Queda de cabelo afeta 1 em 4 apĂłs covid-19: o que causa e como tratar

Por BBC 19/03/2021 Ă s 16:01

A estudante universitĂĄria Janaina CorrĂȘa, de 24 anos, contraiu coronavĂ­rus em MacapĂĄ em abril de 2020, quando a doença havia acabado de chegar ao Brasil. Passou duas semanas com febre, nĂĄusea e falta de ar. Mas a doença nĂŁo foi embora com esses sintomas. AlĂ©m da falta de ar e da fadiga persistentes, começou a notar que estava perdendo muito cabelo. A situação se agravou quando ela, que jĂĄ tinha perdido dois tios para a covid, viu sua mĂŁe ser internada numa UTI com a doença.

“Aquilo me matou porque a gente sĂł tem notĂ­cia de quem estĂĄ em UTI uma vez por dia. E tem que esperar 24 horas para saber como sua mĂŁe estĂĄ. Dentro do hospital comecei a perceber que meu cabelo estava caindo muito porque onde eu andava, me encostava, eu via cabelo caindo. Ele nĂŁo caĂ­a, ele despencava. Sempre tive muito cabelo, mas se tornou assustador porque viraram falhas no meu couro cabeludo.”

A mãe dela conseguiu se recuperar da covid-19, mas também passou a enfrentar queda de cabelo acentuada depois da infecção. Vårios conhecidos delas relataram o mesmo sintoma. E hoje, quase um ano depois de sua infecção, o cabelo de Janaina voltou a ganhar volume.

Esses casos ilustram um sintoma associado que estima-se aparecer em 25% dos pacientes com a chamada covid-19 persistente (ou covid longa), que Ă© uma condição de saĂșde que dura semanas ou meses depois do inĂ­cio da infecção pelo novo coronavĂ­rus, e nĂŁo se manifesta necessariamente com os mesmos sintomas que afetaram a pessoa antes.

Hå dezenas deles, como cansaço extremo, problemas de memória, dores nas articulaçÔes e erupçÔes na pele. Segundo pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, do México e da Suécia, que analisaram dezenas de estudos sobre o tema com 48 mil pacientes ao todo, os cinco sintomas mais comuns da covid prolongada são fadiga (58%), dor de cabeça (44%), dificuldade de atenção (27%), perda de cabelo (25%) e falta de ar (24%).

HĂĄ pelo menos sete estudos acadĂȘmicos que abordam a ligação entre essa queda de cabelo acentuada e covid-19, mas as causas, a duração e os tratamentos ainda nĂŁo estĂŁo muito claros. Estima-se que a covid longa esteja associada a duas formas de queda de cabelo acentuada jĂĄ conhecidas da medicina: o eflĂșvio telĂłgeno e a alopecia areata.

Segundo Paulo Criado, coordenador do departamento de medicina interna da Sociedade Brasileira de Dermatologia, problemas emocionais, doenças infecciosas ou autoimunes podem causar queda de cabelo de diversos tipos. O mais comum Ă© a queda difusa em todo o couro cabeludo, que Ă© chamada de eflĂșvio telĂłgeno. HĂĄ pacientes com predisposição genĂ©tica ou doenças autoimunes, por exemplo, que podem apresentar quedas em forma de rodelas, condição conhecida como alopecia areata.

Em entrevista à BBC News Brasil, Criado explica que é comum uma queda de cabelo acentuada meses depois de doenças infecciosas mais graves, como dengue, chikungunya, zika, além de episódios de estresse, perda de peso e parto.

“Esses todos sĂŁo eflĂșvios. O que se acredita agora Ă© que o coronavĂ­rus faça parte desse grupo de doenças que podem estar ligadas Ă  queda capilar acentuada.”

Em geral, pacientes com perda de cabelo relatam que os fios começam a cair em volume bem maior do que o normal em torno de 2 ou 3 meses depois da infecção. E meses depois ele se recupera espontaneamente, sem tratamento.

No caso da alopecia areata, Andrew Messenger, professor honorĂĄrio de dermatologia da Universidade de Sheffield e presidente do Instituto de Tricologia do Reino Unido, explica que os cientistas ainda tĂȘm diversas dĂșvidas sobre as causas e os mecanismos envolvidos.

“No momento, nĂŁo temos uma imagem clara do que estĂĄ acontecendo. Se o coronavĂ­rus serve de gatilho para quem jĂĄ tem predisposição genĂ©tica de desenvolver alopecia areata, que Ă© uma doença capilar associada a uma reação autoimune, ou se isso estĂĄ ligado a algum fator desconhecido ou ao estresse em torno da covid-19 no caso de pessoas sem essa predisposição genĂ©tica”, afirmou Ă  BBC News Brasil.

Especialistas afirmam que a pandemia ainda estå no início e não é possível neste momento precisar a duração da perda de cabelo.

Diagnósticos e eventuais medicamentos para a alopecia devem ser avaliados caso a caso por um dermatologista. Mas não hå nenhum indicativo até o momento de que os eventuais tratamentos sejam diferentes dos que costumam ser prescritos por médicos contra queda de cabelo comum, a exemplo da alimentação equilibrada.

A BBC News Brasil reĂșne abaixo o que se sabe atĂ© o momento sobre possĂ­veis causas, fatores de risco, os mecanismos do corpo envolvidos, eventuais tratamentos, o que pode piorar ou nĂŁo essa queda de cabelo acentuada e o que fazer nesses casos.

Como a covid-19 pode afetar o ciclo normal do cabelo

A função do cabelo vai bem além da nossa autoimagem: passa por aspectos como tato, sensibilidade e proteção de orifícios e da pele contra a radiação ultravioleta (UV).

Escova com muitos fios de cabelo

Dermatologista diz que o cabelo que sai na escova de pentear Ă© um fio que jĂĄ estĂĄ “morto” e solto dentro do couro cabeludo/CRÉDITO,GETTY IMAGES

Os pelos e fios de cabelo surgem no folĂ­culo piloso (ou raiz), uma espĂ©cie de “fĂĄbrica” localizada na camada profunda da pele que se desenvolve ao longo da primeira metade da gestação do bebĂȘ. Estima-se que cada pessoa tenha uns 5 milhĂ”es dessas raĂ­zes espalhadas por quase toda a superfĂ­cie do corpo, sendo quase 100 mil no couro cabeludo. Esse nĂșmero nĂŁo muda na vida adulta.

A grande maioria produz um fio de cada vez, num complexo processo de “fabricação” na raiz. Envolve divisĂŁo celular que gera cĂ©lulas na base para o crescimento do cabelo, e depois elementos como glĂąndulas produtoras de sebo para manutenção e flexibilidade, cĂ©lulas geradoras de melanina para a coloração dos fios e papilas que cuidam do ciclo de vida dos fios. Arrancar um fio “pela raiz”, por exemplo, pode danificar essa “fĂĄbrica”.

De modo simplificado, o que identificamos como fio de cabelo Ă© a “parte de cima” da estrutura iniciada na raiz, ou seja, enxergamos uma haste de cĂ©lulas jĂĄ mortas que foi se revestindo principalmente de queratina, proteĂ­na que garante a sustentação dessa estrutura com vĂĄrias camadas.

Em geral, esse ciclo de vida dura de dois a sete anos e Ă© dividido em trĂȘs fases. Primeiro, o fio de cabelo cresce quase 1 cm por mĂȘs ao longo de trĂȘs anos, em mĂ©dia, na chamada fase anĂĄgena. Em seguida, passa de duas a trĂȘs semanas na fase catĂĄgena, momento em que deixa de ser “alimentado” na base por novas cĂ©lulas, para de crescer e se prepara para ser substituĂ­do. A terceira e Ășltima Ă© a fase telĂłgena (ou repouso), que dura de trĂȘs a quatro meses. É nela que o cabelo cai ao ser expulso pelo novo fio que estĂĄ sendo formado no mesmo folĂ­culo piloso.

O problema Ă© que esse ciclo pode sofrer distĂșrbios a partir de problemas emocionais, anemia, doença autoimune ou doença infecciosa, por exemplo. E daĂ­ pode surgir o chamado eflĂșvio telĂłgeno, que antecipa o fim da vida do cabelo: uma proporção muito maior de fios muda da fase de crescimento para a fase de queda.

Todo mundo costuma perder diariamente de 30 a 150 fios. E em condiçÔes como o eflĂșvio telĂłgeno, o volume pode chegar a 300 por dia. Essa queda mais volumosa se dĂĄ como uma diminuição geral do volume de cabelo na cabeça como um todo.

Um fator que tem sido percebido nos casos de queda de cabelo acentuada ligada Ă  covid Ă© a distĂąncia temporal entre a infecção e a perda de fios. Isso se dĂĄ porque o eflĂșvio telĂłgeno costuma ocorrer trĂȘs meses depois do fator que desencadeou essa condição de saĂșde e pode durar de trĂȘs a seis meses.

“As razĂ”es nĂŁo estĂŁo claras para a ligação entre a queda de cabelo acentuada e a covid-19. Doenças associadas a altas temperaturas do corpo afetam o crescimento do cabelo pelos folĂ­culos capilares, que sĂŁo mantidos na fase de repouso do ciclo capilar por dois ou trĂȘs meses e daĂ­ eles caem. Por isso que pessoas com essa condição vivenciam a queda dos cabelos em torno de dois a trĂȘs meses depois do evento que causou isso. Isso pode ser bastante dramĂĄtico, com toda essa queda de cabelo, mas a grande maioria dos casos ele se recupera depois de meses”, explica Messenger, da Universidade de Sheffield.

A causa Ă© desconhecida em um terço dos casos diagnosticados de eflĂșvio telĂłgeno, segundo dados da Associação BritĂąnica de Dermatologia. E os gatilhos mais comuns sĂŁo parto, perda de peso acentuada, trauma, tratamento de cĂąncer, doenças graves ou mesmo um acontecimento bastante relevante na vida de alguĂ©m (como a perda de um parente prĂłximo).

Segundo Michael Freeman, professor da Bond University e diretor do departamento de dermatologia do Gold Coast Hospital, ambos na AustrĂĄlia, o surgimento do eflĂșvio telĂłgeno nessas situaçÔes funciona como se o corpo abandonasse temporariamente funçÔes desnecessĂĄrias em momentos de grande estresse. Ele aponta que a alimentação costuma ser um fator relevante para quedas e recuperaçÔes. “NĂŁo Ă© sĂł a covid que gera esse efeito. Se seus nĂ­veis de ferro no sangue estĂŁo baixos, isso vai te afetar mais do que a outras pessoas”, explicou Ă  BBC News Brasil. Se a deficiĂȘncia de ferro for sanada, “o cabelo voltarĂĄ com o tempo.”

De acordo com a Associação BritĂąnica de Dermatologia, a escassez de cabelo sĂł se torna visĂ­vel em casos bem graves de eflĂșvio telĂłgeno e raramente essa condição demanda o uso de peruca.

“Mas nĂŁo duvido que possa ocorrer com algumas pessoas nessa pandemia. Como os pacientes que tiveram covid grave e ficaram internados em UTI, entubados por 60 dias. Pode atĂ© acontecer uma situação dessa, mas em geral nĂŁo chega a ficar com uma calvĂ­cie total. HĂĄ uma diminuição da densidade do cabelo. Fica mais rarefeito”, diz Paulo Criado, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Em um estudo de pesquisadores da Wayne State University e do Hospital Henry Ford, ambos em Detroit (EUA), com 552 pacientes infectados com coronavĂ­rus entre fevereiro e setembro de 2020, foram diagnosticados 10 pacientes com eflĂșvio telĂłgeno associado Ă  covid-19, sendo 9 mulheres e idade mĂ©dia de 49 anos.

No estudo, os pesquisadores levantam possĂ­veis causas para a queda de cabelo acentuada, como fatores psicossociais e estresse psicolĂłgico. Eles aventam tambĂ©m outras hipĂłteses dos mecanismos por trĂĄs disso, como a infecção multissistĂȘmica.

Numa delas, uma cascata de coagulação surge no corpo em resposta à infecção por covid-19, o que leva a queda na concentração de proteínas anticoagulantes (dada a queda de produção e o aumento do consumo). Esses fatores podem levar à formação de microtrombos (pequenos coågulos) que podem obstruir o suprimento de sangue para os folículos capilares.

Um outro estudo, de dez pesquisadores do Montefiore Medical Center, em Nova York (EUA), investigou outros 10 pacientes que desenvolveram queda de cabelo acentuada entre 3 e 7 meses depois de serem infectadas com coronavĂ­rus. Todas eram mulheres, com idade mĂ©dia de 55 anos, sem histĂłrico de eflĂșvio telĂłgeno antes da covid.

“Com um nĂșmero crescente de pacientes recuperados, o risco de desenvolverem essa manifestação dermatolĂłgica fĂ­sica e emocionalmente angustiante deve continuar.”

Covid longa e alopecia

Outras condiçÔes de saĂșde de queda de cabelo acentuada que tĂȘm sido associadas Ă  covid prolongada sĂŁo a alopecia androgenĂ©tica (conhecida como calvĂ­cie) e a alopecia areata, conhecida como “pelada” e associada a fatores hereditĂĄrios em 20% dos casos.

A alopecia areata, por exemplo, é uma doença multifatorial que leva à queda de cabelos e pelos do couro cabeludo ou de outras partes do corpo como barba e sobrancelhas, por exemplo. Uma de suas maiores características é a queda em placas arredondadas ou ovais, deixando aparente o couro cabeludo.

Pode afetar tanto homens quanto mulheres e independe tambĂ©m da etnia e idade. NĂŁo Ă© uma doença contagiosa e nĂŁo deixa cicatrizes. Essa condição pode durar de dois a trĂȘs anos, mesmo sem covid-19. EntĂŁo, ainda Ă© cedo para determinar quanto tempo as pessoas serĂŁo afetadas por essa condição.

Homem com alopecia areata, que resultou em manchas calvas no couro cabeludo

Pacientes com predisposição genĂ©tica ou doenças autoimunes, por exemplo, que podem apresentar quedas em forma de rodelas, condição conhecida como alopecia areata/CRÉDITO,GETTY IMAGES

 

“A alopecia areata Ă© uma agressĂŁo de linfĂłcitos que saem do sangue e vĂŁo para a pele, a nĂ­vel do folĂ­culo piloso, e agridem as cĂ©lulas em proliferação do folĂ­culo piloso. É como se fosse um carro que a marcha fosse diminuindo a velocidade. EntĂŁo o pelo vai afinando, atĂ© uma hora que para de produzir. E vocĂȘ fica com uma clareira redonda geralmente, ou vĂĄrias redondas que podem se juntar, sĂł que esse Ă© o menos comum. O mais comum Ă© a queda difusa, onde diminui o volume geral de cabelo”, explica Criado, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

A alopecia areata é associada por parte dos especialistas a uma doença autoimune (quando as próprias células atacam o organismo). Estima-se que atinge cerca de 2% da população mundial.

Ao longo da pandemia, alguns estudos apontaram tambĂ©m uma associação entre a calvĂ­cie masculina e a covid-19, como um tipo de fator de risco para o coronavĂ­rus, dada a incidĂȘncia de homens com esse problema capilar entre os mais afetados pela doença.

Paulo Criado, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, no entanto, afirma que “do ponto de vista imunolĂłgico e genĂ©tico, a questĂŁo da calvĂ­cie enquanto fator associado Ă  covid pode ser uma coincidĂȘncia porque os homens idosos em geral tem mais calvĂ­cie do que as mulheres”.

Cientistas ainda tentam decifrar a fisiopatologia da queda de cabelo associada à covid-19, ou seja, quais são os mecanismos ligados à origem dessa condição dermatológica.

Um grupo de pesquisadores italianos da Universidade Sapienza de Roma (ItĂĄlia) levanta trĂȘs hipĂłteses: 1. o coronavĂ­rus desencadeia uma reação autoimune contra os folĂ­culos capilares ao criar um ambiente inflamatĂłrio que abala o sistema imunolĂłgico; 2. o vĂ­rus gera uma reação cruzada envolvendo antĂ­genos (que estimulam a formação de anticorpos) do vĂ­rus e do corpo humano; 3. o processo se origina a partir do estresse psicolĂłgico e da deterioração da saĂșde mental.

Os fatores de risco ainda sĂŁo pouco conhecidos porque os estudos sobre o tema envolvem um nĂșmero reduzido de pacientes de covid-19 que desenvolveram alopecia.

Um grupo de pesquisadores ligado ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças do Japão, por exemplo, entrevistou 63 pacientes que perderam cabelo após serem infectados com coronavírus. O pequeno estudo, publicado na revista científica Open Forum Infectious Diseases em outubro de 2020, envolveu pacientes com idade média de 48 anos, sendo que dois terços eram homens e 25% tinha hipertensão e/ou níveis elevados de gordura no sangue.

Em mĂ©dia, os pacientes entrevistados nesse estudo reportaram alopecia 76 dias depois dos sintomas de covid-19. “Alopecia Ă© frequentemente observada depois de infecçÔes como ebola e dengue. A queda de cabelo depois da recuperação da covid-19 Ă© desconhecida, mas alopecia androgenĂ©tica e eflĂșvio telogĂȘnico sĂŁo as possĂ­veis causas”, dizem os pesquisadores no artigo.

Por outro lado, um trio de pesquisadores, ligados Ă  Universidade de Zurique (Suíça), ao Hospital Escola Álvaro Alvim e Ă  Universidade Federal Fluminense, analisou dez pacientes com queda de cabelo acentuada apĂłs infecção por covid-19 e apontou que todos tinham alopecia androgenĂ©tica prĂ©-existente. As sete mulheres e os trĂȘs homens recuperaram completamente o couro cabeludo num espaço de tempo de trĂȘs a seis meses.

Possíveis tratamentos e o mito da peruca que afeta recuperação

AtĂ© o momento, nĂŁo hĂĄ nenhum indicativo de que a queda de cabelo associada Ă  covid-19 demande tratamentos diferentes dos que sĂŁo adotados normalmente para o eflĂșvio telĂłgeno e a alopecia areata.

Primeiro, Ă© importante deixar claro que cabe a mĂ©dicos dermatologistas (especializados ou nĂŁo em cabelos, os tricologistas) diagnosticarem essa condição de saĂșde e prescreverem eventuais tratamentos.

Isso dependerå, por exemplo, do histórico de cada paciente e da dimensão da queda de cabelo em curso. Se ela for leve, transitória, a recuperação deve ser espontùnea. Mas algumas pessoas podem apresentar perdas mais significativas, o que exigiria tratamento médico.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta para os riscos de se automedicar, algo que pode afetar a saĂșde e a aparĂȘncia da pessoa.

Em geral, nĂŁo hĂĄ necessidade de tratamento para eflĂșvio telĂłgeno, pois o cabelo crescerĂĄ por si sĂł se o motivo ligado a sua origem deixar de existir, como a covid-19 ou o estresse severo. Nesses casos, segundo Criado, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, nenhum medicamento ou intervenção aceleraria esse processo de recuperação.

Mas, a depender do comprimento do cabelo, pode levar anos para que o volume volte ao normal. E além disso, essa queda acentuada pode ser recorrente, caso o fator ligado à origem dela retorne.

“Os tratamentos seriam os mesmos que jĂĄ adotamos. NĂŁo hĂĄ nenhum tratamento comprovado contra o eflĂșvio telĂłgeno porque Ă© uma condição que se recupera espontaneamente. Algumas pessoas sĂŁo tratados com minoxidil ou loçÔes capilares, mas nĂŁo hĂĄ estudos sĂłlidos que atestem a eficĂĄcia. Para pessoas que tiveram muita perda de peso ou estejam com deficiĂȘncia de ferro, Ă© importante que elas mantenham uma boa alimentação. No caso da alopecia areata, o quadro de covid nĂŁo levaria a nenhum tratamento diferente do que jĂĄ adotamos normalmente, como terapia sistĂȘmica com esteroides em casos mais graves, e alguns paĂ­ses adotam medicamentos imunossupressores (como inibidores de calciuneurina, mas a Sociedade Brasileira de Dermatologia afirma que a eficĂĄcia dessa abordagem nĂŁo foi comprovada)”, afirma Messenger, da Universidade de Sheffield.

Dermatologistas podem tambĂ©m solicitar exames para avaliar a presença de doenças ou distĂșrbios, como anemia, deficiĂȘncia de ferro ou alteração da tireĂłide. O tratamento pode passar por reposição com polivitamĂ­nicos ou proteĂ­nas para formar queratina no cabelo e nas unhas, terapia com radiação ultravioleta, injeçÔes de corticĂłide ou medicaçÔes que estimulam o crescimento do cabelo, como minoxidil e antralina.

Criado ressalta que “cada caso Ă© um caso”, e apenas um diagnĂłstico mĂ©dico serĂĄ capaz de determinar se hĂĄ tratamento possĂ­vel e qual deles deve ser adotado e monitorado. E refuta alguns mitos em torno da queda de cabelo.

Ele afirma que o uso de peruca nĂŁo tem qualquer efeito negativo contra a recuperação do couro cabeludo. “Isso nĂŁo tem nada a ver. É mito.

Segundo o dermatologista, lavar com ĂĄgua quente e escovar o cabelo nĂŁo aumenta a queda, porque o fio tem uma resistĂȘncia natural Ă  tração. O cabelo que sai na escova de pentear, que junta no ralo do banheiro ou que cai sobre o travesseiro Ă  noite, Ă© um fio que jĂĄ estĂĄ “morto” e solto dentro do couro cabeludo.

Ele explica que mudanças ou diferenças no håbito de lavagem do cabelo podem dar uma falsa impressão de que hå mais fios caindo do que o normal.

“Por dia, caem em torno de 150 fios de cabelo. Se vocĂȘ lava o cabelo uma vez por semana, Ă© lĂłgico que quando vocĂȘ lavar, vĂŁo cair uns 500 fios. EntĂŁo vocĂȘ pode achar que estĂĄ caindo demais, sendo que se vocĂȘ lava o cabelo todo dia, vai perceber que vai cair algo mais prĂłximo da mĂ©dia.”

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