‘Fungo Negro’ pode ter chegado a MS em 1Âș caso suspeito na Capital

Por LÚCIO BORGES ORTEGA - CORRESPONDENTE MS 02/06/2021 às 09:39

CAMPO GRANDE (MS) –  ApĂłs ganhar noticias nos Ășltimos dias por causa da ocorrĂȘncia de casos na Índia, e que teria chegado jĂĄ ao Brasil, a infecção apelidada de ‘Fungo Negro”, parece que veio direto a Mato Grosso do Sul. Paciente de 71 anos internado em Campo Grande com Covid- 19, apresentou suspeita de contaminação pela nova enfermidade, que Ă© infecção oportunista em pacientes acamados pelo coronavirus. Veja abaixo explicaçÔes da doença.

A enfermidade se chama “mucomircose”, sendo uma complicação grave, que  pode levar os acometidos Ă  necessidade de mutilaçÔes e atĂ© matar. A notificação do novo problema de saĂșde sai extraoficialmente, em documento vazado, chamado “comunicação de risco”, do Cievs-MS (Centro de Informaçãos em VigilĂąncia SanitĂĄria de Mato Grosso do Sul). HĂĄ a confirmação da notificação do “provĂĄvel” caso, que saiu na noite desta terça-feira (1).

No documento divulgado à årea técnica, o Cievs alerta para a coleta de material e envio ao Lacen (Labotatório Central de MS) o mais råpido possível. Podem ser usados para a detecção do fungo material como escarro ou secreçÔes colhidas do nariz, por exemplo, e ainda em lesÔes de pele e mucosas.

O ‘Fungo Negro’ Ă© considerado uma infecção oportunista, sendo tratado como uma consequĂȘncia grave que estĂĄ atingindo vĂ­timas do pandemia do Covid 19. A infecção pode começar com um problema de pele, mas pode se espalhar para outras partes do corpo e atĂ© matar.

No Brasil, até o ultimo balanço, haviam sido 29 registros.

O que Ă© e o que se faz

Para o secretĂĄrio de SaĂșde de Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende, a suspeita acende um alerta para o Estado e o caso serĂĄ acompanhado nos prĂłximos dias.

As pessoas contraem mucormicose respirando os esporos fĂșngicos que ficam no ar.Essas formas de mucormicose ocorrem, geralmente, em pessoas que tĂȘm comorbidades ou utilizam medicamentos que diminuem a capacidade do corpo de combater algumas doenças.

Conforme alerta de texto vazado do Cievs “O tratamento envolve remover cirurgicamente todos os tecidos mortos e infectados. Em alguns pacientes, isso pode resultar em perda da mandĂ­bula superior ou Ă s vezes atĂ© mesmo do olho”.

Para o tratamento, sĂŁo necessĂĄrias pelo menos um mĂȘs, ou quatro semanas, de terapia antifĂșngica intravenosa, alĂ©m de equipe multidisciplinar por afetar mais de um ĂłrgĂŁo. Assim, a cura tambĂ©m pode envolver de 4 a 6 semanas de terapia antifĂșngica intravenosa e requer equipe de microbiologistas, especialistas em medicina interna, neurologistas intensivistas, oftalmologistas, dentistas e cirurgiĂ”es.

Sintomas

De acordo com a Secretaria Estadual de SaĂșde, os sintomas se iniciam com dor orbital unilateral ou facial sĂșbita, podendo conter obstrução nasal e secreção nasal necrĂłtica.

Existe a possibilidade de ocorrer lesĂŁo lĂ­tica escura na mucosa nasal ou dorso do nariz, celulite orbitĂĄria e facial, febre, ptose palpebral, amaurose, oftalmoplegia, anestesia de cĂłrnea, evoluindo em coma e Ăłbito.

O paciente

O idoso de Campo Grande com suspeita de estar com o fungo negro estå internado, sendo ainda diabético e hipertenso. O doente passou a ter sintomas de Covid-19 em 9 de maio e teve o diagnóstico confirmado no dia 18.

Ele havia tomado as duas doses de vacina contra o coronavírus em março e abril. A suspeita se mucormicose surgiu em 28  de maio, no olho esquerdo.

Hoje, segundo quadro descrito, estĂĄ em ventilação mecĂąnica, sem condiçÔes para transferĂȘncia para instituição de maior complexidade.

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