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4 agosto 2021 1:48 pm

Ex-braço direito de Dilma Rousseff vira cacique de partido que flerta com bolsonarismo

Chamado de 'menino' pela ex-presidente, Anderson Dorneles foi citado em delação e assumiu presidência do Avante no RS

POR FOLHA

Nos bastidores do governo Dilma Rousseff (PT), Anderson Braga Dorneles, 41, era conhecido como a pessoa que cuidava do iPhone e do iPad da então presidente da República, que recebia emails e ligações direcionados à petista e que era chamado de “menino” pela chefe.

Em março deste ano, o ex-assessor e braço direito de Dilma, que trabalhou por quase 20 anos com ela e foi citado na delação da Odebrecht, assumiu a presidência do Avante, no Rio Grande do Sul —partido que, no plano nacional, tem flertado com o bolsonarismo.

Anderson diz que é pré-candidato a deputado federal e que quer ajudar a legenda a superar a cláusula de barreira nas eleições de 2022.

Novo nome do PT do B (Partido Trabalhista do Brasil), criado em 2017 e liderado pelo deputado federal mineiro Luis Tibé, o Avante tem oito cadeiras na Câmara dos Deputados. É um dos partidos do chamado centrão —bloco parlamentar que se aproximou do presidente Jair Bolsonaro.

No ano passado, Bolsonaro nomeou uma deputada da legenda, a também mineira Greyce Elias, para uma das vagas de vice-liderança do governo na Câmara.

Anderson ingressou no Avante pela proximidade com Tibé. Meses depois de deixar o governo Dilma, em 2016, ele ajudou o deputado na disputa para a Prefeitura de Belo Horizonte. Uma foto dos dois no intervalo de um debate na TV, lembra ele, virou notícia mostrando o ex-assessor próximo a Dilma ao lado de um “algoz” dela, um deputado que votou a favor do impeachment da ex-presidente.

Tibé diz que não se arrepende do voto e vê seu partido como de centro. “Olhamos se a matéria é boa ou ruim, independente de quem seja o autor”, respondeu ele ao ser questionado se vê a legenda mais a favor ou na oposição ao governo.

Para o próximo ano, ele diz que é provável uma candidatura própria à Presidência com o deputado André Janones, outro parlamentar de Minas Gerais, que ascendeu no cenário nacional com a greve dos caminhoneiros de 2018 e passou Bolsonaro em engajamento no Facebook ao defender o auxílio emergencial de R$ 600 durante a pandemia da Covid em 2020.

Além de Janones, crítico de Bolsonaro, Anderson aponta que a legenda abriga também nomes como o deputado federal Pastor Sargento Isidório (BA), próximo ao senador petista Jaques Wagner e presidente estadual na Bahia, e Marisa Lobo, presidente do partido no Paraná, bolsonarista.

“Não adianta ter uma identidade e não sobreviver à cláusula de barreira. Então, nosso principal objetivo hoje é fazer o número suficiente para passar o coeficiente nacional da cláusula de barreira. É nisso que a gente está focado. A polarização prejudica o nosso projeto”, analisa ele.

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