Cientistas revivem planta apĂłs 32.000 anos congelada

Por SOCIENTIFICA 26/04/2021 Ă s 08:05

No fim da dĂ©cada passada, em 2007, cientistas russos, hĂșngaros e norte-americanos recuperaram sementes congeladas de Silene stenophylla, enquanto avaliavam aproximadamente 70 antigas tocas ou esconderijos de esquilos terrestres na SibĂ©ria.

Sob exemplo, em 2012 cientistas conseguiram reviver uma planta do Pleistoceno, após 32.000 anos congelada.

Usando a datação por radiocarbono, a idade das sementes foi estimada entre 20.000 e 40.000 anos.

Normalmente os roedores levam as plantas para dentro de suas tocas, mas neste caso, uma enchente ou algum outro evento climĂĄtico enterrou toda a ĂĄrea.

Mas, como os roedores haviam colocado suas tocas quase no nível do permafrost, depois que congelou nunca mais derreteu.

Assim, as tocas foram encontradas numa profundidade entre 20 e 40 metros, contendo restos de grandes mamíferos, incluindo os mamutes.

No local os pesquisadores puderem encontrar mais de 600.000 frutas e sementes, totalmente preservadas, hĂĄ milhares de anos.

EntĂŁo, um ano depois da descoberta a Academia Russa de CiĂȘncias conseguiu ressuscitar com sucesso uma planta com flores.

Planta do Pleistoceno bate o recorde com sobras

A conquista supera de longe o recorde anterior, que pertencia a uma planta trazida de volta apĂłs 2.000 anos, o dendĂȘ, encontrado na Judeia.

Neste caso, os pesquisadores tentaram germinar sementes maduras do fruto, mas nĂŁo deu certo.

EntĂŁo, resolveram voltar para o prĂłprio fruto, cultivando plantas adultas a partir de tecido placentĂĄrio.

Cientistas revivem planta apĂłs 32.000 anos congelada

Esses foram os frutos encontrados na Permafrost. Imagem: Yashina et al.

A equipe cultivou 36 espĂ©cimes do tecido, percebendo que elas eram idĂȘnticas Ă s amostras modernas, atĂ© a etapa de floração.

Assim, as pétalas se mostraram mais longas e mais espaçadas do que as versÔes modernas da planta.

Além disso, chamou atenção o fato de que todas as sementes antigas germinaram, enquanto 90% das modernas chegaram a florescer. Contudo, os cientistas não conseguiram explicar por que isso aconteceu.

Por que uma planta sobreviveu tanto tempo?

Esse Ă© “de longe o exemplo mais extraordinĂĄrio de extrema longevidade para material de plantas superiores”, diz Robin Probert, do Millennium Seed Bank.

E ele continua: “nĂŁo Ă© surpreendente encontrar material vivo tĂŁo antigo, mas Ă© surpreendente que material viĂĄvel possa ser recuperado”.

Existem variadas respostas para o sucesso da recuperação da planta do Pleistoceno.

Conforme os cientistas russos envolvidos na pesquisa, as células do tecido possuíam bons níveis de sacarose, que atuava como um conservante.

Os pesquisadores indicam que a radiação gama da radioatividade natural do solo no local era muito baixo para prejudicar o DNA da planta.

Dessa forma, podem comparar com as sementes de lĂłtus, germinadas anteriormente apĂłs 1.300 anos.

Cientistas revivem planta apĂłs 32.000 anos congelada

A planta foi regenerada a partir do tecido da placenta de frutos imaturos. Imagem: Yashina et al.

É possĂ­vel ressuscitar espĂ©cies de animais extintos?

Probert pensa que as técnicas utilizadas na recuperação de Silene stenophylla talvez possam ser utilizadas para ressuscitar espécies extintas.

Até mesmo o paleontólogo Grant Zazula, que antes havia rechaçado possibilidades de uma regeneração voltou atrås.

“Essa descoberta eleva a fasquia incrivelmente em termos de nossa compreensão em termos de viabilidade da vida antiga no permafrost”.

Uma versão desta matéria foi publicada em julho de 2020.

Veja matéria completa em SOCIENTIFICA

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