ContilNet Notícias

Com Colônia Souza Araújo em risco de fechar, Morhan alerta para novos casos de hanseníase no Acre

Por TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Com Colônia Souza Araújo em risco de fechar, Morhan alerta para novos casos de hanseníase no Acre

Souza Araújo/Foto: Val Fernandes

Na semana em que o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde, e a Diocese de Rio Branco vivem um cabo de guerra em torno de um convênio por repasses de recursos de manutenção da Colônia Souza Araújo, o Movimento de Reintegração da Hanseníase (Morhan) denunciou o ressurgimento da doença no Acre. De acordo com Elson Dias, o coordenador do Morhan, só em 2021, foram registrados vários casos da doença, dois deles em dois adolescentes, em Rio Branco.

A Souza Araújo é uma colônia criada ainda na época do Acre território, nos arredores da idade, na BR-364, sentido Rio Branco /Porto Velho, para abrigar homens e mulheres portadores da doença que não têm para onde ir. Com a crise entre o Governo e a Igreja Católica, por meio da Diocese, que administra o local, a colônia pode ser fechada e não receber novos pacientes.

Os adolescentes acometidos pela a doença procuraram atendimento já em estado avançado, atingidas nos pés e mãos, os quais, mesmo com o atendimento, deverão ficar com sequelas, disse Elson Dias.
O ressurgimento da doença no Acre, Estado em que a hanseníase era muito frequente nos anos 70 até meados da década de 90, decorre da falta de acompanhamento do sistema de saúde. “O Acre já liderou o ranking nacional da doença no país e, se não for feito algo urgente, além dos novos casos, poderemos voltar ao patamar de liderar o ranking nacional de casos da doença”, acrescentou Elson Dias. “O Moran, que é um movimento nacional, foi fundado no Acre pelo saudoso Fracnisco Bacurau, exatamente para combater e buscar a extinção da doença em nosso país. Não podemos deixar de novo a doença recrudescer”, acrescentou Dias.

A hanseníase já foi anunciada pelo serviço de saúde como prestes a ser extinta em território nacional. Mesmo com os anúncio, regiões como o Acre, principalmente no Vale do Juruá e em Rio Branco, além do Sul do Amazonas, a doença teima em recrudescer.

Citada na Bíblia como lepra já nos tempos de Jesus Cristo, a doença é causada por infecção com a bactéria “Mycobacterium leprae”, a qual afeta principalmente a pele, os olhos, o nariz e os nervos periféricos. Os sintomas incluem manchas claras ou vermelhas na pele com diminuição da sensibilidade, dormência e fraqueza nas mãos e nos pés.

A lepra pode ser curada com 6 a 12 meses de terapia com vários medicamentos. O tratamento precoce evita deficiência. A média de casos registrados no país por ano, segundo o Ministério da Saúde, é de 15 mil. A doença é propagada por gotículas no ar.

Sair da versão mobile