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16 maio, 2021 4:51 pm

Mauro Modesto, o soldado da cultura acreana, será homenageado nesta terça

Prefeitura de Rio Branco homenageia o poeta e escritor e criador da Fundação de Cultura Garibaldi Brasil

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Exatos 31 anos depois de sua criação, a Fundação Municipal de Cultura e Desporto, que se tornaria a “Fundação de Cultura Garibaldi Brasil”, órgão da Prefeitura de Rio Branco, vai render, na manhã desta terça-feira (20), as devidas homenagens a seu criador e fundador, o poeta, jornalista escritor Mauro D’Avila Modesto, de 68 anos.

O nome atual da Fundação é uma homenagem a outro grande vulto da cultura local, o jornalista e promotor de Justiça Garibaldi Carneiro Brasil, paraense radicado no Acre e que faleceu em Rio Branco em 1986. A Fundação foi criada durante o governo do prefeito Jorge Kalume, em 1999, de quem Mauro Modesto era amigo e assessor para assuntos culturais.

Mauro Modesto/Foto: arquivo pessoal

Mauro foi, portanto, o primeiro diretor-presidente daquela que seria a casa de cultura do município de Rio Branco. Nascido em três de fevereiro de 1943, em Sena Madureira,no Acre, Mauro Modesto vem a ser o décimo primeiro dos catorze filhos de Iracema d’Ávila Modesto, amazonense, e José Modesto da Costa, migrante nordestino.

O próprio Mauro conta que, aos 15 anos de idade, percebeu que Sena Madureira, com suas ruas de terra batida e dependendo, como de resto todo o Acre, do contracheque dos servidores públicos para movimentar a incipiente economia local, era de fato muito pequena para o tamanho de seus sonhos. Sonhos de poeta em fase de descobrimento pessoal.

Foi estudar no Rio de Janeiro (e, posteriormente, em Minas Gerais), ocasião em que vivenciou novos horizontes e, de imediato, juntou-se aos poetas, motivo para belos encontros, formando aí, as rodas poéticas na cidade que fervilhava política e culturalmente. Aos 16 anos, começou a escrever seus primeiros versos.

Mauro Modesto, um soldado da literatura acreana/Foto: arquivo pessoal

É formado pela Universidade Federal do Acre (Ufac), em Ciências Econômicas, profissão que4 nunca exerceu.. Preferiu ser radialista, jornalista e poeta. Como jornalista, por 16 anos exerceu a profissão na Assessoria de Comunicação Social do Gabinete do Governador do Estado. “É por meio da poesia que exprimo minhas emoções, com narrações sobre o prazer, o deleite”, diz o poeta, que fala também de abandono, “sobretudo nas madrugadas frias”. Mauro costuma dizer a poesia é som em movimento, “é
suspiro de amor e sentimento, é saudade, nota predominante em sua temática”.

Um talento reconhecido inclusive também por outros talentosos grandiosos, como é o caso do filósofo, jornalista e escritor Antonio Stélio, acreano atualmente vivendo em Natal, no Rio Grande do Norte. Sobre Mauro, ele escreveu: “Mauro Modesto, depois que fixou residência, definitivamente, no Acre, como filho pródigo, organizou concursos de poesias, escreveu colunas em jornais, falou de poesia em tempos difíceis e se tornou um soldado da literatura acreana”.

Com o mesmo reconhecimento, a doutora e comendadora Nilza Pinheiro de Athayde Lieh, presidente da Academia Brasileira de Meio Ambiente, prefaciando Modesto, em 2010, ressaltou que “a cultura acreana tem na figura do poeta Mauro Modesto um dos seus maiores incentivadores, contribuindo, de maneira decisiva, na divulgação do Estado e da poesia acreana pelo Brasil afora, defendendo e honrando as causas da Amazônia, da educação, os valores do Brasil e o patrimônio histórico e cultural do Acre”.

Por seu ativismo cultural, Mauro Modesto é considerado o Príncipe dos Poetas Acreanos, título concedido pela Casa do Poeta Acreano, cujo presidente, à época, era o poeta, professor e jornalista Elzo Rodrigues da Silva, de saudosa memória. No bojo da difusão da cultura, publicou e lançou doze livros: “Desencontro”, em 1983, lançado em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Branco e Sena Madureira. “Por quê?” veio em 1985, lançado no Rio de Janeiro, Rio Branco e Sena Madureira. Em seguida, produziu “Toda Saudade Tem Um Nome”, de 1990, lançado no Rio de Janeiro, Rio Branco, Sena Madureira, Ibiraçu e Vitória – ES.

Em 1998, veio “Respingo de Paixão e de Saudade”, lançado agora também em Recife e Olinda – PE. Em 2000, nasce “Pedaços de Amor e de Saudade”, lançado agora também na cidade de Mariana-MG. “Neblina de Saudade” surge em 2004. “Do outro lado do monte” surge em 2010. “Saudades Ocultas na Linha do Horizonte” surge em 201” e “Saudades tuas, saudades minhas é 2013.

“‘Confidências – poesia a quatro mãos” foi lançado em 20125 em parceria com sua esposa, Edir Figueira Marques – 2015 – lançado nas cidades do Rio de Janeiro, Rio Branco, Brasiléia e Sena Madureira. “Uma vida… infinitas saudades” é 2017.

Além de escrever e publicar suas obras, Mauro Modesto é conferencista e memorialista, mas é na poesia que encanta. Acredita que a poesia refina a sensibilidade, serve de ponte para a compreensão do Eu e do Mundo, é linguagem imprescindível entre o indivíduo e a vida, contribuindo para o conhecimento de si e o respeito pelo outro. Para ele, poesia é a emoção que transcende o tempo e o espaço.

Tendo esta percepção e considerando que as escolas são celeiros de grandes talentos para difundir o valor da literatura, planta, até hoje, suas sementes na rede escolar, criando espaço no qual os adolescentes tem aproximação com a poesia.

Mauro fundou a Fundação Municipal de Cultura e Desporto, atual Fundação Garibaldi Brasil/Foto: arquivo pessoal

Foi o criador da Fundação Municipal de Cultura e Desporto – atual Fundação Garibaldi Brasil, durante a gestão do prefeito Jorge Kalume. Em 18 de maio de 1990, pelo Decreto nº 2.593-A, foi aprovado o Estatuto da referida fundação, da qual foi seu primeiro presidente.

Nesse período, realizou concursos estaduais e nacionais de poesia, sediou em Rio Branco o I Seminário da Poesia Brasileira, transformando a cidade, por uma semana, em “a capital da poesia brasileira”, com a presença de poetas, escritores e ativistas culturais do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Goiás, Amazonas e Rondônia, dentre eles o poeta Thiago de Melo. Realizou nas escolas da capital e interior, conferências sobre Castro Alves e Rui Barbosa; Manoel Bandeira, pela acadêmica Robélia Fernandes de Souza; e J. G. de Araújo Jorge, pelo jornalista e acadêmico Elzo Rodrigues da Silva; todos membros da Academia Acreana de Letras.

Mauro Modesto também fundou as Academias de Letras e Artes nos municípios de Sena Madureira, Xapuri, Plácido de Castro, Brasiléia, Assis Brasil, Senador Guiomard e Distrito de Campinas. Em Rio Branco, a Academia de Jornalistas e de Letras do Estado do Acre, o Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, a Federação das Academias de Letras e Artes do Estado do Acre, a Academia dos Poetas Acreanos e a Sub-chancelaria do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais de Brasiléia (Brasil, Bolívia e Peru).

Em 1987, participou de um concurso nacional de poesia, na cidade do Rio de Janeiro, concorrendo com mais de 20 mil poetas brasileiros e é agraciado com a medalha de ouro Raimundo Correia de Poesia, editado pela Shogun Editora e Artes. É detentor na cidade do Rio de Janeiro, das medalhas “Olavo Bilac”, do Mérito Acadêmico “Austregésilo de Athayde”, do Mérito Cultural Ambiental “Francisco da Silva Nobre”, do Mérito “Juscelino Kubitscheck” e “Jorge Amado”, dentre outras. Foi condecorado com as medalhas “Museu Maria da Fontinha”, Elos Clube de Leiria e medalha do Centenário de “Miguel Torga”, de Portugal. Recebeu, ainda, medalha de Embaixador da “Divine Académie Française des Arts, Lettres e Culture”, da França.

Mauro Modesto ocupa a Cadeira nº 13, da Academia Acreana de Letras, cujo Patrono é o jornalista Garibaldi Brasil. Foi Presidente desta Academia por oito anos. É Membro Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Acre. No Brasil, é membro da Federação das Academias de Letras do Brasil, da União Brasileira de Escritores, da Academia Brasileira do Meio Ambiente (da qual é presidente de honra), da Academia Pan-americana de Letras e Artes, do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, do Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes, da Academia de Letras e Artes de Paranapuã, da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, estas com sede na cidade do Rio de Janeiro; da Federação Baiana de Escritores e Academia Castro Alves, na Bahia; da Academia Interamericana de Literatura e Jurisprudência, de Anápolis, e Academia Goianiense de Letras, de Goiás; da Academia Internacional de Letras “Três Fronteiras” (Brasil, Uruguai e Argentina); da Internacional de Ciências Humanísticas, do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia de Letras, em Uruguaiana, além de inúmeras outras entidades culturais espalhadas no Brasil.

Recentemente, recebeu o troféu ATITUDE, na esfera da Educação, concedido pelo Ministério Público do Acre, em 2018, em reconhecimento pelo trabalho realizado, voluntariamente, nas escolas por 48 anos, com oficinas de poesia. Recebeu também, no mesmo ano, no Dia da Poesia, moção de louvor da Câmara Municipal de Rio Branco, por indicação do vereador Mamed Dankar.