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“O golpe tá aí, cai quem quer”. Mas, será?

Por TAÍS NASCIMENTO, SECOM

“O golpe tá aí, cai quem quer”. Mas, será?

FREEPIK

“O golpe tá aí, cai quem quer”. Mas, será? A frase é apenas um dos diversos exemplos de como a sociedade está longe de chegar a um nível de consciência mais evoluído, pois, utilizada de maneira banal, escancara o quão somos indivíduos inseguros e covardes diante dos próprios sentimentos.

Além disso, demonstra a falta de empatia e responsabilidade sobre o que causamos ao outro. Bauman – meu crush filósofo, tsc – diz que vivemos tempos líquidos e que nada é feito para durar. De fato! Dos eletrodomésticos às relações, hoje, nada mais é duradouro.

A modernidade trouxe facilidade e com ela o frenesi, emoções afloradas e caos. Isso é tão verdade que temos diversos sofrimentos psicológicos. Pois, a maioria das vezes, os sentimentos são disfarçados, escondidos a sete chaves pelo medo de julgamentos, de dedos apontados.

Nossa sociedade virou um ditador, e estamos sob o jugo da indiferença. Equilibrar-se nisso tudo é como tentar andar sobre uma corda bamba, e caindo nos golpes.

De uso desenfreado nas paqueras, affairs, crushs e seja lá como você conheça o termo, o interesse por alguém virou “golpe”. De acordo com a máxima do significado, só cai nele quem quer. Os psicólogos que lutem para cuidar de tanta gente adoecida por pessoas doentes. Um loop.

Falamos de amor fraternal, de amar o próximo como a nós mesmos. Estamos em uma pandemia, cujo um dos ensinamentos principais é o zelo pela vida, pela harmonia, pelas relações, pelo ser humano.

A Covid-19 nos mostra o quão frágeis somos, expõe todas as nossas fraquezas, nos isola, nos obriga a nos voltarmos para dentro e assumirmos quem somos. Nos ensina a solidão, o abismo. E no final, se passarmos por ela, veremos luz. Se não, morreremos sozinhos. E a sociedade? Arma o golpe!

Já acabou, Jéssica?

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