Caso Henry: ex detalha conversa “despreocupada” com Jairinho horas apĂłs morte

Por IG 30/03/2021 Ă s 09:07

Uma ex-namorada do mĂ©dico e vereador Jairo Souza Santos JĂșnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), contou a policiais da 16ÂȘ DP (Barra da Tijuca) que, Ă s 11h46 do dia 8 de março – seis horas e quatro minutos apĂłs atestada a morte de seu enteado, Henry Borel Medeiros – eles conversaram “como se nada tivesse acontecido”.

Em depoimento, a estudante de 34 anos, afirmou que o parlamentar a enviou mensagens para saber sobre o resultado de seu antibiograma, um exame laboratorial que a moça realizaria depois de se queixar de ardĂȘncia ao urinar.

De acordo com o termo de declaração da estudante, Jairinho teria escrito no WhatsApp: “Preciso saber o que deu no antibiograma. Tem que tratar, tem que tratar”.

Ao responder que nĂŁo fez o exame, a mulher foi repreendida por ele: “Que loucura Ă© essa?”. A estudante disse que, em momento algum, o amante comentou sobre o ocorrido com Henry, de 4 anos, e que ela ficou sabendo do falecimento do menino por amigos em comum e, depois, pela imprensa.

O corpo do menino foi liberado do Hospital Barra D’Or para o Instituto MĂ©dico Legal (IML) por volta de 13h.

Ao ser intimada para depor na distrital, no dia 20, a mulher contou ter ligado para a irmĂŁ de Jairinho, tendo o prĂłprio posteriormente retornado o telefonema.

Ela disse que o vereador a orientou a “ficar tranquila”, pois apenas teria que relatar como fora o relacionamento dos dois e se ele era agressivo. Ela reiterou que ele continuou sem falar sobre o falecimento do enteado tampouco sobre como “se sentia”.

A mulher diz ter começado a namorar Jairinho em 2014, quando assessorava uma vereadora e pediu afastamento do cargo. Ela diz ter ficado com ele durante seis anos, entre idas e vindas, jĂĄ que na Ă©poca o parlamentar tambĂ©m era casado com Ana Carolina Ferreira Netto, mĂŁe de dois dos seus trĂȘs filhos.

Em janeiro desse ano, a dentista chegou a registrar uma ocorrĂȘncia tambĂ©m na 16ÂȘ DP narrando ter sido agredida por ele.

Na ocasiĂŁo, Ana Carolina relatou ter presenciado o marido na garagem conversando com outra mulher ao telefone. Ela teria entĂŁo desistido de uma viagem familiar que jĂĄ estava programada, e, durante um “ataque de fĂșria”, Jairinho a segurou pelo braço, a arrastou atĂ© a cozinha e passou a ofende-la e chutĂĄ-la “por vĂĄrias vezes com muita força”.

Dias depois, ela voltou a delegacia e disse “não querer representar contra ele criminalmente”.

O depoimento da amante Ă© um dos 16 colhidos pelo delegado Henrique Damasceno, titular da 16ÂȘ DP, nos Ășltimos 20 dias, no inquĂ©rito que investiga a morte de Henry.

Na tarde desta segunda-feira, dia 29, foram ouvidas a professora do ColĂ©gio Marista SĂŁo JosĂ©, onde o menino estudou por 20 dias, e a psicĂłloga que realizou acompanhamento terapĂȘutico com ele por cinco sessĂ”es. Ambas as profissionais negaram ter visto qualquer anormalidade em seu comportamento.

Também ontem tiveram início as perícias complementares no apartamento 203, do bloco I, do condomínio Majestic, no Cidade Jardim, na Zona Oeste do Rio.

O imĂłvel, interditado judicialmente, era onde Henry morava com a mĂŁe, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, e o namorado dela, Jairinho (Solidariedade), desde novembro do ano passado.

(Foto: Reprodução)

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