“Meu amor, como você tá? Já já, (sic) tô indo aí falar com você”. É impossível fazer uma visita à empresária Zayra Ayache, CEO da Ótica Moderna, e não ouvir essa frase – ou frases parecidas – algumas vezes. Seu carisma e sua habilidade nos negócios a colocaram como uma das empresárias mais importantes do Acre, mas isso não a deixa vislumbrada: até hoje, ela atende pessoalmente seus clientes e tem uma rotina diária de muito trabalho, dentro e fora de sua empresa.
Mas o que levou a reportagem do ContilNet Notícias a fazer uma breve visita à empresária, na sede da ótica, foi saber um pouco sobre como é sua rotina de mãe e avó – uma de suas paixões, como ela mesmo revela. Nesse Dia das Mães (9), Zayra foi uma das personalidades escolhidas por nossa equipe para ter um pouco de sua história contada.
Zayra Ayache: a querida empresária acreana, conta que que teve sua família transformada. Foto: cedida
“Eu poderia fazer mil casos aqui, dizendo que eu sou a mulher perfeita. Não sou”, afirma. Mas ela já quis ser. Zayra, que hoje se define como uma nova mulher, revelou que sofreu uma série de transformações e um dos fatores que mais causaram essa metamorfose foi a luta contra a covid.
Ela conta que não foi uma luta fácil. “Eu peguei [covid] em uma viagem de negócios – em São Paulo. Fiquei sozinha – quer dizer, não fiquei sozinha porque, hoje, entendo que Deus esteve comigo o tempo todo e criei amigos lá. Mas a verdade é que minha própria família, por quem batalhei muito, não me ajudou. Enfrentei dias difíceis, de não ter água para beber. Mas Deus cuidou de tudo e apareceram, na minha vida, pessoas santas que me ajudaram a passar por esse momento. Foi uma luta”, afirma. Ela se emocionou em vários momentos da nossa conversa.
Zayra também falou de outros assuntos, sobretudo sobre o amor pelos netos e como sua jornada de desenvolvimento pessoal fez com que ela se tornasse uma nova mulher. “Quando eu falo isso, é porque, antes, a [antiga] Zayra cuidava mais dos outros do que dela. Hoje, eu protejo quem precisa, mas são eles [cada um dos familiares] que devem voar com suas próprias asas. Hoje, eu me posiciono. Essa nova Zayra veio para somar. E para ficar”, disse aos risos.
Os netos são a grande paixão de Zayra. Foto: cedida
Confira como foi nossa conversa:
ContilNet: Você gosta de tudo que faz. Mesmo tendo à sua disposição um time completo, ainda faz questão de atender. Além disso, tem compromissos como mãe, chefe de família e avó. Como lidar com tudo isso?
Zayra: Eu poderia fazer mil casos aqui, dizendo que eu sou a mulher perfeita. Não sou. A mulher maravilha tá aqui [aponta para uma miniatura da Mulher Maravilha em sua mesa]. Eu faço tudo com muita simplicidade. Tenho pessoas que me ajudam nessa jornada. É desafiador sim. Hoje, por exemplo, atendi na hora do almoço. Tenho minha vida, minha família, meus filhos, netos, os funcionários que dou toda atenção. Mas eu amo o que eu faço e isso faz toda a diferença. Meus clientes são fiéis, eles gostam do meu trabalho e da exclusividade que eu ofereço. No Acre, quem usa algo diferente, está usando Moderna. Eu atendo pessoalmente, e com muito gosto.
Em casa, eu faço questão de fazer a janta do marido e dos filhos. Mas, a verdade é que estou muito diferente. Estou conquistando minha independência.
Você contou que está diferente. Em que sentido? E o que te fez mudar?
A Zayra hoje é tudo isso que falamos e um pouco mais. Eu enfrentei a covid, como muita gente sabe, e acredito que Deus me trouxe de volta. E se Ele me trouxe, foi com alguma missão.
Amo tudo que eu faço, amo minha família, meu domingo é dos meus netos. Sou CEO da Óticas Moderna. Todo planejamento é meu, feito com muito amor junto com essa equipe que você [nosso repórter] está conhecendo. Fazemos um trabalho à muitas mãos. A última palavra não é a minha; ouço todos. Se vejo alguém triste, eu, pessoalmente, vou e converso: “Você não está feliz? Que houve?”
Tá doente? Por favor, você precisa se tratar. Precisando de descanso? Passando por dificuldade? Vem cá, quero entender o seu caso. Trabalho de uma forma muito limpa e direta. Até me emociono falando sobre isso.
Entre uma brecha e outra na agenda, Zayra aproveita para curtir a família. Foto: arquivo pessoal
Você contou que contraiu covid-19. Como foi passar por isso? Você tira alguma lição desse desafio? Qual foi o impacto na sua vida?
Impactou em tudo! Vou ser sincera: eu, como muitos brasileiros, não tinha noção da gravidade desse vírus. Criou-se um clima de insegurança. Eu me alimentava bem, praticava exercícios. Pensava: “Pessoas saudáveis não pegam”. Muita gente pensava assim. Tivemos noção da gravidade quando aconteceu com Anderson [Cunha, filho de Zayra]. Foi uma correria.
Comigo, foi mais intenso: eu peguei em uma viagem de negócios – em São Paulo. Fiquei sozinha – quer dizer, não fiquei sozinha porque, hoje, entendo que Deus esteve comigo o tempo todo e criei amigos lá. Mas a verdade é que minha própria família, por quem batalhei muito, não me ajudou. Enfrentei dias difíceis, de não ter quem me desse água para beber. Mas Deus cuidou de tudo e apareceram, na minha vida, pessoas santas que me ajudaram a passar por esse momento. Foi uma luta.
Simultaneamente, no Acre, meu marido [Zayra é casada com o empresário Auricélio Cunha] também pegou. Ele quase morreu. Ele teve um pós-covid que agrediu o pulmão. Com tudo isso, eu aprendi lições preciosas: a gente pode contar com poucos, o Acre é uma terra incrível e com pessoas mais incríveis ainda. Só de falar do Acre, eu me emociono.
[Nesse momento, a reportagem é interrompida porque Zayra se emociona. Durante cerca de 15 minutos, conversamos, em off, sobre assuntos pessoais e Zayra dá mais detalhes sobre o sofrimento que passou durante a pandemia. Nossa reportagem prefere, em respeito à empresária e sua família, não dar mais detalhes. Tentamos mudar um pouco o assunto]
Zayra, o esposo Auricélio e os filhos Anderson e Andressa. E, claro, uma das mascotes da casa. Foto: arquivo pessoal
Percebi que, quando você falou do Acre, seu semblante mudou. Quer falar um pouco mais sobre o carinho que você tem pelo nosso estado?
Aqui, não falta gente para perguntar como você tá. Aqui não falta gente que te dê o pão. Que,literalmente, te sirva. Lá fora, não é assim. As pessoas não olham para você. Foi uma lição preciosa, mas aprendida a duras penas. Eu tinha até desistido de trabalhar. Falei: quer saber? Vou parar. Vou cuidar de mim, das galinhas [risos]. Eu adormeci.
Nessa mesma época, quase toda a minha equipe [os profissionais da ótica] foram embora. Fiquei apenas com duas pessoas. Elas foram embora com medo da covid. Me vi em uma situação sem saída. Pensava: e agora? E pensei: “Agora sou eu”. Não tem jeito. Vou ter que trazer aquela mulher de volta. E assim eu fiz. Mais uma pessoa foi embora. Ficamos apenas eu e Toinha [Toinha estava perto, acompanhando durante alguns minutos].
Arregacei as mangas e pensei: vou mostrar quem a Zayra é. Foi muito legal. Foi quando eu comprei essa boneca, essa caneca [ambas da Mulher Maravilha] e comecei a fazer cursos, treinamentos da área de desenvolvimento humano, conheci pessoas que me jogaram pra cima, busquei um mentor incrível. Definitivamente, me encontrei com Deus. O que aconteceu comigo foi coisa de Deus.
[Zayra se emociona novamente. Nesse momento, ela conta de sonhos e experiências que teve em São Paulo que a fizeram se conectar ainda mais com Deus]
Foi um milagre. Você não tem noção. É por isso que, hoje, sou uma nova Zayra.
Como foi essa nova Zayra chegando na família? [risos] O que eles sentiram?
Eles ficaram morrendo de medo [risos]. Tô tocando o terror. Quando eu falo isso, é porque, antes, a [antiga] Zayra cuidava mais dos outros do que dela. Hoje, eu protejo quem precisa, mas são eles [cada um dos familiares] que devem voar com suas próprias asas. Antes, eu realmente queria ser a super heroína, aceitava muita coisa, muitas vezes chorando. Hoje, eu me posiciono. Essa nova Zayra veio para somar. E para ficar [risos].
Eu tenho muita paciência, hoje. Antes, eu achava que ter paciência era aceitar tudo e calar. Hoje entendo de uma forma muito diferente. Ser paciente é ter inteligência emocional. Eu tive que me recriar.
Que mentor é esse? Quer compartilhar essa experiência para que sirva de lição para outras mães e mulheres acreanas que estão nos lendo?
Pablo Marçal. Eu assisti um vídeo de 12 minutos, dele com a esposa [Carol Marçal] que mudou a forma como eu via meu casamento, por exemplo. Antes, eu comprei alguns materiais do Paulo Vieira e foi através dele que cheguei até o Pablo.
Com eles, aprendi a lidar com ‘os monstros’ que nos cercam. [O PhD Paulo Vieira fala muito sobre diálogos internos, que são vozes interiores que nos falam, rotineiramente, que não somos capazes, expondo nossos medos, fragilidades e promovendo a autossabotagem]
As coisas mudaram. E estão mudando. Um dia, quero falar ainda mais sobre isso.
Zayra e a filha Andressa. Foto: arquivo pessoal
E como você define essa nova Zayra? Como ela lida com a maternidade e com os netos?
Sou apaixonada pelo trabalho. Amo o que faço. Ainda estou alinhando muita coisa na minha vida e confesso que, em se tratando dos meus netos, sinto que há pontos de melhoria, mas eu não sou o tipo de avó que vai fazer crochê. Amo, admiro quem faz, estimulo que façam, mas esse não é o meu perfil.
Em contrapartida, se algum familiar estiver precisando, se alguém da minha casa me ligar, eu sou capaz de parar qualquer coisa que eu esteja fazendo e ir socorrer. Tudo isso, claro, respeitando muito meus clientes, que foram conquistados com muito esforço. Se eu estiver atendendo, é total respeito às pessoas que estou atendendo. Eu não paro.
Quanto aos netos, meu domingo é deles. Fora isso, se acontecer algo durante a semana, se minha netinha precisar de mim, eu paro. Sou tarada neles, caraca! [risos]
Que mensagem essa nova Zayra daria nesse Dia das Mães? O que ficou de aprendizado que você gostaria de compartilhar com as mães do Acre?
Não tenham medo de ninguém. Sejam ousadas. Aprendo um negócio chamado IVP [Índice de Viração Própria, técnica usada até em recrutamentos de grandes empresas para definir o conjunto de habilidades que determina se um indivíduo é capaz de manter o foco e ter a energia mental necessária para superar desafios].
E é isso! Mães tendem a querer fazer tudo pelos filhos. Sai fora! [risos] A nova mãe é essa. Ceder também é uma forma de amor! Deixem eles se virarem um pouquinho [risos].

