ContilNet Notícias

Senadores do Acre se negam assinar requerimento para CPI da Covid

Por TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Senadores do Acre se negam assinar requerimento  para CPI da Covid

Os três senadores do Acre – Sérgio Petecão (PSD), Mailza Gomes (PP) e Márcio Bittar (MDB) – não vão assinar o requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Covid-19, que deve ser instalada no Senado na semana que vem. A CPI deve ser instalada por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, tomada na última quinta-feira (8), determinando ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a instalação da investigação sobre eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia.

Pacheco acatou a decisão judicial, mas disse que o momento não é o ideal para a instalação da CPI, pela possibilidade de que seja usada como “palanque político” para as eleições do ano que vem. No entanto, o presidente do Senado determinou que os partidos indiquem seus membros.
Mesmo que os três senadores pelo Acre, que apoiam o presidente Jair Bolsonaro entendem que a CPI visa atingir o governo politicamente com vista às eleições do ano que vem, já que o atual chefe do Executivo seria candidato à reeleição, não tenham assinado o requerimento, os proponentes da investigação conseguiram os números necessários para instalar a investigação. Regimentalmente, seriam necessários 27 assinaturas de senadores. O requerimento, apresentado por Randolfe Rodrigues (REDE-AP), foi apresentado com 30 assinaturas.

A decisão do ministro Luís Robeerto Barroso, determinando a instalação da CPI por meio de liminar, foi uma resposta a uma ação movida pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO). O senador Randolfe Rodrigues apresentou pedido para instalação da CPI em 4 de fevereiro, com a assinatura de 29 parlamentares, além da sua, como autor. O presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG), entretanto, não instalou a comissão. Em entrevista ao programa Roda Viva, no início de março, ele afirmou que uma CPI seria “contraproducente”.

Diante da demora de Pacheco, os senadores do Cidadania resolveram acionar o STF para tentar agilizar a instalação. Barroso considera que não há motivo para que o Senado deixe de instalar a CPI. E, segundo o documento, isso deve ser feito com urgência, devido ao agravamento da situação da covid-19 no país. O ministro ressaltou que o Brasil vive “seu pior momento, batendo lamentáveis recordes de mortes diárias e de casos de infecção”.

Dos três senadores acreanos que se negaram assinar a proposta, o único que se dispôs a falar abertamente sobre o assunto foi Márcio Bittar. “Não assinei nem vou assinar”, disse o senador ao ContilNet, que admitiu a possibilidade de aliados do Governo trabalharem até a última hora para que os senadores que assinaram o documento retirem seus nomes. “Acho isso quase impossível de acontecer, mas no parlamento esta é uma ação legítima”, disse Márcio Bittar.

O senador acreano acrescentou que não assinará o pedido de CPI porque é Governo. “Quando foi para ser oposição, eu fui. Quando agora eu sou Governo, eu sei ser também. CPI é instrumento de o posição e eu sou Governo”, afirmou.

De acordo com Márcio Bittar, uma CPI sobre a pandemia deveria investigar governos estaduais e municipais que, segundo ele, sumiram com o dinheiro enviado pelo governo federal para combater a pandemia. “Nos estados em que o dinheiro sumiu, os proponentes da CPI no Senado não querem investigação. Por isso, eu entendo que essa CPI tem caráter político, com vistas às eleições do ano que vem e por isso eu não a assinarei”, disse Bittar.

Sobre o argumento do ministro Luís Carlos Barroso sobre a existência de assinaturas suficientes para a instalar a CPÌ, Márcio Bitatr fez um questionamento. Segundo ele, no Senado há várias propostas de impeachment de ministros do STF com assinaturas de senadores suficientes para que as propostas tramitem. “Por que o ministro também, não se posicionou sobre isso? Porque esta CPI é mais uma demonstração de o STF usurpando prerrogativas do Legislativo, que é de legislar”, disse Bittar.

Sair da versão mobile