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7 maio, 2021 12:09 pm

Filho diz que Flordelis tentou convencê-lo a assumir a autoria do assassinato de Anderson

Lucas disse que pedido veio da própria mãe, por meio de uma carta. A afirmação foi feita na manhã desta segunda-feira

POR G1

Filho afetivo da deputada federal Flordelis, Lucas Cézar dos Santos de Souza afirmou que a mãe o orientou a assumir a autoria do assassinato do pastor Anderson do Carmo.

“Isso veio em uma carta através dos advogados do Flávio. Cheguei no presídio dias depois dele. Ficamos na mesma cela. Minha mãe mandava cartas com frequência para mim. Em uma delas, ela pediu para eu assumir a autoria do crime. Do contrário, ela e o Flávio poderiam ser prejudicados. Ela pediu para eu fazer isso, falando que não iria me abandonar e me daria toda a assistência. Inclusive a carta tinha a assinatura dela”.

Lucas se refere a Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis e, segundo a polícia, responsável direto pelo assassinato do pastor.

A afirmação foi feita na manhã desta segunda-feira (19), durante depoimento prestado ao Conselho de Ética e Decoro da Câmara dos Deputados, em Brasília. Lucas prestou depoimento remoto, uma vez que está detido no Presídio Tiago Teles, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio.

Segundo Lucas, a carta foi rasgada dentro do presídio pelo próprio Flávio.

Responsável pela arma

Segundo Lucas, outra filha afetiva de Flordelis, Marzy Teixeira da Silva, foi a responsável pelo planejamento do crime. Isso, também afirmou Lucas, foi feito a mando da própria Flordelis.

“Quem entrou em contato comigo pela primeira vez foi a Marzy, em janeiro de 2019. Ela me ofereceu um dinheiro. Falou que o Anderson estava atrapalhando a vida dela, atrapalhando a vida da minha mãe e que ninguém na casa estava suportando mais ele e perguntou se eu não dava um fim nele. Na época, eu estava no tráfico de drogas. Ela me ofereceu o valor de R$ 10 mil e alguns relógios para eu dar um fim nele. E me mandou uns prints (cópias) de conversas dela com a minha mãe”, disse Lucas.

Segundo Lucas, em um dos prints, Flordelis pede a Marzy que o convença a cometer o crime.

“Em um dos prints que a Marzy e mandou, ela (Flordelis) pede para que a Marzy me convença a fazer isso. Para eu simular um assalto e matar ele. Que ela não estava mais suportando ele, que ele estava atrapalhando ela”, disse Lucas, afirmando que a deputada nunca pediu diretamente a ele que cometesse o crime.

Questionado pelo relator Alexandre Leite (DEM-SP), Lucas afirmou que Marzy não tinha nenhuma fonte de renda que assegurasse o pagamento do valor combinado.

No depoimento, Lucas confirmou ter intermediado a compra da arma utilizada no assassinato. Segundo ele, Flávio pagou R$ 8,5 mil pela compra da arma.

“Ele me disse que algumas pessoas estavam ameaçando ele e perguntou se eu conhecia alguém que poderia vender uma arma. Falei que sim, que conhecia alguém. Mas ele também não tinha condições financeiras para comprar a arma, já que trabalhava como motorista de aplicativo aqui no Rio”.

Lucas afirmou que a deputada nunca pediu diretamente que ele cometesse o crime.

Ainda segundo ele, o dinheiro para a compra da arma veio de Flordelis.

“Se ela tivesse interferido para que o crime não tivesse acontecido, com certeza o Anderson estaria vivo até hoje”.

Segundo depoimento

Além de Lucas, os deputados vão ouvir Andréa Santos Maia. Esposa do ex-PM Marcos Siqueira Costa, ela é acusada de fraudar uma carta na qual Lucas confessaria o crime. Ela também será ouvida pelo conselho nesta segunda, a partir das 13h.

“Conheci o Marcos Siqueira no presídio, através do Flávio. A Andréa o visiva duas vezes por semana.

Suspensão negada

A defesa de Flordelis protocolou na Comissão de Ética uma representação por exceção de suspeição por quebra de parcialidade do relator da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

“Nós estamos questionando a imparcialidade do relator que está conduzindo o trabalho dessa comissão. A defesa pede que a sessão seja suspensa até que o pedido de suspeição seja analisado”, a advogada de defesa de Flordelis, Janira Rocha.

O presidente da comissão, Paulo Azi (DEM-BA), recusou o pedido.

“Se porventura esta comissão considerar o trabalho do relator suspeito, é óbvio que todo o encaminhamento que for dado de agora em diante será anulado, mas estamos aqui para entrevistar pessoas que estão presas e há uma série de trâmites burocráticos para viabilizar as oitivas. Não vejo, neste momento, justificativa para suspender a presente reunião”.