Em entrevista, Marina critica Bolsonaro, Lula e Ciro e diz que talvez nĂŁo dispute em 2022

Por TIÃO MAIA, PARA CONTILNET 10/05/2021 às 07:35

Aos 63 anos de idade, a acreana Marina Silva, ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, foi candidata Ă  presidĂȘncia da RepĂșblica nos Ășltimos 12 anos, na disputa de trĂȘs eleiçÔes consecutivas, parece desanimada em disputar uma quarta campanha eleitoral. É o que se depreende de sua Ășltima entrevista Ă  revista Veja, na qual a voz conhecida dos acreanos e muito influente na polĂ­tica brasileira, agora Ă  frente da Rede Sustentabilidade, quer recolher-se em 2022. A entrevista da acreana estĂĄ na seção pĂĄginas amarelas da revista.

Mesmo que nĂŁo esteja disposta a pedir votos para si, Marina Silva nĂŁo estaria fora da polĂ­tica, segundo ela prĂłpria deixa claro na entrevista. Nas declaraçÔes Ă  Veja, Marina Silva distribui bordoadas para todos os lados, principalmente em direção ao presidente Jair Bolsonaro em função de suas declaraçÔes na chamada CĂșpula do Clima, convocada de forma remota pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. A cĂșpula foi encerrada na semana passada e nela, segundo Marina Silva, Bolsonaro mentiu ao anunciar polĂ­ticas capazes de gerar o desmatamento ilegal na AmazĂŽnia atĂ© 2030. “NĂŁo podemos repetir os erros do passado nem manter esse presente que estĂĄ sepultando nosso futuro”, afirma Marina, em declaraçÔes reproduzidas pela revista.

Quando indagada sobre como estaria sua disposição de participar de uma coalizão que possa se apresentar na disputa como uma alternativa à Lula ou à Bolsonaro em 2022, Marina Silva diz o seguinte: “Considero mais adequado não discutir minha função, mas, sim, o meu compromisso. É preciso construir uma alternativa. Não podemos repetir os erros do passado nem manter esse presente que está sepultando o nosso futuro”.

Marina deixa escapar o sonho de uma coligação envolvendo o PSB, o PV, o Cidadania e o PDT do boquirroto e extremista contra Bolsonaro Ciro Gomes – embora tenha crĂ­ticas aos marqueteiros ao presidenciĂĄvel pedetista. Marian Silva, na mesma entrevista, sai em defesa da manutenção da “Operação Lava Jato”, em Curitiba. Segundo ela, o fato de o ex-juiz Sergio Moro ter sido declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nĂŁo invalida a Lava Jato. “O fato de o juiz ter sido considerado suspeito nĂŁo apaga o grave problema da corrupção identificada pela Lava-Jato. Colocar na cadeia e punir polĂ­ticos e empresĂĄrios poderosos foi uma contribuição importante”, disse. Por outro lado – acrescentou, na mesma entrevista -, ficou claro que utilizar meios incompatĂ­veis com os fins que se quer alcançar leva a situaçÔes como a que enfrentamos agora, em que todo o processo Ă© anulado, prejudicando foda a operação.

Para Marina Silva, isso “nĂŁo anula os crimes cometidos, que devem ser investigados e rigorosamente punidos. Um dos graves problemas do Brasil, alĂ©m da corrupção, Ă© estar remando contra a marĂ©, com uma visĂŁo de desenvolvimento que volta para o inĂ­cio do sĂ©culo XX, enquanto o mundo inteiro estĂĄ caminhando na direção das exigĂȘncias do sĂ©culo XXI”.

O anuncio da contratação do marqueteiro baiano JoĂŁo Santana, que trabalhou para o PT desde Lula atĂ© Dilma Rousseff e que chegou a ser preso por irregularidades no recebimento de dinheiro oriundo da `PetrobrĂĄs, o qual acaba de ser anunciado como publicitĂĄrio do PDT de Ciro gomes, foi criticada por Marina Silva. “Eu nĂŁo tenho como falar pelo PDT. O que posso dizer Ă© que, desde 2010, eu defendo que a disputa presidencial seja pautada em cima de um projeto JoĂŁo Santana Ă© a antĂ­tese de tudo isso. Ele demonstrou na prĂĄtica, na lĂłgica dele e dos que o contrataram, que “fake news vale a pena”. Essa tecnologia de usar notĂ­cias falsas para se eleger começou”, disse a acreana.

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