Entidades médicas pedem banimento do uso de cloroquina e ivermectina contra Covid-19

Por O GLOBO, SOCIEDADE 23/03/2021 Ă s 08:39

Um grupo de associações mĂ©dicas divulgou nota nesta terça-feira defendendo que medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como a cloroquina e a ivermectina, devem ter sua utilização “banida”.

Os remĂ©dios citados no texto sĂŁo defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro. As sociedades tambĂ©m defendem o isolamento social e pedem medidas para acelerar a compra do chamado “kit intubação”.

A manifestação ocorreu em um boletim do Comitê Extraordinário de Monitoramento Covid-19, organizado pela Associação Médica Brasileira (AMB), e conta com o apoio de sociedades especializadas e de associações locais dos estados.

As entidades ressaltam no texto que, na última semana, o Brasil representou 25% das mortes registradas em todo o mundo por Covid-19 e que em breve o país ultrapassará a marca de 300 mil óbitos causados pela doença.

O objetivo do boletim Ă© esclarecer condutas dos mĂ©dicos, orientar pacientes e “conclamar as autoridades responsáveis Ă  urgente resolução de casos que exclusivamente delas dependem”.

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, nĂŁo possuem eficácia cientĂ­fica comprovada de benefĂ­cio no tratamento ou prevenção da Covid-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, diz um dos trechos do documento.

Em relação ao “kit intubação”, as organizações afirmam que “sĂŁo urgentes esforços polĂ­ticos, diplomáticos e a utilização de normativas/leis de excepcionalidade, para solucionar a falta de medicamentos ao atendimento emergencial” e que “na ausĂŞncia destes fármacos, nĂŁo Ă© possĂ­vel oferecer atendimento adequado para salvar vidas”.

O boletim tambĂ©m defende que “o isolamento social, com a menor circulação possĂ­vel de pessoas, segue sendo imperioso para conter a propagação viral”.

De acordo com as entidades, “todos, sem exceção, temos de seguir Ă  risca as medidas preventivas: uso correto de máscara, distanciamento social, evitar aglomerações, manter o ambiente bem ventilado e higienizando, ficar em isolamento respiratĂłrio assim que houver suspeita de Covid-19, identificar os contactantes, higienizar frequentemente as mĂŁos”.

No Ăşltimo dia 4, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma nota onde defendeu que medidas restritivas locais tĂŞm chances de “reduzir momentaneamente a pressĂŁo sobre o sistema de saĂşde, como tentativa de evitar o colapso”, mas que podem tambĂ©m gerar “consequĂŞncias graves de efeito duradouro para a sociedade, como o fechamento de empresas, desemprego e surgimento de doenças mentais em adultos e crianças”.

O texto disse ainda que a adoção dessas medidas deviam “ser precedida de análise criteriosa de indicadores epidemiolĂłgicos, capacidade da rede de atendimento e impactos sociais e econĂ´micos, devendo ser de curta duração e considerar as realidades especĂ­ficas”.

O CFM tambĂ©m destacou o uso de máscara, a higienização frequente das mĂŁos, o distanciamento social e a proteção de olhos e mucosas e os cuidados com os grupos vulneráveis, como forma de proteger a vida, alĂ©m de pedir a vacina a “todos os brasileiros, no menor espaço de tempo”.

Na nota desta terça-feira, as organizações tambĂ©m fazem “votos especiais” ao cardiologista Marcelo Queiroga, indicado para assumir o MinistĂ©rio da SaĂşde, mas que ainda nĂŁo tomou posse.

O texto diz que “os brasileiros almejam que vossa gestĂŁo ecoe e se guie exclusivamente pela voz da ciĂŞncia; que seja um exemplo de independĂŞncia na implantação de polĂ­ticas/medidas consistentes e necessárias Ă  resolubilidade e qualidade do sistema; de conduta Ă©tica; de compromisso com a melhor Medicina; e, acima de tudo, com a saĂşde de todos os cidadĂŁos”.

(Foto: Edilson Dantas/AgĂŞncia O Globo/18-03-2021)

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