O hospital de campanha para tratamento da Covid-19 instalado no Instituto de Traumatologia OrtopĂ©dica (Into) em Rio Branco, vai se tornar um grande caso de polĂcia. Foi a prĂłpria direção que trouxe a polĂcia para dentro da instituição para investigar possĂveis golpes de uma quadrilha de falsĂĄrios que agiria no hospital enganando parentes de pacientes ali internados.
De acordo com as primeiras denĂșncias sobre o caso, feitas pelo site de notĂcias ContilNet Ă partir de informaçÔes de familiares de pessoas internadas, os falsĂĄrios vĂȘm dizendo que no hospital faltam determinados medicamentos e que os pacientes sĂł teriam atendimento adequado com tais remĂ©dios se a famĂlia pagar determinadas quantias em dinheiro.
âProvavelmente, Ă© alguĂ©m se aproveitando do desespero das famĂlias com parentes internados e das informaçÔes de que faltam determinados medicamentos. Infelizmente, Ă© uma falta de medicamentos que vem ocorrendo no Brasil e o mundo, mas, no Acre, felizmente, nĂłs ainda temos o suficiente para atender aos nossos pacientes e orientamos as famĂlias a nĂŁo caĂrem no golpeâ, disse o diretor tĂ©cnico da empresa terceirizada Medical, que atua dentro do Into, Hilton Picelli.
âPor isso chamamos a polĂcia e orientamos familiares de pacientes que tenham sido abordados com esta histĂłria de falta de medicamentos e que Ă© necessĂĄrio a doação de dinheiro para comprar, que denunciem os casos Ă ouvidoria ou Ă direção do Into e que nĂŁo deixem tambĂ©m de procurar a polĂciaâ, acrescentou o diretor.
Segundo ele, o medicamento mais usado no processo de intubação de pessoas Ă© o Midazola e Fentamil, anestĂ©sicos bloqueadores musculares, que, efetivamente, estĂŁo em falta em algumas unidades da federação no Brasil e em vĂĄrios outros paĂses do mundo, mas no Acre hĂĄ estoques e a proposta de venda dos produtos pode conter uma sĂ©rie de crimes. O principal deles seria a possibilidade de alguĂ©m, de dentro do hospital, ter furtado algumas ampolas dos remĂ©dios e agora estaria oferecendo o produto ou, noutra hipĂłtese, grupos criminosos visando tirar dinheiro dos familiares de pacientes mesmo sem acesso aos medicamentos.
De acordo com o diretor Hilton Picelli. a polĂcia foi chamada para atuar no Into porque ali, a partir do aumento de circulação de pessoas, Ă medida que aumentou tambĂ©m o nĂșmero de pessoas internadas, estĂĄ havendo uma sĂ©rie de furtos. âPara se ter ideia, uma cafeteira que eu doei para uma das UTIs foi furtadaâ, revelou Hilton Picelli ao admitir que, diariamente, servidores e outras pessoas que passam por ali denunciam sumiço de bens â bolsas, telefones e atĂ© guarda-chuvas.
O Into dispĂ”e de pelo menos 400 servidores â todos terceirizados, entre mĂ©dicos, enfermeiros, tĂ©cnicos, assistentes sociais. âMas nos falta segurança armadaâ, admitiu o diretor.
AlĂ©m das pessoas que trabalham no local, o hospital dispĂ”e de 250 leitos de enfermarias e 50 de UTIs â todos ocupados nos Ășltimos dias por causa do aumento dos casos de Covid. O nĂșmero de pessoas internadas tambĂ©m faz aumentar a circulação de pessoas, parentes e amigos dos pacientes. âĂ neste clima que alguĂ©m pode vir se aproveitando das fragilidades para aplicar golpes e por isso pedindo ajuda da sociedade e da polĂcia para combatermos isso. Quem receber proposta para adquirir medicamentos ou colaborar em dinheiro para este fim, tem que denunciar. O Into oferece tudo o que Ă© necessĂĄrio: medicamentos, comidas, roupas de cama e vestimentas adequadasâ, disse Picelli

