Pela 1ÂȘ vez na pandemia, Amazonas tem um dia sem registro de morte por Covid-19

Pela 1ÂȘ vez na pandemia, Amazonas tem um dia sem registro de morte por Covid-19
(Foto: Alex Pazuello/Semcom)

O Amazonas nĂŁo registrou nenhuma morte por Covid-19 nesta terça-feira (6), segundo dados divulgados pelo governo local. É a primeira vez que isso ocorre em 16 meses de pandemia. No perĂ­odo, o estado assistiu a crises severas, como o cenĂĄrio de falta de oxigĂȘnio em janeiro, com estatĂ­sticas elevadas de mortalidade.

Os dados de Ăłbitos causados pela doença vĂȘm em queda desde o fim de fevereiro, apĂłs o pico recorde. O inĂ­cio do ano foi o perĂ­odo de alta da doença na regiĂŁo. Em 30 de janeiro, por exemplo, foram registradas 225 mortes no Amazonas pela Covid-19. A mĂ©dia, em seu ponto mais elevado, chegou a ficar em 149 mortes por dia, em 4 de fevereiro.

A partir da metade de fevereiro, os registros começaram a cair consecutivamente atĂ© o ponto desta terça-feira. “Essa notĂ­cia nos enche de esperança. Vamos continuar trabalhando para avançar ainda mais na vacinação, o caminho mais seguro para sairmos dessa pandemia; e nĂŁo podemos descuidar dos protocolos de prevenção”, disse em nota o governador Wilson Lima (PSC).

O estado registrou hoje (6) o diagnĂłstico de 719 novos casos de Covid-19, o que fez o total chegar a 405.066 testes positivos. JĂĄ o total de Ăłbitos seguiu inalterado em 13.349 vĂ­timas. Na capital Manaus, houve um sepultamento de vĂ­tima de Covid-19 na segunda-feira (5), segundo a prefeitura. Outras 44,1 mil pessoas com diagnĂłstico positivo seguem sendo acompanhadas.

Especialista chama atenção para ocupação de leitos e registro de casos

Para Jesem Orellana, epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amazonas, o nĂșmero nĂŁo representa um enfraquecimento da pandemia no estado, jĂĄ que existe uma diferença entre as mortes notificadas no dia e as que de fato ocorreram. “Uma coisa Ă© o que os sistemas de informação dizem e outra completamente diferente Ă© o que acontece no mundo real. Daqui a alguns dias, quando os dados forem atualizados, Ă© provĂĄvel que tenhamos registro de Ăłbito hoje, por exemplo”, explica.

Orellana aponta ainda que, apenas nesta terça, Manaus voltou a ter mais de 200 leitos de UTI ocupados por pacientes de Covid, alĂ©m do aumento de casos. Entre 6 e 26 de junho, houve um crescimento de 43,8% no total de casos registrados, quando comparado ao perĂ­odo de 18 de abril a 15 de maio, mesma Ă©poca em que a “segunda onda” eclodiu pelo PaĂ­s.

“Tenho a impressĂŁo que estamos mergulhados em uma nova ilusĂŁo, a das vacinas. Foi assim em 2020 com a suposta imunidade de rebanho pela via natural. O ritmo lento da vacinação gera uma expectativa de curto prazo irreal na população”, observa Orellana. Ele aponta tambĂ©m para um alto nĂșmero de pessoas com esquema vacinal incompleto se infectando, ao mesmo tempo em que novas variantes começam a circular pela regiĂŁo.

“As pessoas se expĂ”em, fazem o vĂ­rus circular e mutar, contribuindo assim para o desperdĂ­cio de vacinas. Esse problema se torna ainda mais desafiador quando temos uma alta circulação viral ao longo do tempo”, diz. “SĂł poderemos pensar em alĂ­vio parcial depois de termos pelo menos 50% da população vacinada com a segunda dose.”

De acordo com os dados do consĂłrcio de imprensa, apenas 13,70% da população do Amazonas jĂĄ tem a imunização completa contra o coronavĂ­rus, percentual acima da mĂ©dia do PaĂ­s, de 13,13%. “Estar com a porcentagem um pouco acima da mĂ©dia em um paĂ­s que ainda vacinou pouco Ă© motivo de preocupação e nĂŁo de euforia. Relaxamentos e atitudes que favoreçam a circulação viral seguirĂŁo nos deixando no topo da mĂĄ gestĂŁo da epidemia.”

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