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20 junho, 2021 5:30 pm

Xavi na comissão técnica da Seleção Brasileira? Entenda

O ex-jogador do Barcelona e técnico do Al Sadd, foi procurado pela CBF para integrar a comissão técnica de Tite para a Copa 2022

POR TRIVELA

A terça-feira (18/5) teve uma notícia bastante inusitada divulgada pelo AS, da Espanha. Xavi, ex-jogador do Barcelona e técnico do Al Sadd, foi procurado pela CBF para integrar a comissão técnica de Tite para a Copa 2022.

Depois do Mundial, ele assumiria o posto como técnico principal, com a saída de Tite. Xavi agradeceu a oferta, mas rejeitou.

Xavi renovou o seu contrato com o Al Sadd recentemente até 30 de junho de 2023. No contrato, há uma cláusula de liberação por um valor simbólico caso o Barcelona o procure.

O próprio Xavi já deixou claro que pretende, um dia, ser o técnico do clube que o formou e onde se consagrou como jogador.

Antes da atual temporada 2020/21, ele foi procurado pela diretoria do Barcelona, antes mesmo de Ronald Koeman.

Não houve um acerto e o ex-jogador não aceitou as condições oferecidas e declarou que “Há muitas questões extracampo”.

A temporada insatisfatória do técnico holandês no comando do Barça faz com que Xavi volte à pauta como possível técnico do time.

A informação do AS rapidamente foi confirmada no Brasil. Gustavo Hofman, da ESPN, ex-Trivela, confirmou com membros da entidade que dirige o futebol brasileiro que houve sim proposta pelo ex-jogador do Barcelona.

Queriam que ele compusesse a comissão técnica de Tite, com aval de Juninho Paulista, diretor de seleções, e também da própria comissão técnica.

Causa estranhamento que a CBF tenha procurado Xavi. Primeiro, porque ele é um técnico em início de carreira.

É verdade que Dunga chegou ao cargo sem nunca ter dirigido clube algum, assim como Falcão, anos antes, mas ambos eram figuras importantes do futebol brasileiro.

Xavi tem apenas um trabalho no currículo até aqui, no Al Sadd, pelo qual foi campeão em fevereiro. Que conhecimento ele teria sobre o futebol brasileiro para assumir o cargo?

Além da falta de experiência de Xavi, chama a atenção também porque o catalão é um defensor ferrenho de uma escola barcelonista que vai até além de Guardiola, embora, claro, tenha influência dele.

O catalão mostrou mais versatilidade ao assumir clubes como o Bayern de Munique e o Manchester City, já trabalhou com diversos jogadores brasileiros de importância e montou times diferentes atuando no mais alto nível.

Xavi só treinou o time do Catar, uma liga de nível técnico baixo, bastante abaixo do futebol brasileiro, por exemplo.

O estilo de jogo defendido por Xavi é um tiki taka que ele ajudou a colocar em execução na seleção espanhola sob o comando do histórico Luis Aragonés.

Foi ali que o tiki taka como conhecemos atualmente iniciou e culminou no título da Espanha em 2008. Aragonés, inclusive, ressaltou que o jeito de jogar veio antes do Barcelona.

Mais do que isso, ressaltou que embora tivesse alguma semelhança, o estilo era diferente do Brasil de 1970, com os brasileiros tendo mais talento e os espanhóis mais precisão.

Guardiola aproveitou muitas daquelas características para desenvolver no Barcelona, mas sempre de uma maneira ligeiramente diferente.

Xavi era a maior conexão entre as duas maneiras. Guardiola, aliás, era um crítico do estilo na sua essência de troca de passes incessante.

O técnico tinha jogadores com características mais objetivas no Barcelona, que faziam com que o time fosse mais objetivo e menos paciente que a Espanha, ainda que também com muita posse de bola.

Xavi é defensor desse estilo espanhol, que ficou ainda mais claro nas conquistas dos títulos da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e da Eurocopa 2012, na Ucrânia e Polônia.

Aquele time espanhol tinha um estilo de paciência e toque de bola que tem pouco a ver com o futebol que o Brasil está acostumado e cobra para que sua seleção tenha.

Em nenhum dos grandes times da seleção brasileira o estilo de jogo era parecido. Nem em 1958, nem em 1962, nem em 1970, nem em 1982, nem em 2002.

O Brasil sempre apostou em transições mais rápidas, usando seus jogadores de frente no um contra um.

Mas um time campeão do Brasil tinha alguns elementos que podem ser comparados com esse estilo.

O que mais se aproxima dele era o de Carlos Alberto Parreira, em 1994, que tinha como objetivo de manutenção de posse de bola como uma arma defensiva, que é um dos objetivos do tiki taka espanhol.

Aquele estilo era criticado pelo pragmatismo (de fato, é bastante pragmático, o que não quer dizer ser defensivo).

O Brasil conquistou a Copa 1994 sofrendo com críticas por um futebol que ia contra as tradições brasileiras.

Parreira, porém, era um técnico experiente, capaz de entender a dinâmica do futebol brasileiro.

Parreira tinha lastro de trabalho na Seleção desde a Copa de 1970, passando por clubes do futebol brasileiro.

Xavi não tem esse lastro e é defensor de um estilo muito mais difícil de ser aplicado em seleções em relação a clubes. Luis Aragonés, quando o fez na Espanha, era já um técnico muito experiente.

Trazer Xavi para a comissão técnica de Tite, já com uma promessa de torná-lo treinador principal no futuro, parece uma ideia sem muito sentido.

Xavi poderia ser útil como auxiliar, mas parece uma escolha equivocada do ponto de vista esportivo.

Parece uma ideia mais para chamar a atenção e criar uma cortina de fumaça em meio a uma crise criada por Rogério Caboclo do que um projeto esportivo para o futuro.

Veja mais sobre a crise na CBF no nosso podcast:

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