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24 junho, 2021 10:53 pm

Briga interna no PSOL do Acre pode virar caso de polícia

Militante e presidente trocam acusações dentro do partido de esquerda que mais cresceu no país nas últimas eleições

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Denúncias, ameaças, troca de acusações e muita torpeza. Os ingredientes que sempre caracterizaram as disputas internas em partidos tradicionais, também chegou aos partidos de esquerda – ou ao menos um deles, o PSOL, no Acre. A preparação para a renovação do diretório regional do PSOL, sigla do Partido Socialismo e Liberdade, agremiação de esquerda que surgiu de uma dissidência do PT em junho de 2004, vem sendo travada nos bastidores com todos aqueles ingredientes explosivos.
O Partido é simbolizado pelo número 50 cercado pelo vermelho, o amarelo e o laranja e tendo como logotipo principal um sol sorridente desenhado pelo cartunista Ziraldo. Alegrias, portanto, só na simbologia. Na prática, rasteiras, troca de acusações, um autêntico caso de polícia, numa briga em que só falta dedo no olho. Aliás, brigas físicas já foram registradas, quando o militante Jocivan Santos, que está por trás das denúncias contra a direção regional, teria sofrido agressões por parte de um militante ligado à direção do PSOL. A direção do partido nega envolvimento na agressão e diz que Jocivan Santos não passa de um bandido.
Pelo menos foi o que garantiu o presidente regional Jamyr Rosas, que disse vir se preparando para ir à polícia denunciar Jocivan Santos, por injúria, difamação e calúnia. Santos, por sua vez, diz falar em nome de um grupo de militantes que não quer a participação de Rosas na comissão eleitoral que organiza a renovação do diretório regional, uma prática prevista no estatuto do Partido para ocorrer a cada três anos.
Santos diz que Rosas não tem condições morais para conduzir o processo por responder, segundo ele, processos na Justiça por crimes que incluiria até falsificação de documentos. Rosas, por sua vez, devolve as acusações dizendo que quem não tem condições morais nenhuma é seu acusador, que seria um velho conhecido da polícia por ter sido preso por várias vezes por crimes que inclui até estelionato. “Ele já esteve bem perto de ir para o presídio pela prática desses crimes”, disse Rosas.
Jocivan Santos, por isso, estaria inclusive afastado da atividade partidária, acrescenta Jamyr Rosas. “Eu sou da direção nacional do PSOL. Somos um Partido com instâncias. Se um militante não está satisfeito com a nossa gestão, que ele vá à instância superior, que é o diretório nacional. O que esse rapaz faz, na verdade, é por uma questão pessoal contra minha pessoa e por isso ele nos ataca para desmoralizar o Partido”, disse Jamyr Rosas. “Ele será responsabilizado criminalmente por isso. Nós somos um Partido com mais de três mil filiados e 95% desse número está conosco. O grupo que esse rapaz diz representar não chega a 20 pessoas e por isso essa prática abominável de difamação”, disse o presidente.
A briga interna no Partido é contrário a tudo o que se compreende como um partido de esquerda e que defende o socialismo democrático. O PSOL se apresenta como um partido de esquerda ampla, pois não funcionaria por centralismo democrático e agrega diversas correntes internas desde reformistas até revolucionárias. Sua criação foi impulsionada por dissidências do Partido dos Trabalhadores  que alegavam discordar das políticas do partido. Já no primeiro ano do Governo Lula, Luciana Genro, Heloísa Helena, Babá e João Fontes vinham descumprindo as orientações da bancada do PT nas votações no Congresso e, por votarem contra a reforma da previdência do governo Lula, acabaram expulsos pelo diretório nacional do Partido dos Trabalhadores e impulsionando a formação do PSOL.
Dentre os destaques na atuação do Partido, o então deputado estadual Marcelo Freixo presidiu na Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro a CPI das Milícias, a qual ganhou repercussão nacional, chamando para depor políticos suspeitos de envolvimento com milícias. Isso impulsionou o Movimento Ficha Limpa, em que o partido participou de atos favoráveis ao projeto de Lei da Ficha Limpa e trabalhou no Congresso pela sua aprovação.  A vereadora Marielle Franco, asssinada em março de 2018, era uma das lideranças do movimento e do PSOL.
Após as candidaturas presidenciais de Heloísa Helena (2006), Plínio de Arruda Sampaio (2010) e Luciana Genro (2014), Guilherme Boulos foi lançado candidato ao Planalto pelo partido em 2018. Desde a eleição de 2014, o PSOL foi o terceiro partido que mais cresceu em número de filiados. Através das diversas eleições, dos parlamentares do partido e dos movimentos onde atua, este faz oposição aos governos e à maior parte das políticas que se manifestam no Congresso Nacional do Brasil e nos parlamentos estaduais e municipais. Em abril de 2021 o partido possuía 260.361 filiados em todo país.
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