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Rio Branco
8 maio, 2021 8:09 pm

Comissão de Saúde da Aleac discute terceirização do setor de ortopedia do PS

Audiência pública proposta por Jenilson Leite contou com a participação do governo e trabalhadores da saúde

POR LEANDRO CHAVES, DO CONTILNET

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realiza na manhã desta terça-feira (20) uma audiência pública para debater a tentativa do governo do estado de privatizar o setor de ortopedia do Pronto-Socorro de Rio Branco.

Proposta pelo deputado Jenilson Leite (PSB), a reunião conta com a participação do secretário de Saúde Alysson Bestene, do presidente do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed) Guilherme Pulici, além de representantes do PS e do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sintesac).

O propositor disse ter ficado surpreso com a intenção do governo de terceirizar o setor de ortopedia porque, segundo ele, há tempos o serviço não enfrenta problemas. “Não compreendo. Não há sequer filas para atendimentos e procedimentos”, disse.

De acordo com o secretário de Saúde, assim que o atual governo assumiu havia demanda de espera de 30 dias por cirurgia ortopédica e que os próprios profissionais de saúde propuseram a terceirização para resolver o problema.

“O que ajudou a resolver a demanda reprimida foram os mutirões de cirurgia que fizemos ao longo dos meses”, justificou Alysson Bestene. Segundo ele, privatizar o setor vai ajudar a evitar sequelas em pacientes que tenham de aguardar na fila por algum procedimento.

O presidente do Sindmed, Guilherme Pulici, é contrário à privatização do setor. Ele afirmou que os ortopedistas que atuam na saúde pública do Acre são um dos melhores da região e que o setor de ortopedia do PS é um dos poucos serviços de referência.

“O problema não é mão de obra, mas sim de falta de materiais e insumos de trauma e ortopedia. Há suspensão de fornecimento de empresa por falta de pagamento, o que nos força a interromper cirurgias”, denuncia.

Ele diz ainda que a terceirização vai precarizar os vínculos entre governo, trabalhador da saúde e paciente. “Pode ser nociva porque distancia a gestão do usuário final, assim como aconteceu no Into, que registrou por um bom tempo dificuldades de acesso a informação por parte da população”.