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Cinco de sete cidades com mais vacinados no país têm 2ª onda mais leve

Por METRÓPOLES

Cinco de sete cidades com mais vacinados no país têm 2ª onda mais leve

Foto: G1

A vacinação caminha a passos lentos no Brasil: menos de 10% da população está imunizada. Essa não é, entretanto, a realidade de todas as cidades do país. Em sete municípios, mais de um terço dos habitantes já tomaram pelo menos uma dose da vacina. Já o total de aplicações em relação à população é superior a 50% em oito localidades.

As informações são do Ministério da Saúde e foram analisadas pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles. Elas levam em conta os dados disponibilizados até a tarde de segunda-feira (5/4).

O mapa a seguir mostra o percentual de doses do imunizante aplicadas em relação à população. Quanto mais intenso o tom de vermelho, maior o percentual.

O primeiro lugar é de um pequeno ponto vermelho bem à direita do mapa. Lá fica Marcação (PB), município litorâneo com 8,6 mil habitantes, de acordo com a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cidade está em primeiro lugar porque 77,5% da sua população é composta por índios Potiguaras. Das 6,3 mil vacinas aplicadas nos moradores de Marcação, 5,9 mil foram em indígenas. Isso representa 93% do total de doses do imunizante destinadas ao local.

Quando se leva em consideração o percentual de habitantes que já recebeu a segunda dose, Marcação também está em primeiro lugar. Nesse caso, são 31% da população, ou 2,7 mil pessoas. Para que alguém seja considerado imune à doença, são necessárias as duas aplicações do imunizante. Por isso, a segunda onda de Covid-19 no município pode ter sido mais leve.

O mesmo aconteceu nas outras quatro cidades que ocupam os cinco primeiros lugares da lista com o maior percentual de pessoas imunizadas – Baía da Traição (PB), Carnaubeira da Penha (PE), Charrua (RS) e Engenho Velho (RS).

Além da vacinação, há outros fatores que podem influenciar na queda dos números. Em primeiro lugar, as cidades também adotaram medidas de restrição à circulação da doença, não havendo a possibilidade de separar o efeito das duas estratégias de combate à Covid-19. Em segundo, são locais pequenos, onde um baixo número de casos é suficiente para distorcer os cálculos. O gráfico a seguir mostra a média móvel de casos de coronavírus nas cinco cidades. Os dados são do Brasil.io.

Na sua página no Facebook, a prefeitura da cidade comemorou o desempenho do município em relação à vacinação. “Marcação alcançou a marca de 7 mil doses aplicadas e se coloca entre municípios de grande porte, como a capital João Pessoa (PB) e Campina Grande (PB), e em termos percentuais de população vacinada entre as que mais se vacinaram no Brasil”, disse em postagem realizada no dia 26 de março. A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Marcação, mas não havia conseguido até o fechamento desta reportagem.

A lista das 10 cidades com o maior percentual de doses aplicadas em relação à população se divide entre aquelas com um grande contingente de indígenas vivendo no município e outras pequenas com população mais velha. No primeiro grupo, estão, além de Marcação, Baía da Traição (PB), São João das Missões (MG), e Carnaubeira da Penha (PE). Já no segundo, estão Engenho Velho (RS), São Valério do Sul (RS), Charrua (RS), Ipuaçu (SC), Benjamin Constant do Sul (RS) e Matutina (MG).

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) é o responsável por vacinar povos indígenas. Em nota, eles apontaram: “Até o momento, 73% dos indígenas acima de 18 anos atendidos pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASISUS) e especificidades da ADPF 709 já receberam a primeira dose de vacina e 55% receberam as duas doses. Cabe ressaltar que a vacinação não é obrigatória”, acrescentou.

A deputada federal Joenia Wapichana (REDE-RR), única parlamentar indígena na Câmara dos Deputados, contou que tem recebido relatos de problemas na distribuição das vacinas para indígenas que estão em lugares mais remotos na Amazônia. “Neste período é inverno e em Roraima está chovendo há uma semana. Imagina em áreas indígenas onde o transporte é só por meio fluvial. Não está tendo essa logística, o contato do município com o estado. A vacina chega na capital e fica estocada, ninguém busca”, disse.

Para o médico infectologista Julival Ribeiro, a imunidade coletiva começa a existir quando em torno de 70% a 80% da população de algum local está imunizada. Isso ainda não aconteceu em nenhum lugar do Brasil. Em Marcação 2.685 pessoas receberam a segunda dose, o que significa que 31% dos habitantes estão imunizados contra a doença.

Caso a vacinação em massa comece a acontecer no país, ele espera que a imunização coletiva seja possível no fim do ano ou em 2022. “Mas as pessoas precisam tomar todas as doses para serem consideradas vacinadas”, lembrou. Até lá, o melhor é manter as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras de proteção.

“Quanto mais descontrole da pandemia, mais mutações e mais variantes, que podem evadir cada dia mais a nossa proteção e comprometer as vacinas”, resumiu.

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