ManĂ­aco se tornando serial killer com ‘gosto de matar’ Ă© quem matou estudante de Campo Grande

Por LÚCIO BORGES - CORRESPONDENTE em MS 28/05/2021 às 07:02

CAMPO GRANDE (MS) – As entĂŁo vĂ­timas que escaparam de JosĂ© Tiago Correia Soroka, 33 anos, apontado pela polĂ­cia como serial killer de Curitiba, o descrevem como frio e que tem “desejo de matar”. Ele, atĂ© o momento, em descobertas da PolĂ­cia Civil curitibana, matou ao menos trĂȘs homens, incluindo um Campo-grandensse, Marcos VinĂ­cio Bozzana da Fonseca, 25 anos. O jovem de Campo Grande-MS era estudante de medicina na Capital do ParanĂĄ, e seria homossexual, como os outros dois assassinados. “Gosta de matar”, teria dito uma das vĂ­timas que sobreviveram a tentativas de asfixia. A fala do manĂ­aco homofĂłbico (Ăłdio de gays), porque atĂ© o momento sĂł operou contra homens gays, teria saĂ­do em novo ataque, dias apĂłs assassinar o jovem da Capital de Mato Grosso do Sul.

A PC de Curitiba, vem investigando os crimes, e conseguiu relacionar, identificar e divulgar as imagens JosĂ© Tiago Correia Soroka, que ainda Ă© tratado como suspeito de matar trĂȘs homossexuais na regiĂŁo Sul do Brasil, porque dois foram em Curitiba-PR e um em Santa Catarina. Com o retrato falado do serial killer, passaram a surgir entĂŁo mais vĂ­timas e seus depoimentos de pessoas sobre o comportamento do apontado como o assassino do estudante da Capital e outros dois, um enfermeiro. JosĂ© Tiago usou Grindr, aplicativo de encontros voltados ao pĂșblico LGBT+, para atrair as essas vĂ­timas fatais. Com nomes falsos, sendo articulado, sedutor, cortĂȘs, bateu papo com os homens atĂ© convencĂȘ-los de se conhecerem pessoalmente.

Conforme a PC-PR, dois homens relataram ter sobrevivido aos ataques de Tiago. Um deles foi à polícia e até teria feito o reconhecimento oficial de seu agressor. O outro, deu entrevista para emissora de TV de Curitiba (PR). E ainda até uma ex-esposa, com quem o suspeito morou até o início de 2021, também é uma das vítimas de tentativa de homicídio. A mulher foi ouvida pela DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Curitiba.

Em reportagem da revista PiauĂ­, o delegado responsĂĄvel pelas investigaçÔes no ParanĂĄ, Thiago NĂłbrega, disse que ela morre de medo do ex-companheiro. “Os dois viveram juntos atĂ© o inĂ­cio deste ano, quando ele tentou matĂĄ-la pela segunda vez, com um mata-leĂŁo. Ela terminou o relacionamento, deu queixa e conseguiu medida protetiva. Ele Ă© descrito como de comportamento bastante instĂĄvel. Amoroso, mas explosivo. De uma hora para outra, se transforma em outra pessoa. A ex-mulher morre de medo dele. Tem pavor”, disse o delegado.

ManĂ­aco se tornando serial killer com ‘gosto de matar’ Ă© quem matou estudante de Campo Grande
ManĂ­aco se tornando serial killer com 'gosto de matar' Ă© o homem que matou estudante de CG em Curitiba

Suspeito do crime de latrocínio é procurado pela Polícia Civil do Paranå (Foto: Divulgação PC-PR)

Mais na revista PiauĂ­

A reportagem da revista PiauĂ­, descreve que um dos sobreviventes Ă© arquiteto, morador do Bigorrilho, bairro de classe mĂ©dia em Curitiba. “O encontro foi marcado para uma tarde de terça-feira. Eram 15h20 do dia 11 de maio quando a vĂ­tima abriu a porta de seu apartamento para “Ricardo”, o rapaz que havia conhecido atravĂ©s do aplicativo de encontros.

O visitante se apresentou educadamente, mas nĂŁo usou meias palavras: perguntou o que o arquiteto gostava de fazer durante a relação sexual, pediu que ele tirasse a roupa e virasse de costas. Foi quando Tiago surpreendeu a vĂ­tima com o golpe do tipo mata-leĂŁo”, cita a matĂ©ria da revista.

“Eu sou o Coringa! Eu sou louco, gosto de matar”, disse JosĂ© Tiago, relatou o sobrevivente. Ele de inicio achou que era uma brincadeira e teria advertido que nĂŁo gostava de sexo violento. Mas, o agressor continuou tentando asfixiĂĄ-lo e teceu a frase.

À revista, o arquiteto relata que conseguiu se desvencilhar, mas Tiago fez menção de estar armado e o obrigou a lhe entregasse celular e notebook. “Antes de fugir, cortou os fios do interfone e do telefone fixo do apartamento. O arquiteto correu para o apartamento de um vizinho e interfonou ao porteiro, pedindo que barrasse a saĂ­da do visitante. Era tarde: ‘Ricardo’ tinha acabado de deixar o prĂ©dio”, afirma a revista.

Perfil manĂ­aco que estava se tornando serial killer

A polĂ­cia Curitibana diz nĂŁo ter mais dĂșvidas, de que Ă© um perfil manĂ­aco que estava se tornando serial killer. “É cada vez mais claro que as intençÔes do suspeito nĂŁo era sĂł roubar, mas matar. Em todos os casos, as vĂ­timas tinham carteira com dinheiro, jĂłias, relĂłgios, mas sĂł foram levados o celular e o notebook, o que leva Ă  conclusĂŁo, que JosĂ© Tiago, queria evitar qualquer forma de rastreamento. Ele tinha conhecimento em informĂĄtica para isso. A gente tentou rastrear remotamente os aparelhos, mas o suspeito jĂĄ havia entrado no equipamento e trocado as senhas”, comentou o delegado Marcelo Fernando Tescke para a reportagem da PiauĂ­.

JosĂ© Tiago nasceu em Palmas, municĂ­pio de 51 mil habitantes no Centro-Sul do ParanĂĄ, na divisa com Santa Catarina, e passou a infĂąncia com os pais e a irmĂŁ. Ele teria sido abusado sexualmente na infĂąncia e ficou traumatizado. “A irmã aponta que tinha lembranças de abusos, mas acredita que ele tenha ficado traumatizado, porque jĂĄ passou por tratamentos psiquiĂĄtricos. NĂŁo se sabe se os crimes tĂȘm relação com esse trauma ou se ele sentia alguma aversĂŁo a homossexuais e por isso escolhia vĂ­timas gays”, afirma o delegado Tiago NĂłbrega.

“Pelo que a investigação nos aponta, o criminoso aparenta ser um psicopata. Pelos casos, pela mudança brusca de comportamento, a gente consegue enquadrá-lo como um serial killer. Tudo leva a crer que sejam crimes de ódio”, completou Nóbrega na entrevista à revista.

Os crimes seriados ou seguidos

José Tiago, matou no dia 4 de maio, o campo-grandense Marcos Vinício Bozzana da Fonseca, que estudava Medicina em Curitiba desde 2017. A PC-PR afirma que ele matou, também na capital paranaense, o enfermeiro David Levisio em 27 de abril, e na cidade de Abelardo da Luz (SC), em 16 de abril, o professor de geografia Robson Olivino Paim, 36 anos.

E ainda, a polĂ­cia investiga se um advogado, de 35 anos, encontrado morto na capital paranaense no dia 30 de abril foi vĂ­tima pelo mesmo criminoso.

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