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21 julho, 2021 9:28 am

Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+: pelo direito de existir e existir com dignidade

POR KAHUANA LEITE, PARA CONTILNET

Na última segunda (28) celebramos o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e não-bináries, queers, intersexos, assexuais e outras/os/es), nessa data em 1969 ocorreu um marco de resistência de gays, lésbicas, transexuais negras e negros ao se defenderam de uma invasão policial no bar Stonewall Inn em Nova York (EUA). O dia 28 é, sobretudo, constituído pela luta do direito de existir e existir com dignidade.

No Brasil assim como em outros lugares do mundo esse dia simboliza o levante de uma comunidade que ao longo da história teve seus corpos e vidas violadas, aqui a luta foi construída principalmente por mulheres trans e travestis negras. Nosso país ocupa o 1º lugar no ranking mundial de assassinatos de homossexuais, transexuais e travestis (Grupo Gay da Bahia 2020/ANTRA 2020). Aqui morre uma pessoa LGBT a cada 19 horas. Além disso, mulheres lésbicas cisgênêros (cis) – que se identificam com o gênero designado no nascimento e apresentam atração por mulheres – sofrem com estupros “corretivos” cometidos por homens cis (Gênero e Número, 2017).

O suicídio de mulheres trans e homens trans em nosso país aumentou consideravelmente nos últimos anos (ANTRA, 2020). O cenário de vulnerabilidade social propiciado pelo preconceito é potencializado por questões como expulsão de casa, dificuldade de emprego e renda, violência no ambiente escolar e em espaços virtuais. A pandemia colaborou para que esse panorama se tornasse ainda mais perigoso para essa população, ao passo que muitas violências ocorrem dentro do contexto familiar e durante o isolamento social muitas/os/es precisam conviver 24h com seus agressores. Cabe perguntar, que tipo de vida é oferecida em nossa sociedade para crianças e adolescentes trans, gays, lésbicas, bissexuais e outras/os/es que não se enquadram no esperado heterossexual e cisgênero?

No Acre só esse primeiro semestre do ano (2021), um jovem gay foi ridicularizado publicamente em um programa de “humor”, um homem gay levou uma garrafada em um bar e uma travesti foi constrangida após o uso do banheiro feminino na prefeitura da capital. Na mídia nacional discursos homofóbicos e transfóbicos se replicam e não há presença de responsabilização. Todos os dados apontam que estamos no país mais perigoso para existências LGBTs e ainda assim, encontramos discursos públicos que fomentam ódio e fake news a essa população.

A luta LGBTQIA+ é por uma vida digna, pela possibilidade de não morrer apenas e exclusivamente por ser quem se é. É preciso compreender e despatologizar essas histórias, assim como o Conselho Federal de Psicologia (CFP) dispõe em suas resoluções 01/1999 e 08/2018 discorrendo que a homossexualidade, transexualidade e travestilidades se referem a expressão de cada pessoa no mundo e não constituem transtornos mentais, perversões e nem distúrbios. Não há cura para o que não é doença. Se fossemos ensinadas/os/es desde crianças a respeitar as diversas formas de ser e existir, ainda estaríamos ocupando o 1º lugar no ranking mundial de assassinatos de pessoas LGBTs?

 

Rio Branco, Acre, 29 de junho de 2020.

 

Instagram: @psi.kahuana

 

Fontes:

Associação Nacional de Travestis e Transsexuais – ANTRA. Dossiê dos assassinatos e da violência contra pessoas Trans em 2020. Disponível em: https://antrabrasil.org/assassinatos/.

Associação Nacional de Travestis e Transsexuais – ANTRA. Precisamos falar sobre o suicídio das pessoas trans!. Disponível em: https://antrabrasil.org/2018/06/29/precisamos-falar-sobre-o-suicidio-das-pessoas-trans/

GÊNERO E NÚMERO. No Brasil, 6 mulheres lésbicas são estupradas por dia. Disponível em: https://www.generonumero.media/no-brasil-6-mulheres-lesbicas-sao-estupradas-por-dia/

GRUPO GAY DA BAHIA. Observatório de mortes violentas de LGBTI+ no brasil – 2020. Disponível em: https://grupogaydabahia.files.wordpress.com/2021/05/observatorio-de-mortes-violentas-de-lgbti-no-brasil-relatorio-2020.-acontece-lgbti-e-ggb.pdf

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