TJ mantĂ©m pronĂșncia por homicĂ­dio qualificado e mĂŁe que enterrou filha viva vai a jĂșri popular

TJ mantĂ©m pronĂșncia por homicĂ­dio qualificado e mĂŁe que enterrou filha viva vai a jĂșri popular
Local onde suspeita enterrou a própria filha em cidade de MS — Foto: Polícia Civil/Divulgação

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) manteve a pronĂșncia por homicĂ­dio qualificado para a mulher acusada de enterrar a filha de 10 anos, viva, em março de 2020, em BrasilĂąndia, no leste de Mato Grosso do Sul. Ela foi presa logo apĂłs o crime e continua na cadeia.

No acórdão proferido nessa quarta-feira (07), a relatora, desembargadora Dileta Terezinha Souza Thomas acatou o parecer da Procuradoria de Justiça.

A magistrada frisou que as qualificadoras e os crimes sĂł podem ser retirados da sentença de pronĂșncia em situaçÔes em que sĂŁo manifestamente descabidos, o que nĂŁo acontece no caso em questĂŁo.

A mulher havia sido pronunciada em 6 de abril por homicĂ­dio qualificado pelo motivo torpe, emprego do meio cruel e pelo recurso que dificultou a defesa da vĂ­tima.

Foi ainda acusada de ocultação de cadåver, de esconder o crime denunciando outra situação, com a agravante de ter planejado tudo.

A defesa recorreu da decisĂŁo judicial, pedindo a retirada das qualificadores por entender que nĂŁo havia provas suficientes.

Alegou ainda que a mulher nĂŁo poderia responder por ocultação de cadĂĄver, uma vez que quando enterrou a filha, ela estava viva. E que tambĂ©m nĂŁo houve falsa comunicação de crime, porque ela foi Ă  delegacia registrar o “desaparecimento” da filha.

A procuradoria deu parecer pela manutenção da sentença de pronĂșncia, alegando que cabe aos jurados dizer se as qualificadores estĂŁo presentes ou nĂŁo, bem como se ela deve ou nĂŁo ser condenada nos demais crimes.

O TJ seguiu a Procuradoria de Justiça e agora cabe ao juiz de primeiro grau marcar a data para o julgamento.

Crime

A investigação policial aponta que a criança estava denunciando abuso sexual, por parte do padrasto, quando o crime ocorreu.

O irmĂŁo da vĂ­tima, de 13 anos Ă  Ă©poca, ajudou a mĂŁe no crime e chegou a ser apreendido. À polĂ­cia, ele contou que a vĂ­tima pedia por socorro de dentro do buraco.

A polĂ­cia soube do caso pela prĂłpria mĂŁe. Depois de ir trĂȘs vezes ao local do crime para constatar se a filha estava morta, a mulher procurou a delegacia de PolĂ­cia Civil e disse que a menina havia desaparecido apĂłs ter sido deixada por ela em uma praça com o irmĂŁo.

Horas depois, ligou para a Polícia Militar (PM) e contou que havia matado a criança e queria se entregar.

Conforme a PolĂ­cia Civil, o mĂ©dico legista observou, no exame necroscĂłpico, que a vĂ­tima apresentava vĂĄrias lesĂ”es pelo corpo, indicando possĂ­vel ocorrĂȘncia de tortura. A causa da morte foi asfixia mecĂąnica por compressĂŁo do tĂłrax, compatĂ­vel com o relato do adolescente.

O garoto revelou ainda que a mĂŁe ficou enfurecida porque a irmĂŁ havia dito que estava sendo abusada sexualmente pelo padrasto e prometeu matĂĄ-la caso continuasse falando sobre o assunto.

Em seguida, ela chamou ambos para sair de carro e parou em uma estrada fora da cidade, onde iniciou as agressÔes e matou a filha.

A PolĂ­cia Civil identificou uma testemunha que relatou que a menina havia mencionado, no final do ano passado, ter sido vĂ­tima de abuso por parte do padrasto e que nĂŁo poderia revelar os professores ou para a polĂ­cia por medo de apanhar da mĂŁe.

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