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Rio Branco
21 junho, 2021 6:28 pm

Mulher trans diz que foi vítima de preconceito após usar banheiro feminino na Prefeitura de Rio Branco

Pessoas transexuais podem usar o banheiro do gênero com o qual elas se identificam, a partir de decisões judiciais existentes nesse sentido

POR EVERTON DAMASCENO, DO CONTILNET

A acreana e transexual Jullyana Correia divulgou nesta terça-feira (8) um áudio em que ela afirma que foi vítima de transfobia após usar o banheiro feminino da Prefeitura de Rio Branco.

Um funcionário do executivo municipal, vestido de colete, teria dito à ela, que estava acompanhada de sua irmã, que as duas deveriam “usar o banheiro masculino ou o de pessoas com deficiência”.

“Eu fui ao banheiro feminino, como sempre vou, na Prefeitura. Na minha saída, eu e minha irmã – mulher, do gênero feminino, com traços geneticamente modificados que lhe dão aparência diferente de outras mulheres – fomos abordadas por um funcionário, que disse: “Vocês deveriam usar o banheiro de deficiente para não causar constrangimento nas mulheres””, comentou Jullyana.

“Eu sou trans e nunca passei por essa situação. Estou me sentindo indignada. Não aceitei o fato de ele chamar minha irmã de gênero masculino, sendo que ela é do gênero feminino”, continuou.

A acreana conta que as funcionárias que trabalham na recepção viram a cena, mas não fizeram nada.

“Baixaram a cabeça para ele. O funcionário da Prefeitura disse que se eu quisesse falar com o Bocalom ou com a ouvidoria, ele me levaria de deboche. Ele não iria me levar, porque sabia que eu iria fazer um escândalo”, destacou.

Correia disse que saiu de dentro da Prefeitura após o que disse o guarda, porque estava revoltada. “Saí para não agredir ele, porque que eu iria me rebaixar”, salientou.

“Eu só queria que alguém me dissesse quem decretou isso de que uma travesti não pode usar um banheiro feminino”, concluiu.

OUÇA O ÁUDIO: 

O que diz a Justiça sobre o uso de banheiros femininos ou masculinos por pessoas trans? 

Pessoas transexuais podem usar o banheiro do gênero com o qual elas se identificam.
A questão já está no Supremo Tribunal Federal (STF), vide o Recurso Extraordinário n.º 845.779, o qual possui repercussão geral e ainda não foi finalizado.

Ainda que não tenha sido finalizado o referido julgamento, já existem diversas decisões que concedem o direito a pessoas trans de utilizarem o banheiro público no qual se sentem confortáveis.

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