.
O senador defende que o texto Ă© o possĂvel para viabilizar uma nova rodada do auxĂlio emergencial, diante das dificuldades enfrentadas por milhĂ”es de famĂlias brasileiras em meio ao recrudescimento da pandemia do novo coronavĂrus. Segundo ele, o benefĂcio deverĂĄ durar mais cerca de quatro meses, com parcelas na faixa de R$ 250, e deverĂĄ ser financiado por aumento da dĂvida pĂșblica.
âNĂŁo hĂĄ milagre. O Brasil vai se endividar mais. Agora, Ă© justificĂĄvel que o Brasil se endivide mais, o poder pĂșblico se endivide mais, para atender essas pessoas? Sim, Ă©. O mundo inteiro estĂĄ fazendo isso, nĂŁo somos sĂł nĂłs, nĂŁo hĂĄ outra maneira. Vai sair da dĂvida pĂșblica. NĂłs vamos aumentar a dĂvida pĂșblica para atender milhĂ”es de brasileirosâ, afirmou.
âO auxĂlio (âŠ) deve ser prorrogado por mais ou menos quatro meses, a peço de mais ou menos R$ 250. Ă pouco para quem ganha R$ 10 mil, mas Ă© muito para quem nada ganha, para quem nĂŁo tem como fazer a feira, que nĂŁo tem como pagar um compromisso no supermercado da esquina ao final de um mĂȘs. Ă o possĂvelâ, declarou.
Segundo o Broadcast PolĂtico, o valor do benefĂcio nĂŁo estarĂĄ na redação da PEC. A proposta deverĂĄ trazer mecanismos para dar base jurĂdica a uma nova despesa apĂłs o fim do estado de calamidade pĂșblica.
